
André Couto: «O esforçado inglês dos italianos que por função se obrigam a trauteá-lo, porque dos outros nem uma palavra, será certamente um dos momentos cómicos a registar no fim desta viagem. Itália era uma mero ponto de passagem, mal aterrámos seguimos para a Eslovénia, o primeiro destino.»
João Carvalho: «O Portugal político é feito à imagem do Portugal televisivo: os habitués convidam-se mutuamente e andam todos a mostrar-se num círculo fechado imparável; o resto é a paisagem do costume, de uma pobreza desoladora em que mais ninguém conta.»
Leonor Barros: «Os livros são o melhor antídoto para dias solitários de praia. Arrumo dois no saco, longe dos protectores, a salvo dos cheiros intensos. Incapaz de prever os meus humores e apetites, acomodo-os lado a lado com a garrafa de água e rumo à praia não sem antes espreitar a tarja de mar pela janela e concluir que, embora o resto do país asse literalmente na canícula exuberante, o microclima presentear-me-á com uma tarde encoberta. Nem uma réstia de sol. Hesito à chegada. Vale a pena? E concluo que vale a pena, com os dois livros no saco e a tarde sem afazeres de qualquer ordem, vale a pena.»
Paulo Gorjão: «Francisco Moita Flores tem imensos defeitos. Curiosamente, a tropa de Manuela Ferreira Leite só descobriu agora. Andaram todos distraídos durante o último ano, ou foram todos coniventes enquanto, apesar dos defeitos, Moita Flores interessava ao PSD e se mantinha calado. Subitamente, Moita Flores criticou a liderança de Ferreira Leite. O formigueiro assumiu formação defensiva e o intruso tem estado a levar tratamento de choque. O homem é um canalha, afinal. Estou seguro que preferem perder a Câmara Municipal de Santarém do que ganhar com tão indigno personagem.»
Eu: «Estação pateta? Que estação pateta? Há quem goste de apresentar Agosto como o mês supremo da silly season. Nada mais falso, como em 2008 voltou a ver-se. Recapitulemos: houve uma guerra no Cáucaso entre a Rússia e a Geórgia, atentados terroristas no Xinjiang, os mais concorridos jogos olímpicos de sempre, um brutal acidente aéreo em Madrid com 154 mortos, a demissão forçada do presidente do Paquistão, as escolhas dos candidatos à vice-presidência dos Estados Unidos. A imprensa, à escala mundial, deu o maior destaque a tudo isto. Nada a ver com silly season. Nada mesmo.»
