Os filmes da minha vida (50)


Pedro Correia,

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SHANE:

SEMENTES DE VIOLÊNCIA

 

Um forasteiro chega a um pequeno povoado, vindo ninguém sabe de onde. Ainda o genérico preenche o ecrã e já o vemos lá do alto a cavalgar rumo ao vale – de costas, o que acentua a face enigmática deste peregrino de passado obscuro: apenas saberemos de imediato que é exímio a manejar armas de fogo e um desenraizado, sem lar nem âncora. Perceberemos mais tarde que está farto de violência, mas não consegue escapar dela.

Shane – um dos melhores westerns de que há memória e o filme que projectou Alan Ladd para a eternidade – é um singular retrato da América pioneira, a que desbravava sucessivas fronteiras internas, sempre rumo a Oeste, à mercê do esforço individual, tantas vezes pago com a mutilação e a morte. Uma América de algum modo simbolizada naquele cavaleiro supostamente oriundo de paragens inóspitas e sujeito ao dilema permanente entre matar ou morrer.

 

Estamos no belo e bravo Wyoming da última década do século XIX, quando os índios haviam deixado de ser uma ameaça à progressão do homem branco na marcha para o Pacífico. Nação ainda jovem, os EUA iam rasgando vias de comunicação, erguendo embriões de cidades, transformando pastagens naturais em solos agrícolas. A administração pública permanecia longe, a milhares de quilómetros. Ali as leis ditavam-se em função das circunstâncias e o próprio preceito bíblico «Não matarás» era a todo o momento questionado.

Não há um só pele-vermelha neste clássico do Oeste selvagem: aqui todas as lutas se desenrolam entre descendentes directos de imigrantes europeus. De um lado, os mais antigos detentores das terras, apostados em mantê-las como pasto para gado; do outro, os lavradores, pertencentes à primeira geração que ali trocava a espingarda pelo arado. Uns defendiam a tradição atávica, confinada à lei do mais forte; outros implantavam cercas e vedações, delimitando o direito de propriedade como símbolo do progresso. Visões antagónicas, condenadas ao conflito. Ryker, o rude patriarca local, descreve o quadro em poucas frases: «Passámos por tempos duros, eu e outros homens agora quase todos mortos. Ainda tenho um ombro em má forma devido à flecha de um Cheyenne. Fundámos e construímos esta região com trabalho, sangue e estômagos vazios. O gado que para aqui trouxemos foi perseguido por índios e gatunos. Fizemos disto um território seguro. Alguns morreram, mas conseguimos.»

Shane, nómada por destino ou vocação, não pertence a nenhuma destas facções: cruza aquele território por um capricho do acaso, «sem lenço nem documento», como cantaria Caetano Veloso muitas décadas depois. E logo se torna um ídolo do pequeno Joey, filho único do casal formado por Joe e Marian Starrett, agricultores em confronto com o prepotente Ryker, símbolo remanescente de um vasto território ainda sem lei.

 

Neste western atípico, a criança faz toda a diferença: parte do que observamos advém do seu olhar virginal. Merece aplauso a interpretação do pequeno Brandon de Wilde, então com apenas dez anos: foi, à época, o mais jovem actor nomeado para um Óscar.

O miúdo, sonhando com cavalgadas aventureiras, elege como seu herói o recém-chegado que se hospeda lá em casa. Indiferente ao prudente conselho da mãe: «Não te afeiçoes muito ao Shane. Ele irá partir um dia e ficarás triste se te afeiçoares demasiado a ele.» Marian fala para o filho mas também para si própria: percebemos, desde o primeiro instante, que ela se sente atraída por aquele forasteiro chegado de lugar nenhum. Basta um intercâmbio de olhares para desfazer dúvidas. E vários se irão sucedendo nesta longa-metragem.

