
André Couto: «Governar não é estar sentado no trono, é lutar a cada hora, a cada dia, nos vários terrenos que nos surgem. E quando o espírito é grande, a batalha faz-se onde cada homem quiser.»
Jorge Assunção: «Acho que Ferreira Leite está na campanha errada. Ela queria mesmo era candidatar-se a líder do Partido Socialista.»
Paulo Gorjão: «João Gonçalves hoje foi à província comer sardinhas. A bloga é que pagou a factura e não houve piropos para ninguém. Até o coração mais empedernido fica incomodado com isto. Pessoalmente espero que as sardinhas sejam uma merda. Assim o João Gonçalves continua a querer adoptar uma cabra selvagem.»
Sérgio de Almeida Correia: «Felizmente que ainda há muitos magistrados compreensivos e trabalhadores que se assumem como titulares de órgãos de soberania e não como meros funcionários sindicalizados que julgam das 9 às 17.»
Teresa Ribeiro: «Para mim foi um choque descobrir que a mulher que contestou a subalternização feminina de forma tão veemente foi, desde o primeiro encontro com Sartre, reduzida ao estatuto de sua escrava. Coseu, cozinhou e lavou roupa para ele e, pior ainda, nada fez para sair da sua sombra em termos de carreira, quando tinha, reconhecidamente, capacidade para o fazer.»

Eu diria a Teresa Ribeiro que se a mulher a que se refere foi Simone de Beauvoir, embora eu desconheça se coseu e passou e etc para Sartre, me parece distinto o trabalho intelectual dos dois. E que ele não a eclipsou. O tempo vai, progressivamente, dar a cada um o seu lugar nas letras e no pensamento.
Esse livro (Os Intelectuais) promete. O episódio descrito é irónico, mas não único.
Há uns bons 20 anos um sociólogo fez um trabalho sobre Margaret Mead e o seu trabalho “Coming Of Age In Samoa”. Começando como admirador de Mead, e em particular duma obra que, a seu tempo (1928) e até hoje, mudou o modo como se encara o papel da sociedade na formação, educação, e punição do indivíduo, esse sociólogo terminou com a conclusão de que a obra seminal de Mead estava profundamente errada, usando uma metodologia questionável. Mead não conhecia a língua, os homens recusaram falar com ela, e, no fundo, “Coming Of Age…” é mais ficção do que outra coisa. Só que, com base nessa obra, mudaram-se mentalidades. O mesmo com Simone de Beauvoir.
Ironicamente, nem eu recordo o nome do sociólogo que desmontou a fraude de Mead, mas não esqueci o nome dela. Quanto às mentalidades, prosseguiram o caminho traçado por Mead, o que merecia um trabalho de investigação só por si.
Peço desculpa pelo atraso no comentário, mas estive de férias e quando estou de férias faço questão de me manter offline.
Claro que este comportamento de Beauvoir não diminuiu a sua obra, que continua uma referência para o movimento feminista. Mas descobri que a ela podia aplicar-se a famosa expressão : “Bem prega Frei Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz”, o que, confesso, me decepcionou.