
Audrey Hepburn no filme Guerra e Paz (1956)
Julgo que acontece a cada um de nós. Há livros que sempre quisemos ler mas por algum motivo nos foram fugindo – ou nós fugindo deles, o que acaba por dar no mesmo: um desencontro de longa duração entre a obra e o potencial leitor.
No meu caso, confesso, a lista de leituras sempre adiadas é encabeçada por dois romances que se tornaram pedras basilares da literatura dos séculos XIX e XX: Guerra e Paz, de Tolstoi, e Em Busca do Tempo Perdido, de Proust. No primeiro caso, até já vi o filme (com a bela Audrey Hepburn), no segundo nem sequer conheço qualquer adaptação filmada.
Não tenho em casa nenhuma destas obras – a de Proust, desde logo, por ocupar muito espaço: são sete volumes. E nunca as li, reconheço, devido à dimensão dos textos. Um célebre ensaísta avaliou em quatro meses o tempo médio de leitura atenta da Guerra e Paz – o que excede, portanto, os dias bem contados de qualquer estação do ano.
Mas ainda não perdi a esperança. Sabendo que alguns livros da minha vida resultaram de leituras que fui adiando durante anos até um dia me decidir enfim a chegar lá. E ainda bem que o fiz, em casos como O Som e a Fúria, de Faulkner, ou Lolita, de Nabokov. Obras-primas da literatura universal.
Permitam-me a curiosidade: e no vosso caso? Quais são os livros que há anos desejam ler mas por algum motivo foram sempre adiando sem nunca os riscarem das listas de prioridades? Esta caixa de comentários fica à vossa disposição para partilharem tais confidências.

“Os Miseráveis” e “Guerra e Paz” fazem parte do lote. “O conde de Monte Cristo” também…
Tudo livros muito gordos, Gorduchita…
Quando ardeu Notre Dame prometi a mim mesmo ler ‘Nossa Senhora de Paris’. Espero concretizar tal meta até ao fim do ano.
Pedro,
Inspirado numa referência da Anabela Mota Ribeiro, adquiri e instalei a Divina Comédia de Dante na minha prateleira há uns anos, mas apesar da curiosidade, ainda não tive a disponibilidade mental para encetar esse clássico.
Já somos dois, Pedro.
Dessa obra, que é pedra angular da independência italiana como Estado, só conheço fragmentos.
O rol de livros a ler e que nunca li é interminável: partilho essa do “Em Busca …”. E assim de rajada, entre tantos outros, junto-lhe “Eneida”, “Contos de Cantuária”, “The Pickwick Papers”, “O Idiota”, “O Homem Sem Qualidades”, “Pale Fire”. Já tinha para este Verão todo e ainda mais …
Caramba, isso já seria programa para o ano inteiro.
Desses, já “risquei” ‘O Homem Sem Qualidades’. Dizem-me ser virtualmente ilegível. Tempo e paciência vão escasseando.
‘O Idiota’, cheguei a um terço. Depois (‘mea culpa’) desisti.
Preciso de tempo para ler a trilogia : “O teu rostro amanhã” de Javier Márias.
No verão de 2017 Junho a Setembro completei a teratologia “A Amiga Genial”
Faz bem. Eu gosto muito desse escritor mas ainda não me atrevi a mergulhar nessa trilogia.
“Ulysses” de James Joyce. Até o tenho cá em casa mas de cada vez que lhe pego e leio uma página volto a fechá-lo. Não sei porquê mas não consigo obrigar-me a lê-lo de modo que agora raramente lhe pego.
Está no fim da minha lista, Beatriz. Precisamente porque fujo de livros “ilegíveis”. Como julgo que esse é.
“Até o tenho cá em casa mas …”
E o Durer, já leu?
Estou a ler. Já passei a metade.
Também não li as duas, por similares razões. São bíblias…
É muita areia…
Aos 20/30s talvez lesse.