 

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Shane – realizado por George Stevens (1904-1975) – é um filme memorável não apenas pelo que expressa mas por tudo quanto deixa implícito sem desperdício de palavras, aqui substituídas com vantagem pelas imagens, essência do cinema. Desde logo pelo local escolhido, quase todo em cenário natural, na região de Jackson Hole, emoldurada de montanhas com neves perpétuas. Um cenário grandioso e fascinante, fazendo-nos recordar a cada momento como são exíguas as forças do ser humano no milenar confronto com a natureza.

Neste jogo de contrastes, onde o bem e o mal nunca se dissociam da dicotomia estética, uma das personagens memoráveis é Wilson, o pistoleiro profissional, aqui semelhante a um gangster, de chapéu e colete negros em óbvia alusão ao rasto de morte que o acompanha – papel confiado a Jack Palance, numa das melhores composições de um dos piores canalhas já surgidos na grande tela. A cena em que ele mata o pobre ex-soldado sulista Torrey (interpretado por Elisha Cook Jr, quase mítico actor secundário da velha Hollywood), deixando-o sepultado na lama, é digna de antologia, tendo inspirado vários cineastas – de Sam Peckinpah a Quentin Tarantino, passando por Clint Eastwood.

Outra cena inesquecível é a do baile comemorativo do feriado do 4 de Julho, com a bandeira norte-americana desfraldada nos celeiros – também o dia em que Marian e Joe (interpretados por Jean Arthur e Van Heflin) celebram o décimo aniversário de casamento. Mas ela só dá nas vistas, parecendo remoçar de minuto a minuto, quando dança com Shane.

Aqui, de novo, nenhuma palavra é necessária: um espectador atento percebe tudo.

 

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Rodado entre Julho e Outubro de 1951 num esplendoroso Technicolor que em várias cenas o torna digno de uma tela expressionista, este filme que a Paramount só estreou em Abril de 1953 inspirou-se na novela homónima de Jack Schaefer – publicada anos antes, em fascículos, numa revista popular. Ao que consta, a adaptação à tela ocorreu por recomendação do filho do cineasta.

Podia ter sido um western de produção industrial, idêntico a tantos outros. Mas pela mão de Stevens (que no ano anterior filmara o sublime Um Lugar ao Sol) torna-se obra-prima absoluta, com lugar cativo no panteão do cinema americano. Merecendo seis nomeações para os Óscares – caso raro numa película etiquetada entre as «fitas de cowboys» pela desdenhosa crítica bem-pensante – e uma estatueta, mais que justificada, a distinguir a deslumbrante fotografia de Loyal Griggs.

Ladd ficou à margem dos galardões e rezam as crónicas que terá entrado em depressão ao saber-se marginalizado pelo júri de Hollywood, aqui com vistas muito curtas: o Shane que ele encarna (num papel rejeitado por William Holden e Montgomery Clift) é uma das melhores interpretações jamais registadas em westerns.

 

Vi pela primeira vez Shane há quase 30 anos, num local muito distante daquele onde agora escrevo. Não em cinema, como gostaria, mas em laser vídeo disc – tecnologia então muito evoluída mas hoje obsoleta. Logo se tornou num dos meus filmes de culto: equiparo-o, em western, a Rio Bravo (de Howard Hawks), A Desaparecida (de John Ford), Sublime Tentação (de William Wyler) e Johnny Guitar (de Nicholas Ray). Todos rodados nos prodigiosos anos 50 – a melhor década do cinema.

Recordarei para sempre algumas cenas que ainda me emocionam. A do pungente “Pai Nosso” rezado em coro pelos lavradores que acabam de ver assassinado outro dos seus, recortados em silhueta na vastidão do horizonte como se estivessem projectados no infinito. A do estóico Joe Starrett garantindo com firmeza, em noite de trovoada, aos restantes companheiros de infortúnio: «Eu não sairei daqui, nem agora nem nunca.» A de Marion observando o hóspede da janela e repetindo-lhe o nome. Como se recitasse uma oração, como se contemplasse o sol naquela noite de chuva intensa.

