
Nestes dias o principal assunto nos Emirados Árabes Unidos é a chegada de Hazza Al Mansouri, o primeiro astronauta emiradense (ou emirático) à Estação Espacial Internacional.
Chegou hoje pela manhã e de acordo com a Wikipédia é o seu 228º visitante, representando a 19ª nacionalidade a fazer-se presente neste veículo que se pode definir sem metáforas como sendo uma das fronteiras do conhecimento.
Além das bandeiras mais habituais nestas paranças, já por lá andaram um belga, um sueco, um dinamarquês, um cazaque, um sul-africano, um malaio e um espanhol.
Não consigo ficar indiferente quando olho isto e de seguida para aquilo que fomos e somos.
A importância que o nosso país, uma nação antiga, no contributo da descoberta das costas do mundo inteiro e na recolha de informação para que se pudessem desenhar os mapas e assim conhecer o globo onde vivemos esgotou-se há muito.
O tempo passou e no sec XXI a nossa mais recente conquista foi conseguir trocar défice financeiro por défice nos serviços públicos.
Tentamos esquecer que o quadro de pessoal do império português, na sua versão mais extensa do Brasil ao Japão, não ultrapassava 6000 pessoas, clérigos incluídos. Hoje temos mais de meio milhão de servidores públicos mas, ao contrário do que aconteceu no passado, vivemos obcecados com o próprio umbigo.
Nos tempos em que desbravamos o desconhecimento e vivemos na fronteira de ciência aportamos em muitas latitudes e também no desértico e desinteressante território onde Hazza Al Mansouri nasceu. Hoje o país dele ambiciona em sentar-se a bordo da ISS enquanto que no país dos outrora descobridores se discute quem é que sabia o quê e quem que é que anda a mentir.
Neste tempo sobressaltado de eleições gostava que pelo menos um dos candidatos se propusesse a nos levar pela mão e nos transmitisse a ambição de regressarmos às franjas do conhecimento, onde já fomos felizes para que então, como nos disse Pessoa, se cumprisse Portugal.

quanto é que pagou ?
O Orçamento de Estado é superior a 50% do PIB.
Que percentagem do PIB justificaria gastar num projecto destes?
De quantas rotundas teríamos de abdicar?
Calma, Paulo. Também por lá deixamos pegada. Recordo :
https://youtu.be/KJ4O5DiOctI
Bom material
Paulo esta é imperdível. Não sei se é a brincar. Reportagem da SIC. NASA acredita que vida na Terra começou numa vila alentejana
https://youtu.be/CGM9oyGxei0
Julgo que Portugal pela sua história recente e passada deveria ser uma referência no estudo dos abismos marítimos.
Até temos a plataforma marítima em expansão…
Temos o Ronaldo, o Mendes e o Centeno. Na franja do conhecimento.
E também uma série de ex-responsáveis dos sistema financeiro nas franjas do desconhecimento e, já agora, da falta de memória.
Amílcar Mendes, o primeiro astronauta português. É pena a comunicação social não dar destaque ao que temos de melhor. Viva Portugal
https://youtu.be/-GPjHYCQ8Yk
Pessoalmente acho que está a sonhar demasiado alto. E Fernando Pessoa, um poeta maior, tinha também um sonho megalómano para o mundo português. Que não vejo como pode um dia ser verdade. Mas eu vejo mal, nada de desânimos.
A Bea mora para os lados do Restelo?
nos transmitisse a ambição de regressarmos às franjas do conhecimento
Há em Portugal muitos cientistas (portugueses e estrangeiros, tal e qual como na época dos Descobrimentos) que trabalham nas franjas do conhecimento.
Se incluirmos os indivíduos que, como Al Mansuri, têm uma certa nacionalidade mas trabalham nas franjas do conhecimento noutro país, então ainda há mais: muitos portugueses trabalham nas franjas do conhecimento em países estrangeiros (incluindo, ao que ouvi no outro dia, uma portuguesa que está a treinar para astronauta na NASA).
Portanto, este post é indevidamente pessimista.
Provavelmente. E como dizia o outro senhor, o pessimismo nunca criou emprego.
Continuamos a sofrer do síndrome dos Fonsecas e Madureiras retratada na “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto e também cantado nesta canção de Fausto Bordalo Dias rematada tão bem assim: “na verdade o que vos dói
É que não queremos ser heróis””
https://youtu.be/G8cVqT7tSkA
OLHA O FADO
“Eu cá sou dos Fonsecas
Eu cá sou dos Madureiras
De ferro e puro sangue
O que me corre nas veias
Nasci da paixão temporal
Do parto dos vendavais
Cresço no fragor da luta
Numa força bruta
P’ra além dos mortais
Mas tenho muitas saudades
Certas penas e desejos
E aquela louca ansiedade
Como um pecado
Meu amor se te não vejo
Olha o fado
Ora é tão vingativo
Ora é tão paciente
Amanhã é comedor
Hoje abstinente
Mentiroso alcoviteiro
Doce e verdadeiro
Uma vez conquistador
Outra vez vencido
Amanhã é navegante
Hoje é desvalido
Sensual aventureiro
Doido e bandoleiro
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Os lobos do mar
De olhos pregados nos céus
De cima dos chapitéus
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Dos lobos dos mares
E na verdade o que vos dói
É que não queremos ser heróis”
“Neste tempo sobressaltado de eleições gostava que pelo menos um dos candidatos se propusesse a nos levar pela mão e nos transmitisse a ambição de regressarmos às franjas do conhecimento,”
O meu caro Paulo ou é pouco ambicioso ou na realidade adora o paternalismo do estado. Não percebo que alguém que tanto repudia a sombra do estado esteja à espera que um candidato se propusesse a tal feito.
A colocar franjinhas no conhecimento anda este país a fazer há uns bons anos.
Como país naufragado que somos, proponho que aproveitemos tão grande oportunidade para no mínimo explorarmos o fundo do oceano.
Tudo na vida é feito de equilíbrios e a nossa realidade política está desequilibrada para a esquerda. Quando defendo menos estado não defendo estado nulo.
Acho que os líderes políticos deveriam exactamente apresentar-se com uma visão mobilizadora para o país deixando o público escolher pelo voto.
Qual a visão de longo prazo que temos para o nosso país? Devolver rendimentos? Fazer um aeroporto? Cumprir o acordo orçamental? Ferrovia de alta velocidade?
Ouviu o que disse Horta Osório sobre o nosso nível de endividamento? Chegamos a este ponto por distribuir o que não temos. Só ultrapassaremos isto com crescimento económico efectivo.
Portugal faz que anda, mas não anda. Parece de brincadeira.
A.Vieira
Não preciso que nenhum candidato me leve pela mão. Basta saírem-me da frente ou não se montarem nas minhas costas.
Espero que tenha comido a refeição vencedora do chef Kiko Martins.
Eu dispenso ter alguém no Espaço com um autocolante do benfica colado lá num sítio estratégico para se ver durante as transmissões para a Terra. Fiquem cá em baixo que é o lugar deles.