Actualmente, releio mais literatura
E temática histórica, ensaios, estudos, biografias, etc
Está muito a tempo de ler qualquer destes, Manuel. Sobretudo a “Guerra e Paz”, que é (creio) história e ensaio também – não apenas romance.
O Guerra e Paz é soberbo E não se precisa de tanto tempo como a opinião que o postal ecoa
O meu problema com a ‘Guerra e Paz’ foi só não ter encontrado ainda uma versão que me parecesse competente e digna de ser lida.
De qualquer modo, antes da ‘Guerra e Paz’, quero ler (finalmente) ‘A Cartuxa de Parma’, que já comecei duas vezes e suspendi a leitura em ambas as ocasiões por volta da página 100. Por motivos que nada têm a ver com o mérito da obra. Acontece apenas que há certos livros que necessitam mesmo de ser lidos de um fòlego só.
Ocorreu-me com ‘O Som e a Fúria’: só à terceira consegui. Quando isso aconteceu, gostei muito. E logo se tornou um dos livros da minha vida.
Outro tramado: “Ulisses”
Li gente de dublin.
Ulisses prometia chatices
“Gente de Dublin”, sim.
Muito bom.
Não gostei de nada do que li de James Joyce. É quase tão chato e desolador como Jorge de Sena.
Discordo totalmente da sua opinião. Quanto a ‘Gente de Dublin’ e a ‘Sinais de Fogo’.
Sugestões de leitura:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/g randes-romances-26-10931584
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3 334148.html
Não li os “Sinais”. Li as “Novas Andanças do Demónio” e de Joyce o “Gente de Dublin” — pareceram-me ambos tristonhos e aburridos qb. Aliás, lembro-me mais da sensação que tive na altura do que daquilo que li.
‘Sinais de Fogo’ vale mesmo a pena ler.
Foi um dos melhores romances portugueses que li nos últimos anos – largos anos, sublinho.
“Anna Karénina” e “O Nome da Rosa”. Estão já no topo da pilha e espero que não resistam a este Verão:)
Boas leituras.
Cá estão na minha lista também. Centenas de páginas, ambos: até agora ainda não cheguei lá.
Esses dois já cá cantam, o primeiro há muitos, muitos anos, o segundo logo a seguir a ver o filme.
⚘
Maria
Também cá estão empilhados na minha lista de prioridades, Maria.
‘O Nome da Rosa’ há imenso tempo, devo confessar.
Divina Comédia, Critica da Razão Pura, Esferas (Peter Sloterdijk), Mein Kampf, O Capital, Viver no Fim dos Tempos, de Žižek, Folhas de Erva, de Whitman, Filosofia de Alcova, de Sade, e acabar o Doutor Fausto, de Mann, e o Fausto, de Goethe…..
Dos portugueses, ler António Lobo Antunes ( mas como já aqui disse, já há alguns anos que perdi o apetite pelos romances), e o Livro do Desassossego…..and so on.
Mein Kampf?!!
O que lhe deu?
Papo tudo….
Condessa de Ségur também?
Sobretudo Condessas…põem-me tenso..tenho de ter cuidado com o que digo, pois a minha mulher anda a ler o que escrevo (já levei um raspanete!!)
. Bjs, CL!!!
Hum… um republicano não devia ser tão sensível a condessas. Tal como um ateu tem o estrito dever de permanecer indiferente a um papo d’anjo ou a um toucinho do céu.
A condessa de Ségur é uma das minhas autoras de referência. Talvez não a leia tanto actualmente, mas foi-me basto importante
E a George Sand?
Essa senhora nunca me foi apresentada.
Muito me contas. Eu, aí, passei ao lado.
Fiquei-me pelo Arsène Lupin.
Hoje em dia já ninguém lê as aventuras do Arsène Lupin.
Calma aí com o andor.
Neste momnto é o meu livro dos pequenos almoços. “As oito badaladas do relógio” publicado pela Editorial Notícias em 1967.