E sobretudo a magnífica sequência final, quando Joey implora com insistência ao seu fugaz herói: «Shane! Shane! Volta!»

Os gritos ficam a ecoar por todo o vale. Mas Shane já cavalga à distância, regressando ao local incerto de onde veio, tão enigmático à partida como no dia em que chegou.

 

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Shane. (Shane, 1953). De George Stevens. Principais intérpretes: Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Brandon de Wilde, Jack Palance.

 

48 comentários em “Os filmes da minha vida (50)”

    1. Belíssima música, que aliás pode ser escutada no ‘trailer’ que reproduzo no final do texto.
      O mesmo compositor de ‘Johnny Guitar’,outro ‘western’ extraordinário.

    1. É verdade. Morris inspirou-se nos intérpretes de westerns americanos e westerns-spaghetti para conceber algumas das suas personagens mais memoráveis:
      David Niven em ‘Calamity Jane’
      Lee Van Cleef no ‘Caçador de Prémios’
      Randolph Scott no ’20.º de Cavalaria’.
      Wallace Beery na ‘Diligência’.

      Só para citar alguns exemplos.

  1. Filmes destes enchem-nos a alma; são qualidade sem repetição. Foi um período espantoso. Mas a crónica é um apelo. Parabéns

    1. Obrigado, Bea. Hei-de escrever aqui (se não me faltarem o engenho e a disponibilidade) sobre mais filmes da década de 50, a década de todas as encruzilhadas na Sétima Arte – aquela que costumo referir como a melhor década de sempre do cinema, já tornado adulto e ainda muito longe da decrepitude.

  2. Palance, Jack, o tal que despachava séries de flexões só com um braço, e fez um duelo (mítico) com o celebérrimo Fritz em ´O desprezo’. Vi o filme em criança, é uma excelente ideia vou já rever!

    1. Ele mesmo, o das flexões – ao receber o Óscar de melhor secundário 40 anos depois de ter rodado ‘Shane’.
      Um caso notável de longevidade artística.

      ‘O Desprezo’ é outro dos filmes da minha vida – um hino à preservação da natureza (digamos assim) com uma Brigitte Bardot em estado de graça.

    1. Um dos raros ‘westerns’ sem actores de primeiríssimo plano que atingiu o estatuto de obra-prima. Tantas vezes imitado desde então, nenhuma cópia chegou sequer perto do magnífico original.

  3. Sou mais Western Spaguetti que pelos “clássicos”.
    Mas o western reinventou-se bem nos últimos tempos. E nem precisou de cair nas ” modernices”.

      1. O grande Sergio Leone começou assim como realizador e o Clint Eastwood como actor; e do spaghetti ambos depressa passaram ao caviar 🙂
        ⚘
        Maria

  4. Curiosidade – o fotograma que abre o post não corresponde inteiramente à cena final do filme: a despedida de Shane acontece de noite.

    1. O fotograma é retirado do trailer – como se comprova ali mais para baixo.
      Cena filmada de dia, mas a que George Stevens aplicou a técnica da “noite americana” (que seria o título de um premiado filme de Truffaut), então inovadora, escurecendo as cenas filmadas sob luz solar para parecerem ter sido rodadas durante a noite.

    1. Mais do que esse, gostei muito de dois outros ‘westerns’ dos anos 60: ‘Cinco Anos Depois’, de – e com – Marlon Brando (filme que esteve para ser realizado por Stanley Kubrick) e o fabuloso ‘El Dorado’ (de Howard Hawks, para mim um dos pontos culminantes do género).
      Há também, claro, ‘Os Sete Magníficos’. Mas neste caso comparo-o sempre com a fonte inspiradora: ‘Os Sete Samurais’, de Kurosawa – que fica a ganhar na comparação.

