
«Sabia que nunca mais fraquejaria perante o seu destino, fossem quais fossem os caminhos a seguir. Estivera em contacto com a morte e descobrira que, afinal, era tudo menos grande. Ele era um homem.»
Stephen Crane, A Insígnia Vermelha da Coragem (1895), p. 162
Ed. Vega, 2007. Tradução de Jorge Pinheiro

Escrevia frases contraditórias: o autor era um homem. Com cabeça de mulher.
Lá está um caso de “má” tradução. pO9I
Eu teria traduzido por:
«O emblema cor de sangue da coragem»
Insígnia não é bem o mesmo que emblema, “badge” dá tudo;”red” também, vermelho, nunca (encarnado, também, não).
Cor de sangue ou cor de vinho tinto parecem-me cores mais adequadas a um Sportinguista, eh, eh, eh.
Não li o livro (ainda) mas vi o filme, aqui (um cheirinho):
https://www.youtube.com/watch?v=e3vt4wL
<“badge” dá para tudo, em inglês; “red” também>
Assim é que era, o teclado consegue ser mais inteligente do que eu
Andamos cada vez mais colados a pseudo-traduções literais que soam mal na nossa língua.
Ora um dos desígnios de um tradutor competente deve ser adequar a sintaxe original à sintaxe da língua de quem vai ler. Tendo sempre presente que os leitores portugueses são destinatários do texto que traduz. Ou seja: há que adequar a letra sem trair o espírito.
Foi, por exemplo, o que o grande Eça fez ao traduzir ‘As Minas de Salomão’.
Neste caso, a tradução literal soaria sempre mal em português.
A Europa-América, numa versão anterior datada dos anos 80 ou 90, optou por um título que soa bem melhor sem desvirtuar o espírito original. ‘Sob a Bandeira da Coragem’.
Infelizmente, meu caro Pedro, os tempos não estão para subtilezas, mas para literalismos. Em tudo, não só nisto.
P. S. – Neste caso, li o livro e vi o (belo) filme: a-li-o-livro-e-vi-o-filme-242-10263204
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/j