Gosto de ler ao mesmo tempo coisas diferentes.
Por isso vou relendo “O Trigo e o Joio” de um escritor que caiu em desuso ou está fora de moda.
Já nem sei…
Li o Maurice Leblanc quase todo em miúdo, precisamente nessa colecção da defunta Editorial Noticias: Os Dentes do Tigre, A Ilha dos 30 Ataudes, Vitor da Brigada Mundana, etc.
Nessa altura passava uma série francesa na RTP com as aventuras de Arsene Lupin da qual fui espectador assíduo. Uma coisa levou à outra.
O Trigo e o Joio é um excelente romance de Fernando Namora, hoje infelizmente muito esquecido. Deu um interessante filme protagonizado por Igrejas Caeiro e pelo escritor Manuel da Fonseca.
Realmente não percebo o que se passa nos nossos editores. Fernando Namora foi um dos melhores escritores do passado século.
Hoje profundamente esquecido. O mesmo não se passa em Monsanto onde algumas pessoas ainda se lembram bem dele.
Eu sei que tudo na vida é fugaz, mas este escritor não merecia ser esquecido.
Digo eu…
Eu sei lá o que sou… serei sempre o que os outros não queiram ser.
Quem gosta de condessas também gosta de marquesas; assim atrevo-me a sugerir As Ligações Perigosas, do Choderlos de Laclos.
Se preferir a versão mais rápida (digamos assim) tem o filme com a Belle Michelle Toujours Pfeiffer.
⚘
Maria
Eu à Michelle Pfeiffer imagino-a sempre deitada num piano…
E com um vestido vermelho, aposto
Também vi esse, aliás vi quase todos os filmes dela.
⚘
Maria
Esse, para mim, “é” o filme dela.
Constou-me que você, em tempos, gostava de contos ambientados na Transilvânia.
Ahahah
….sim, e O Homem sem Qualidades ( só li o Jovem Törless)
Comigo, nada desse autor. Passei ao largo.
O meu rol de livros desses é interminável. Nunca deixa de crescer.
Alguns exemplos:
Guerra e Paz
D. Quixote
Fahrenheit 451
Retrato de uma senhora
O vermelho e o negro
Comece pelo ‘Fahrenheit’. Em dois ou três dias fica lido.
Pedro, se eu fosse o autor desse livro ficaria ofendido com esse comentário.
Convém ser rápido. Ler antes de incinerar.
Sempre teria o filme do Truffaut…
⚘
Maria
Para mim o filme do Truffaut vale apenas pela Julie Christie. Belle toujours.
Como são tantos, em primeira aproximação eu diria: todos.
Eheheheh. Assim não vale…
Já tive o prazer de ler esses dois que lhe faltam, Pedro. De resto, para mim, Em Busca do Tempo Perdido é um dos livros da minha vida, logo ao lado do D. Quixote. Bem sei que isto é um grande cliché, mas nem por isso é menos verdadeiro.
Dos que me faltam ler, o rol é encimado pelo Fausto de Goethe. Lembro-me, quando recebi o meu primeiro salário, em 2001 (fui recenseador nos Censos), de fazer planos para o comprar. Mas por qualquer razão que nem recordo, adiei a compra. E assim venho fazendo desde então…
Obrigado pelo seu contributo. Mais um incentivo para que eu acabe mesmo por ler o mega-romance do Proust.
Lembrei-me agora: outro livro que ando há anos para ler é “E Tudo o Vento Levou”. A ver se percebo por que motivo foi à época tão popular.
Mas é enorne também, em 2 volumes. Não será para já.
Idem, em relação a “O Tempo e o Vento”, de Erico Veríssimo.
Falta-me sobretudo ler à séria livros que trouxe para a toca e não li integralmente. Já me daria por contente se lesse os que tenho.