  5. Não conhecia este título, mas a tua excelente crónica dá vontade de ir procurar o filme. Pode ser que a cinemateca o tenha, e o passe…

    Dois dos meus filmes preferidos são dos anos 50 (por curiosidade, a década dos meus pais): “Forbidden Planet”, um dos clássicos da ficção científica, com um jovem Leslie Nielsen ainda a muitos anos dos papéis cómicos dos quais toda a gente se lembra, e com um argumento fabuloso inspirado na “Tempestade” de Shakespeare e nas teorias psicanalíticas de Freud; e “Night of the Hunter”, com o grande Robert Mitchum. Ainda há umas semanas revi este, na sessão ao ar livre da Cinemateca (provavelmente as únicas sessões públicas de cinema que podemos acompanhar com um copo de vinho); e a esplanada encheu-se de gente de todas as idades, sentada nos lugares disponíveis ou no chão, para assistir a uma película de culto.

    1. ‘A Sombra do Caçador’, filme único realizado pelo excelente actor britânico Charles Laughton, é uma obra-prima absoluta – com influências nítidas do expressionismo alemão.
      Também já constou desta minha série blogosférica agora retomada:
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3335625.html

      Tudo visto (e revisto) e somado, cada vez mais me convenço que a década de 50 foi a melhor do cinema. Em todos os géneros e em todas as latitudes.

  6. Confesso que não sei se alguma vez vi o Shane… sei sim que vi “milhões” de “westerns” de todo o tipo, ao longo dos meus 11/12 anos de idade: iria jurar que até vi um “Django contra Frankenstein” – delírio meu?…
    O enredo, descrito pelo Pedro Correia, até é – tirando alguns pequenos pormenores – apenas o mesmo de um qualquer desses “milhões” de “westerns” que vi na altura… sempre a enaltecer a epopeia dos colonizadores europeus, em qualquer uma das suas vertentes: sim, até essencialmente, quer contra os “bandidos” e “foras-da-lei” e, esporadicamente, contra os então já eliminados da “questão”, os chamados “índios” (ou como o PC pôs na fala de um deles: «Passámos por tempos duros, eu e outros homens agora quase todos mortos. Ainda tenho um ombro em má forma devido à flecha de um Cheyenne. Fundámos e construímos esta região com trabalho, sangue e estômagos vazios. O gado que para aqui trouxemos foi perseguido por índios e gatunos. Fizemos disto um território seguro. Alguns morreram, mas conseguimos.»)
    Enfim, foi apenas, na altura e para os “americanos”, o que hoje consideramos ser “como uma telenovela”! Muito mais próximo da realidade histórica estaria, por exemplo, um Heaven’s Gate, do Cimino (1980), que não deixa de ser um olhar sobre a mesma perspectiva! E claro, nem me pronuncio sobre qualquer comparação artística entre esses 2 ensaios fílmicos.
    A verdade é que os Westerns produzidos “em massa” durante as décadas de 50 e 60 eram, todos eles, verdadeiras chachadas. Quando em finais de 1970 assisti ao “O Homem a Quem Chamaram Cavalo”, a partir daí, os “westerns” passaram a ser uma outra coisa para mim…

    1. Começa por dizer que nem sabe se viu o filme.
      Mas logo o adjectiva como “chachada” – alargando o qualificativo a todos os filmes das décadas de 50 e 60.
      Enfim, típico achismo à portuguesa: os tudólogos adoram falar do que não sabem.

