A suspensão do Parlamento Britânico.


Luís Menezes Leitão,

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O precedente mais próximo de suspensão de um Parlamento de que me lembro foi quando Lenine, logo a seguir à Revolução de Outubro, mandou encerrar a Duma, fechando as portas e impedindo os deputados de entrar. Foi preciso o comunismo cair na Rússia para que esta voltasse a ter um Parlamento. Parece que o Brexit está a levar muita gente no Reino Unido a perder a cabeça.

20 comentários em “A suspensão do Parlamento Britânico.”

  1. Há só um detalhezito a ter em conta nesta comparação.

    O PM, do Reino Unido, está a implementar o resultado de um refendo.
    O PM, do Reino Unido, está a administrar um Brexit, ao sério, gerido pelo Governo de sua Majestade a Raínha Isabel II.

    As oposições no RU e na dita UE, fanaticamente eurófilas, “perdem a cabeça”, claro. Continuam a insistir num caricato “Brexit só em nome”.
    Continuam tentando prosseguir a frustada tarefa (quiçá traição ao resultado do referendo) da inconcebível ex-PM May e dos seu mandante o Min. Hammond….
    Por fim funcionários da UE em Bruxelas e a “dona de isto tudo”, a Alemanha, já cedem à realidade.
    A comunicação social em Portugal é vergonhosamente parcial.

    1. Pedro, a Inglaterra não depende de governos, ou políticos. A Inglaterra não necessita de qualquer permissão para ser um titã. Tem origem divina. Londres está gigantesca, em turismo, construção imobiliária, comércio . Um dia até os céus lhe estarão disponíveis. A história da diplomacia inglesa fala por si. Nunca falharam. Tomemos nós cuidado!

      1. ” A história da diplomacia inglesa fala por si. Nunca falharam. Tomemos nós cuidado! ”
        Para os menos informados convém sempre lembrar isso, até quando perderam fisicamente nunca deixaram de exercer enorme influência sobre quem os derrotou.
        Sempre estiveram com um pé dentro e outro fora e agora que querem sair e ainda a tempo de salvarem as pratas não os querem deixar sair.
        A UE é uma fantochada liderada pela Alemanha enquanto principal beneficiária e pelos seus históricos satélites em matéria económica, a França desde Napoleão tem colecionado derrotas em toda a linha e cede tudo, depois existem lá uns tesos que dizem amén a tudo para que as respectivas “elites” possam viver bem.

        WW

  2. Incrível!
    Nunca confiei no Johnson, mas, desta vez, até lhe dei o benefício da dúvida, do género: será que ele é mesmo tão mau como se julga? Vamos lá ver como vai descalçar esta bota, talvez nos surpreenda.

    E surpreendeu mesmo. Mas pela negativa. O homem mostra o seu carácter e não é nada aconselhável.

      1. A Rainha não tem qualquer voto na matéria, uma vez que no sistema britânico é sempre o Primeiro-Ministro que tudo decide. Imaginar que a Rainha de Inglaterra iria alguma vez contrariar uma decisão do Primeiro-Ministro seria como acreditar no regresso dos dinossauros. Ela nem uma vírgula pode alterar ao discurso da Coroa, que é integralmente feito pelo Primeiro-Ministro.

        1. Está errado. No caso da prorrogação do Parlamento ( e é disso que se trata) o monarca tem o poder de permitir ou não, ouvido o Privy Council).

      2. Sim, parece que é tradição, já há algum tempo, a monarquia britânica não contestar as decisões governamentais. Também achei estranho que Johnson arriscasse um passo destes não tendo garantias de ser bem sucedido.

  3. Mais cedo ou mais tarde isso pode ocorrer. A estratégia britânica é simples: saímos e depois negoceia-se à nossa medida.

    Regressámos aos nacionalismos. O Reino Unido é uma jangada presa por cordas. Porém o elemento agregador é a Rainha; é ela que terá a última palavra. E a rainha vai querer ser rainha. Parece-me que Bruxelas anda a dormir sobre esta questão.

    O Reino Unido, ao aprisionar recentemente o petroleiro iraniano em águas da União Europeia (Gibraltar), contrariando as normas europeias, deu um sinal que em matéria de soberania prevalece o seu interesse.

  4. Se a rainha aceder ao pedido de Johnson, será a própria monarquia que estará em causa. Dito isto, não acredito que a suspensão vá avante.

  5. Gosto do Boris Johnson.
    Posso estar enganada, mas faço figas para que vida lhe corra bem, a ele e aos britânicos. A bem de um futuro menos poluído de passos certinhos, previsíveis e inúteis. No passado deram lições de democracia ao resto do mundo, a ver vamos se o que parece um passo atrás (ou mesmo em falso), não é mais um passo estratégico na sua afirmação. Isto a confirmar-se que é uma suspensão efectivamente temporária para permitir a negociação com a UE num quadro de razoável bom senso.

    A nossa vanguardista Manuel Ferreira Leite já tinha vislumbrado solução semelhante. A diferença é que era só candidata e fez de conta que estava a brincar.

    Isabel

  6. “O precedente mais próximo de suspensão de um Parlamento…”

    O Primeiro Ministro Britânico John Major suspendeu o Parlamento em 1997 por 6 semanas…

    Quando as pessoas são in(formadas) pelo jornalismo dos Expressos, Publicos, SIC, TVI’s RTP’s etc acontecem coisas destas

    lucklucky

    1. Não sei quando é que isso terá acontecido mas, a ser verdade, presumo que tenha sido apenas para preparar eleições, uma vez que John Major foi corrido em 2 de Maio de 1997 pelas eleições que conduziram ao governo Tony Blair.

      De qualquer forma hoje John Major opôs-se ferozmente a essa decisão e ameaçou até recorrer aos tribunais contra ela.
      https://www.bbc.com/news/uk-politics-49493632

      1. Tanto é possível que a Rainha já decidiu. Não se esqueça, Luís, que a questão do “Backstop” na Irlanda interfere com a organização e a constituição ou carta constitucional britânica.
        A UE forçou a barra e vai retroceder

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