Acontece-me amiúde. Compro um livro e, por preguiça ou falta de disposição mental, leio apenas uma parcela dele; às vezes só as primeiras páginas, outras metade, outras as primeiras e as últimas páginas (vício da infância). E não é por serem maus livros ou por deles não gostar.
A Bíblia, a Odisseia e o D. Quixote são três livros, que apesar de bastante folheados e quase lidos, não consigo fechar e afirmar categoricamente que os tenha processado.
De resto, falta-me ler quase tudo, incluindo Shakespeare.
Tenho o Primeiro Tomo da Guerra e Paz (li cerca de 20 páginas há uns anos). Espero ter pela frente mais 20 anos de Feiras do Livro para comprar o Segundo Tomo e finalmente atirar-me a eles. Já perto da reforma.
Isabel
Shakespeare demorei, mas tenho lido.
Hamlet, Rei Lear, Otelo, Macbeth…
Em certos casos li o livro depois de ver o filme (ou a peça, como o Rei Lear protagonizado por Rui de Carvalho).
Assisti a uma peça, em 1990, numa pequena vila perto de Bournemouth.
Não percebi quase nada; o inglês dos actores era cerrado e distraí-me com as pantominas e o cenário improvisado ao ar livre.
Já fui lendo vários excertos, mas nunca uma peça inteira.
Isabel
Eu vi os filmes do Orson Welles, que me introduziram no imaginário shakespeariano.
Filmes extraordinários, infelizmente hoje muito pouco vistos: ‘Macbeth’, ‘Otelo’, ‘Falstaff’.
gostava de ler o «Corão».
excertos, digamos…
Don’t worry, um dia destes vai ser obrigatório.
Ouvi dizer que deve ser lido no idioma original, ou perde a Graça.
também leu Houellebecq, seu malandro.
ou malandra.
ou @.
Dizem que se lê melhor se for de burca…
A quem ainda não leu sugiro A Sultana de Macaçar de Albert Bonneau:
https://www.olx.pt/anuncio/albert-bonnea u-a-sultana-de-macaar-IDCNfVx.html
Bonneau? Não era aquele que tinha uns programas no Kitchen24?
Esse é o Rodolfo dos bolos! Shuccrra.
A mim falta-me ler o “Porque o povo também tem amnésia” de Vitor Constâncio… É uma história interessante que explora o “efeito contágio” da amnésia num país distante onde um apocalipse varreu a justiça e a memória dos cidadãos.
Imperdoável não ter lido essa besta célere.
Leia-o ao som Do Povo Que Cais Descalço:
https://youtu.be/j-isYBLIC_0
Prefiro esta do grande Nino Rota…
https://www.youtube.com/watch?v=HWqKPWO5 T4o
Grande utopia …
Utopia seria algo deste género: “Também tu Azeredo!” dos irmãos Costa e Marcelo.
Teremos que esperar por Março?
Na melhor das hipóteses…
Bom, se é válido enveredarmos por esses épicos, sempre posso fazer a recolha de fragmentos da obra de ficção que vem sendo escrita nas últimas décadas, com a marca d’água do largo do rato.
António Costa, hoje, em entrevista à Rádio Observador, não viu na comunicação da auditoria à gestão dos donativos às vítimas dos incêndios de 2017: «uma única acusação concreta de má utilização dos fundos», apenas «suposições».
José Sócrates, a 13/03/17, à saída do DCIAP : «O Ministério Público não tem evidências, factos ou provas, só uma teoria»
Mário Soares, a 26/11/14, em Évora, sobre a prisão preventiva de Sócrates: «uma campanha que é uma infâmia»; «toda a gente acredita na inocência [de José Sócrates] neste país»; «todo o PS está contra esta bandalheira».
Isabel
Curioso foi ouvir o PMinistro a dizer que o Tribunal de Contas já nos tinha habituado aos relatórios alarmistas (da oposição nem um pio)…..sobre Sócrates & Lda, à Justiça o que é da Justiça
Isso já obriga a alugar um R/C para guardar todas as publicações…
Aposto que o Lavoura já o leu e perdoou-lhe.