      1. Lamento imenso que tenha conseguido ler o que escrevi mas não tenha percebido o disse. Insisto uma vez mais antes de lhe sugerir fazer um desenho:
        1) por ter dito «que não sei se alguma vez vi o Shane» não quis dizer que até não o tenha visto mas apenas que se o vi, entre os “milhões” de outros “westerns”, ele não me despertou qualquer razão para memorizar o seu título que é, quando a lengalenga se repete, conseguimos individualizar um dos seus fios de esparguete! Se insistir, amanhã, até saco o filme algures sabe-se lá onde e depois de o assistir, até lhe digo se ele não faz parte do grupo dos «Westerns produzidos “em massa” durante as décadas de 50 e 60 (que) eram, todos eles, verdadeiras chachadas.»… enfim, “quem feio ama, bonito lhe parece”!
        2) “adjectivei-o” de «chachada» pelos motivos que mencionei no último parágrafo do meu comentário (vá até lá e leia-os!). Brancos com cabeleiras postiças em tranças não fazem “índios” e muito menos quando a sua língua são uns grunhidos supostamente pré-históricos. Já pintar a conquista civilizacional dos EUA, reduzida à disputa entre gente honesta e bandidos, é mais do mesmo: os bandidos existiam, existem e existirão mas, na altura, tal como hoje e no futuro, eles significavam interesses económicos e não apenas “simples bandidos” – daí ter mencionado a obra-prima do Cimino, Heaven’s Gate, que não sendo o único filme que aborda essa questão é, quanto a mim, por tudo, o que “melhor” aborda!
        3) «alargando o qualificativo a todos os filmes das décadas de 50 e 60.» – apenas mais uma das suas habituais extrapolações do costume: nunca me referi «a todos os filmes das décadas de 50 e 60» mas apenas a «Westerns produzidos “em massa” durante as décadas de 50 e 60» – se o não apagar, o meu comentário é prova disso;
        4) «Enfim, típico achismo à portuguesa: os tudólogos adoram falar do que não sabem.» – claro… espero é que, pelo menos desta vez em que não estamos a falar de política, V. não venha com a habitual lengalenga de “aqui” quem dita as regras é V. e arrume a troca de impressões com o facto de ser o senhorio, como fez algumas outras vezes..

        1. Você deve ser daqueles que pensam que quanto mais linhas escrevem mais razão podem vir a ter.
          Acaba por perder-se nessa floresta de palavras.

          Aconselho-o a escrever menos.
          E sobretudo a escrever apenas sobre aquilo que conhece.

          Quanto ao filme, volto a recomendá-lo.
          Quando puder, veja-o.
          Se não quiser, pior para si. O filme não deixa de ser uma obra-prima por causa disso.

          1. E ups! ou como estamos numa onda de “westerns”, calha bem dizer… eis, um vez mais anunciado O regresso do senhorio ou, se preferir, O senhorio ataca duas vezes!

            É que, pelos vistos, quem não diga amén com o que o senhorio diz (mesmo até a propósito de um filme!), apenas procura assegurar uma suposta «mais razão (que) pode(…) vir a ter» – hmmm, deve ser um universo bem triste o seu… recheado de conflitos onde quem tenha uma opinião diferente da sua, até a propósito de um filmezeco, é sujeito a apreciações e conselhos de toda a ordem por parte do mestre!

            Claro, «O filme não deixa de ser uma obra-prima» para si, seja lá a propósito do que outros digam e nem nunca foi esse um problema da minha parte

          2. Vejo que fez um esforço e desta vez conseguiu encolher a prosa. Faz bem: isso ajuda a reduzir o potencial da asneira.
            Mas continua a escrever de mais e a pensar de menos.

    2. A história dos westerns é um pouco mais complexa do que isso, como atestam por exemplo: “The sun shines bright” ou “Sergeant Rutledge” do Ford, ou ainda “Stars in my crown” do Tourneur.

    3. “sempre a enaltecer a epopeia dos colonizadores europeus”

      Até agora o melhor período da história da humanidade, e que permitiu que os outros povos chegassem aos milhares de milhões. Os europeus brancos não fizeram nada que outros não fizessem já antes e fizeram sociedades que eles não sabem fazer porque (ainda hoje) vivem afundados na noite da superstição e na tirania dos guerreiros e dos militares. O que lhe contaram da vidinha original da tribo tão giro é tudo treta — aquilo era uma miséria indigente. Seu estúpido.

