Bruxelas e arredores


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Em Bruxelas, da qual parti, vão agora confluir os três primeiros da lista europeia do PS, todos antigos governantes de Sócrates (Pereira, seu braço-direito, e ao que parece também usufruindo dos serviços do “chófer”, e os dois Marques). E agora também esta Ferreira, feita Comissária Europeia, que foi ministra do Sócrates secretário de estado, quando tudo começou para ele. Maternal, chocou o ovo da mamba, por assim dizer. E fê-lo tão bem que ele, já PM, década e meia passada até a lançou para a Câmara do Porto.

Costa continua a “narrativa” de que não havia indícios sobre algo errado. Alguns amigos meus, daqui a uns anos, vir-me-ão, pesarosos, repetir o choradinho “Eu não vi”. Mas não. Percebem, sabem. Vivem nisto porque vivem disto. E por isso, nos pequenos jeitos que vão tendo, sufragam esta gente.

Adenda: 

eu já nem me lembrava mas vejo ecos disso. Esta mulher – para além de complicadas relações matrimoniais com um enorme rombo na Caixa Geral de Depósitos, que me parecem pelo menos moralmente duvidosas – tem esta concepção política: “O dinheiro é do Estado, é do PS!“. Ou seja, diz ao eleitorado que o dinheiro que a administração pública gasta, o sempre respeitável erário público, é do partido que está no poder. E, lembremo-nos, para além das complicadas relações matrimoniais com um enorme rombo na banca pública, Ferreira clamou ao seu eleitorado que “o dinheiro é do Estado, é do PS!“, quando o seu antigo secretário de estado José Sócrates era o primeiro-ministro. Uma quase infinita desfaçatez.

E é esta mulher, é esta prática da política e é esta visão do mundo, que Costa envia para Comissária Europeia. E é esta mulher que os painelistas avençados e administradores não executivos do costume, mais os dêénes e públicos, irão agora gabar em uníssono.

Mais uma adenda: Henrique Pereira dos Santos teve a gentileza de comentar este texto no meu mural do Facebook . E julgo curial trazer esse comentário para aqui, até porque discordante do teor do postal (ou de parte dele): “acusar Elisa Ferreira de ter chocado maternal ente o ovo, suando foi a primeira vítima de Sócrates (eu estava lá) não é rigoroso. Sobre o resto não tenho nada a dizer, mas sobre o período em que Sócrates se chamava a si próprio o Zé das Sobras por causa da contenção com que Elisa Ferreira o tentou manietar sei o que vi de camarote.” Muito lhe agradeço o comentário. E o esclarecimento. 

 

12 comentários em “Bruxelas e arredores”

  1. Em Portugal nunca existem indícios sobre algo errado até que tudo dá errado. E quando dá errado, são somente indícios e nunca factos.

    A diferença entre um ditador e um democrata reside no facto daqueloutro, o ditador, quando cai os seus leais permanecem leais. O democrata, no entanto, permanece leal a outros interesses: a bem da democracia.

    Um museu dedicado a Salazar e a seu regime terá sempre o condão de nos mostrar o que é certo e errado. Um museu da democracia recordar-nos-á, certamente, que em democracia nada existe de errado.
    Por exemplo: uma geringonça governativa ao serviço do diktat de Bruxelas certamente nos indica que é preferível salvaguardar ordenados e pensões a quem governa e legisla e às clientelas politico-eleitorais que governar para uma nação.
    Uma das promessas de Salazar, tal era a miséria em que Portugal se encontrava quando subiu ao poder, foi: “prometo a todas as famílias colocar-lhes um frango para comer todos os fins-de-semana”. Depois disto apareceu um porquito e algo mais…

    Agora verifica-se que o galinheiro foi tomado: os frangos e ovos estão todos no mesmo cesto; e Bruxelas paga-lhes para que isso aconteça.

    A bem da memória, da nação e da posta do jpt, com as saudações ditatoriais, isto é, leais, assino conforme se posta,

    PS: Viva a especulação imobiliária propugnada pela geringonça; Viva a lei das tendas; Viva o revisionismo reaccionário que colocou a geringonça contra os camionistas e suas legitimas reivindicações; Viva as politicas reaccionárias feministas-lgbtistas para fazer género que governam sem governarem.

  2. Eu não sabia que a senhora esteve ou está casada com o vice-presidente da La Seda, empresa que, pela mãpo do Sócrates, deu um rombo dos diabos aos nossos Bancos, que estamos todos a pagar. Mas, agora que sei, essa informação atromenta-me. Vou dormir em cima da carteira.

      1. Eles todos gostam de pão e circo, mas mais uma vez vai acabar o pão, continuará de certeza o circo…

        WW

  3. Tem currículo? Tem idoneidade? Nunca esteve ligada a práticas de infrações às regras legais ou regulamentares em que se regeu na sua atividade?
    Ou em português mais corriqueiro e colocado ao mais pobre que concorre seja para que função for: é cega? Como nunca soube o que acontecia lá por casa?
    O que nos sobra em vaidade, falta-nos em vergonha e carácter.
    Não há emenda, pois todos os partidos se acotovelam para limpar a imagem de um dos seus.
    Sempre que vejo a História do nosso país, fico envergonhada. E andamos nós a falar da História dos outros.
    M. Lopes

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