Adenda:
Acabar os Cantos de Maldoror
Isso é indolor?
Confesso que desde que as bibliotecas itinerantes da Gulbenkian deixaram de circular, há muitos anos, os meus hábitos de leitura perderam-se. No entanto, sempre que podia, não deixava de passar por uma qualquer livraria, para me fascinar por toda aquele mundo de livros, em montes, vertical
e horizontalmente arrumados. Houve até uma altura que comprei uma série dos Livros do Brasil, que nunca li, e que á posteriori vieram satisfazer as necessidades de meu filho na universidade.
Hoje com quase 66 anos, estou tentando reavivar o gosto pela leitura. Comecei com José Rodrigues dos Santos e estou cada vez mais entranhado no prazer de ler.
Deixe-me dizer-lhe que Guerra e Paz e Nossa Senhora de Paris são dois livros que estão há muito tempo na minha mente.
‘Nossa Senhora de Paris’ também consta das minhas prioridades.
)
(Mas, caramba, tem centenas de páginas…
Ultimamente ( desde abril, quero dizer) tenho-me quedado pelos policiais.
Joël Dicker e Jo Nesbo.
Mata o bichinho assim assim, mas…
Espero conseguir recuperar em grande em Setembro.
Aprendi há muito que as leituras exigem uma certa disciplina. Caso contrário fica quase tudo pelo caminho.
Só um exemplo: há meia dúzia de anos decidi que todos os Verões leria um romance de William Faulkner (era uma das minhas lacunas). E assim tem sido, sem falhar.
Escolhi o Verão porque considero Faulkner um autor estival. Há outros que, pelo contrário, são bem invernosos: neve e chuva e frio. Convém lê-los lá para Dezembro ou Janeiro.
Não faz sentido, por exemplo, ler o ‘Doutor Jivago’ na praia.
Doutor Jivago, ora aqui está um que não li na íntegra: comecei bem e acabei na diagonal…
Mas já vi o filme várias vezes; por isso, sempre que posso, gosto mais de ler o livro primeiro.
⚘
Maria
Eu prefiro o filme. Porque tem a Julie Christie.
É um filme fantástico. O David Lean era um mestre em criar ambientes.
É verdade. O Doutor Jivago é para ler com um chocolate quente e lenços de papel.
Exactamente porque as leituras para serem proveitosas e apreciadas devem ser disciplinadas, este ano, que (pelo menos até Setembro) tem sido e vai ser imparável tem-se pautado pelos policiais, uns melhores do que outros.
É com agrado que verifico que já li muitos dos livros mencionados, até os mais difíceis.
Continuação de boas leituras, Pedro.
Estou consigo; também li o livro e vi o filme (por acaso até foi ao contrário).
No entanto atrevo-me a dizer que compreendi melhor o livro por ter visto anteriormente o filme. Refiro-me, evidentemente, a Guerra e Paz!
A obra de Proust não li. Deveria? Certamente, mas são imensas as “escrituras” que, independente da sua importância, não passaram pelos meus olhos castanhos…
O que não é o caso de Lolita e de O Som e a Fúria que li mais do que uma vez, creio.
O que lemos lemos porque nos é sugerido, porque de algum modo nos é apelativo ou porque quaisquer outros motivos?
Poderia ser um tema de conversa?
Cumprimentos
Pode ser um tema de conversa, sim.
Direi mesmo: é um excelente tema de conversa.
Como, de resto, se percebe nesta caixa de comentários.
O guerra e paz é simplesmente obrigatório e nem é particularmente difícil de ler.
Sei que não é o tema do seu post mas, se acredita que a literatura pode servir também para nos “bater” na cabeça, nos pôr, como se costuma dizer – de pestana aberta para o que pode vir por aí e nos cair de repente na sopa, não perca/m um tipo contemporâneo politicamente incorreto – Michel Houellebecq, e o seu romance – Submissão.