      1. Uau! É evidente que «Os europeus brancos não fizeram nada que outros não fizessem já antes e fizeram sociedades que eles não sabem fazer»: é o chamado “Fardo do Homem Branco” (https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Fardo_do_Homem_Branco)! De resto, o que mais há a dizer ao seu troglodita comentário? Que os “europeus brancos” reduziram, nos EUA, apenas as populações nativas a números próximos de uma situação do seu completo extermínio? Que, sociedades mais “evoluídas” que a dos conquistadores ibéricos, até existiam nas Américas?
        Na verdade, ninguém me “contou” nada sobre a «vidinha original da tribo tão giro» – há matéria científica suficiente a comprovar, independentemente, da «vidinha original da tribo», que os governos americanos, do Canadá ao Chile, apenas prosseguiram políticas de extermínio dos nativos…
        A parcela do seu comentário em que diz que «aquilo era uma miséria indigente» é directamente proporcional à frase do mesmo: «Seu estúpido».
        Infelizmente, para si, V. até nem é, como o PC, aqui o senhorio…

  7. Belíssimos post e filme para ver.

    Acrescento só que fiquei admirada por ter demorado tantas horas a aparecer um diácono de serviço a julgar e condenar a mediocridade dos western, pela bitola asfixiante dos nossos dias.

    Haja mundo para continuar a haver forasteiros e forasteiras.

    Isabel

    1. Cara Isabel, sobre o que toca ao «diácono de serviço a julgar e condenar a mediocridade dos western, pela bitola asfixiante dos nossos dias», é como tudo: a «bitola asfixiante dos nossos dias» até nem é assim “tão asfixiante” como V. quer pintar já que pelos vistos, aqui, eu até passei a ser o único «diácono de serviço a julgar e condenar a mediocridade dos western» mas, claro, eu até serei o que V. achar que sou! E ai de quem vos contrarie!
      Claro, «Haja mundo para continuar a haver forasteiros e forasteiras» e, em especial se eles se dedicarem a ocupar a terra de outros, a impor a superioridade da civilização que eles julgam representar e blá-blá

      1. A sua aversão aos westerns e aos forasteiros parece-me só mais um sinal dos tempos, um tique de modernidade. Não estará com certeza alicerçado no desconhecimento da história da humanidade, feita de grandes migrações e êxodos. E no esquecimento do facto de todas as populações mundiais – salvo talvez as do sul de África -, descenderem de migrações e ocupações, em movimentos que se repetem continuamente.

        Os forasteiros, caro Vaz, limitam-se a deixar vir à tona o cariz nómada dos primeiros habitantes da terra. Não merecem o despertar de tanto anticorpo.

        Isabel

    1. Comentário mas enigmático, este o seu em que, caro JSP, até nem poderia deixar de aparecer por aqui…
      Por mim, «o reino dos céus» ou até o de qualquer outro reino, de qualquer outra ordem, astronómica ou não, nunca fez parte das minhas intervenções inscritas por aqui: limitei-me a dar a minha opinião sobre um filme sem pretender que ela fosse a “verdade” mas como sempre que isso acontece por aqui, o “senhorio” exige que as suas “palavras” sejam assumidas como a “verdade”!
      A minha «bitola for “Westerns”», mesmo apesar da sua abusiva tentativa de a juntar ao «cinema em geral»… reproduzindo a mesma tentativa por parte do nosso senhorio, já foi suficientemente explicada e justificada: não é por mero acaso que o “western”, depois de várias tentativas de recuperação com um novo discurso, até acabou por morrer de morte natural!
      Todos os “westerns” produzidos hoje, não deixam de ter uma “liguagem” até rebelde, “revisionista” do discurso ético, moral ou político assumido pelo “Shane”… e, evidentemente, tem, de todo, a ver com “o reino da Terra”…

  8. Muito obrigado pelo seu excelente texto que traduz o que eu sinto por este filme (que eu vi em cinema já lá vão anos e anos, nem sei já quantos).
    É também para mim um dos filmes da vida. E onde pela primeira vez foi dita, com sublime provocação, “are you talking to me?” a que mais tarde De Niro daria outro ênfase.
    Cumprimentos.

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