Cumprimentos
Agradeço-lhe a sugestão, mas já li. E, na verdade, é dos tais livros que nos fazem questionar muita coisa sobre o mundo em que vivemos.
Falta-me ler os Mitos Gregos (2 vols) de Robert Graves. Depois posso bater a bota à vontade porque já não há mais nada para ler. Aliás, é só por isso que ainda não os li.
Ahahah…já o li. Mas o que tenho em casa só tem um volume (mil e picas páginas). Li grande parte dos Mitos Gregos montado numa retrete de inox na estação do comboios da Quinta do Conde. Na hora de almoço, sobrava-me tempo e ia para o wc, o sitio mais sossegado daquele inferno.
Daquele Hades, queria eu dizer
Ahahah. Genial
Devo acrescentar que em termos de artes plásticas o inox da sanita liga bem com a Antiguidade.
Curioso como os primeiros mitos são alegorias sobre o incesto e o parricidio….só as notas de rodapé, desse livro, são, em si, um outro livro….recomendo apontar os nomes, logo no inicio, ou um tipo perde-se. No final aquilo já chagava….mas tem lá tudo.
Sim, suponho que seja como nas Metamorfoses (de onde muita coisa foi extraída, imagino)
Hei-de ler Em busca do tempo perdido de Proust.Já tinha lido o primeiro volume que adquiri este ano e vou comprá-los à velocidade de um por ano. Daqui a sete anos está lido:)
Gostei imenso de ler Guerra e paz que tinha lido aos dezassete ou dezoito.. Portanto o meu objectivo é viver mais sete anos e ler Proust:). Tenho uma desistência provisória para o Ulisses de James Joyce
Eu li os 2 primeiros livros quando começaram a sair as versões do Pedro Tamen, depois parei já não recordo se por falta de verba, se de interesse.
Talvez um dia volte a eles e compre os outros cinco, quem sabe.
Lembro-me de ter visto o Jeremy Irons (e como esquecer o Jeremy Irons?) num filme do Volker Schlöndorff acerca desta saga: Un Amour de Swann (não garanto que seja este o título, mas anda lá perto).
⚘
Maria
Foi obra que nunca me interessou. Mas reconheço que é um livro fundamental: não podemos ignorá-lo.
Livros que não li? Um cavalheiro não traz a público tais intimidades. Mas tenho algo a contar: vim a Portugal e encontrei ´oOs trabalhos e paixões de Benito Prada’ (levei-o, não sei se têm mais) na livraria Travessa (?) à rua da Escola Politécnica, bem como a ´Torre de Barbelà (ficaram lá, já o tinha) na mesma livraria e na Bertrand do Chiado.
Já encontrei o livro do Assis Pacheco (último exemplar que tinham disponível na Bertrand, segundo me disseram, após ter encomendado). Li-o em dois ou três dias e gostei muito.
Veio totalmente ao encontro das minhas expectativas.
A propósito, agradeço aos leitores que logo se disponibilizaram para me porem na pista desta obra, que se encontra esgotada e bem merece ser relançada no nosso mercado editorial.
Guerra e Paz. O filme está a anos luz do romance. Hepburn foi um casting perfeito para a personagem de Natasha, mas o resto é insípido. Existe uma serie da BBC do início dos anos 70 (passou na RTP) que se aproximou muito do contexto e ambiente do livro. Li o romance vai para dois anos (Julho no Meco, basta um mês) e a serie veio-me à memória. Falta-me ler “A Bíblia”, sinto-me em dívida porque já li “O Capital”. E tenho uma tara: tento guardar para último os romances mais célebres dos grandes escritores, assim ainda não li o “O Memorial do Convento”, “O Velho e o Mar” e “Os Miseráveis” a título de exemplo. Do Eça restava-me “O Primo Basílio”, mas “degustei-o” no Natal passado, merecia uma boa prenda.
Essa série, que alguns privilegiados têm em DVD, é esplêndida, uma das coisas da minha vida E como Bezukhov estava um então jovem Anthony Hopkins, que veio a ser algo conhecido
Já me falaram muito bem dessa série da BBC, que me passou completamente ao lado.
Esse dois também me faltam, precisamente pelo volume. Lembro-me de há anos ouvir dizer que Proust só se devia ler depois dos trinta, e na altura fiquei descansado. Entretanto, os trinta anos já lá vão e eu sem trava conhecimento com monsieur Marcel…
Mas há vários livros que queria ler, e por razões várias tenho adiado. O “Memórias de Adriano” da Yourcenar, se tudo correr bem, ainda o começo este ano. O “Pelos deserto da Arábias”, do explorador Wilfred Thesiger, também o comprei há anos, mas por qualquer razão ainda não o li. Na fila estão ainda o “Nome de Guerra”, do Almada, “Quando os lobos uivam” de Aquilino, “O caso Carvangel” de Mário de Carvalho, “Confissões de uma máscara” do Mishima, e mais dois da colecção de viagens da Tinta da China (sobre Veneza e a Etiópia). Ah, e “A Primeira Guerra Mundial”, de Martin Gilbert, e o da Segunda, por Churchill, que lhe terá valido o Nobel da Literatura.
De Martin Gilbert recomendo o da 2GG. Soberbo e horripilante.
Um clássico. Tal como a biografia de Hitler, de Ian Kershaw.
Obras imperdíveis.
‘Memórias de Adriano’ é outro dos livros da minha vida: seguramente figura entre os dez melhores romances que li desde sempre.
‘Nome de Guerra’, do Almada, li-o há pouco: é um dos 15 romances portugueses que li nos últimos dois meses. Despachei-o em dois dias. Hei-de falar dessa “empreitada” com mais vagar aqui. Até ao fim do ano tenho pelo menos mais outros 15 para ler.
Lembrei-me agora, a propósito ou a despropósito: ando há muitos anos para ler ‘Os Sete Pilares da Sabedoria’, de T. E. Lawrence. Neste caso só porque ainda não consegui encontrar uma edição recomendável.
“no segundo nem sequer conheço qualquer adaptação filmada. “
Já agora, Pedro, há uma versão filmada do Temps Perdu (ou de parte dele), que me lembro de ter passado na Tv portuguesa, com o John Malcovitch (https://fr.wikipedia.org/wiki/Le_Temps _retrouvé_(film) ).
E encontrei outra, que desconhecia (https://fr.wikipedia.org/wiki/À_la_rec herche_du_temps_perdu_(téléfilm))
Bom, e sobre a Guerra e Paz houve,nos anos 80, uma série televisiva excelente que passou na rtp.
https://m.youtube.com/playlist?list=PL3 H6z037pboFuX2LH2Kv3W8Vs-b9VCJHa
Proust + John Malcovitch… Um castigo nunca vem só.
Obrigado, João Pedro. Desconhecia em absoluto.
De momento, a trilogia do Andrić, Petersburgo, Decameron, A morte de Virgílio, A filha de Agamémnon, Debaixo do vulcão, Orlando furioso, Paraíso perdido, Austerlitz, entre muitos outros além dos referidos pelo Pedro e algumas obras completas como a de Dostoievski e tantos outros.
‘Debaixo do Vulcão’ é um dos livros da minha vida. Um romance fabuloso, fantástico, extraordinário.
Também gostei muito do filme homónimo do John Huston. Estranhamente, tornou-se um filme “invisível”: nunca mais consegui revê-lo.
Grande livro. O filme era fantástico também.
Hei-de voltar em breve ao livro: basta retirá-lo de uma das estantes domésticas. Voltar ao filme (com a belíssima Jacqueline Bisset) parece um pouco mais difícil.
O Vítor está-se a referir ao Austerlitz do W. G. Sebald?
Se for, não deixe de ler também Os Anéis de Saturno: muito, muito bom. Aliás, como tudo o que ele escreveu.
⚘
Maria
1 – Montanha Mágica, Thomas Mann
2 – As origens do Totalitarimo, Hannah Arendt (já arranquei duas vezes, mas o motor gripa sempre)
3 – A Condição Humana, Hannah Arendt
4 – Som e a Fúria, Faulkner (Já começei várias vezes, mas não consigo avançar muito)
5 – Divina Comédia, Dante
E muitos outros que desconheço, como alguns citados aqui.
Aprecio muito a cultura literária que vai neste blog pelo que o sigo com atenção
‘Montanha Mágica’, devo confessar, é um dos livros mais maçadores que já li. Com 300 ou 400 páginas a mais.
Li-o enfim, à terceira ou quarta tentativa, mas deixei arrastar durante duas semanas aquelas 150 páginas finais, à razão de só dez por dia – apenas para cumprir agenda. Que monumental estopada.
‘O Som e a Fúria’ foi livro em que só consegui entrar à terceira, após duas tentativas frustradas. O método que segui foi infalível: reservei várias horas, durante três dias de férias, para “atacar” o livro até que ele me prendesse. E assim foi. Quando me agarrou, aí quase pela metade, foi um deslumbramento. É mesmo uma obra-prima da ficção universal.
Faulkner é um autor muito exigente. Exclusivista, não gosta de ser partilhado com mais ninguém. Nesta semana que agora termina segui o mesmo método com outro livro dele, ‘Sartoris’. E resultou também. Agora já vou embalado, até a travar um pouco para não chegar demasiado depressa ao fim.
Obrigado pela dica quanto ao Faulkner!
Consegui ler “Luz de Agosto” com relativa facilidade pelo que sempre pensei que ia acontecer o mesmo com “Som e Fúria”, mas não é por acaso que o intitulam um dos livros do secúlo XX.
Não é por acaso, pois.
Como disse, aconteceu-me agora o mesmo com ‘Sartoris’. Passadas as primeiras 50 páginas, envolvemo-nos na narrativa, na qualidade da escrita e no imaginário do autor, sempre relacionado com as suas raízes rurais no sul dos EUA. A partir de certa altura, começamos a sentir necessidade que o romance termine só mais lá para diante.
Costumo apontar, de qualquer modo, ‘Santuário’ como o melhor romance de iniciação à obra de Faulkner. Uma aproximação do autor à temática policial, cruzada com folhetim sulista. 823879.html
Gostei tanto que escrevi sobre essa obra aqui:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4
Obrigado pela sugestão. Vou procurar o livro.
Se permite deixo-lhe um dos livros da minha vida:
“O sabor do Poder”, Ladislav Mnacko
Sendo díficil de encontrar nas livrarias encaminho-o para o “Custo Justo”
abor-do-poder-de-ladislav-mnacko–259948 22#
https://www.custojusto.pt/lisboa/livros/o-s
Não conheço, mas até por isso lhe agradeço a sugestão – já com a indicação da melhor forma de lá chegar.
Assim farei, com natural interesse.
Amigo Pedro,
Para já o “Ulisses” de James Joyce. Por três vezes comecei, por três vezes desisiti.
Depois “Os Miseráveis” e ainda “A Divina Comédia” de Dante.
Para já é só o que me lembro.
Mas haverá mais com toda a certeza.
Abraço.
Eu se fosse a ti esquecia o Ulisses: três oportunidades é o máximo que concedo a qualquer livro que possa realmente interessar-me. A vida é curta e felizmente há muito que ler.
Eu agora ando interessado sobretudo em autores portugueses. Fiz uma pausa com ‘Sartoris’, de Faulkner. Mas vão já seguir-se A Torre da Barbela, de Ruben A, e A Casa Grande de Romarigães, do Aquilino.