Bem visto, compadre. Por acaso, o meu espanhol chega bem para o vernáculo do Maradona e o que ele mandou fazer foi “mamar”. Uma palavra igualzinha à nossa e cujo significado e conotações são os mesmíssimos em toda a Ibéria e na América Latina (Brasil incluído).
O que ficou por entender foi a razão da ‘tradução’ do Maradona entre nós. Teria sido para aveludar o original? Ou, pelo contrário, para escandalizar? Fico na minha: não tem grande importância, mas só pode ter sido para variar.
Esta boneca apareceu como uma necessidade de criar uma nova fonte de receitas, já que a respeito de bonecas pouco mais há para inventar, há bonecas para tudo e para todos os gostos. Contudo, penso que o acto de amamentar não necessita de ser inspirado nem incentivado, visto que é uma resposta natural aos estímulos provocados pela gravidez. A natureza tudo previu, se não vejamos os animais. Alguém lhes ensinou que devem amamentar as crias? Mas, ainda assim, não vejo mal algum nesta boneca, sempre é um sinal dos tempos que atravessamos, necessitamos de consumir em grandes doses, criando novos produtos, para a manutenção dos empregos de tantos milhões de seres humanos. Já nada pode ser como antigamente, em que se vivia modestamente, porque então, o mundo iria à falência.
Claro que é um sinal da sociedade de consumo, mas terá que haver limites/critérios sobretudo quando se trate de produtos destinados às crianças e ainda por cima, segundo a notícia, a empresa que lançou essa “aberração”, sim, digo assim a propósito de um “brinquedo” encapotado de pedagógico (promover a amamentação), foi subsidiada por fundos europeus – gostaria de saber quais os critérios que subsistiram à avaliação… As crianças têm sido alvo fácil quando se tem em vista o consumo – o lucro – com produtos alimentares foi um maná, agora julgo haver alguma regulação – não pode valer tudo … A Teresa tem toda a razão – deixem “a criança” ser criança – não lhes faltará tempo para serem esclarecidas quanto aos benefícios do aleitamento materno. (levamos anos a pensar o brinquedo na educação das nossas crianças no sentido de eliminar alguns estereótipos, com mais ou menos exagero, agora caímos de certa maneira no oposto, digo eu)
Milu, estou certa de que sem esforço se podem inventar coisas infinitamente mais interessantes do que esta boneca. Para quê invadir o mundo infantil com situações que estão estritamente ligadas à vida adulta? Deixem as crianças em paz, com o seu mundo de fantasia. A infância passa a correr, não é preciso abreviá-la ainda mais. É curioso. Ao mesmo tempo que as crianças se iniciam, cada vez mais cedo, nos rituais adultos (já podem ir à discoteca e usar saltos altos) observa-se uma crescente infantilização de gente maior de idade. Há aqui qualquer coisa que não bate certo, não acha?
Infelizmente não se consegue editar os comentários. No que escrevi acima leia-se, por favor, uma vírgula a seguir a “É curioso” e não um ponto final, como ficou.
“(…) É curioso, ao mesmo tempo que as crianças se iniciam, cada vez mais cedo, nos rituais adultos (já podem ir à discoteca e usar saltos altos) observa-se uma crescente infantilização de gente maior de idade. Há aqui qualquer coisa que não bate certo, não acha?” Teresa é importantíssimo e de grande lucidez o que diz – eu como mãe, tia e observando à minha volta é exactamente isso que verifico – cada vez mais dependentes dos pais , com menos autonomia.
O que me arrepia, Mike, é imaginar que haverá pedopsiquiatras e pedopsicólogos a concordar com isto, uma vez que o brinquedo até mereceu recomendação da U.E.
As bonecas não fizeram parte da minha especialização como mãe, snif:( Cá por casa, só varões.Houve carros, bolas, sega saturns e cromos de futebol, com um deslize passageiro pelos tamagoshi e furby(que às mãos de rapazes se fartaram de morrer e ressucitar, é de ver que não levariam a tarefa a bom porto:) Mas como fui uma grande consumidora de bonecas e tenho a memória bem fresca (para além de sobrinhas, quer legítimas, quer emprestadas) estou de cabelos em pé. Será a lógica de mercado, concordo. Mas a desculpa é que é esfarrapada:- habituar as meninas à importância da amamentação?! Ridículo. Se a criança se fixar nesse acto, por imitação, fá-lo sem precisar de ‘próteses’… Afinal, é na atitude em si que está a mensagem, ou nas semelhanças anatómicas? Bem, começo a ficar preocupada. Por este andar… não sabemos onde é que a aproximação à vida real encontrará limites, não é?
Reforçando o que diz Chloé, já desde há uns séculos que se sabe que a criança não é um adulto em miniatura. Por outro lado, não distinguir actividade lúdica da vida corrente é não perceber o essencial. Os jogos de simulacro hão-de aparecer na exacta medida da imaginação e necessiadade das crianças e não na medida exacta da ignorância e leviandade de quem fabrica as ditas bonecas. Ou me engano muito, ou estas bonecas não vão pegar de estaca… Podem ser uma moda, mas ha-de ser naturalmente passageira.
Pretendia ter-lhe respondido mais cedo ao comentário que fez sobre o meu, mas não tive oportunidade.
A tal boneca até que é ridícula, contudo, há que ter em atenção que nunca o rídiculo vendeu tanto. Penso que tem razão, quando diz que devia haver mais imaginação para criar brinquedos, com os quais as crianças pudessem verdadeiramente aprender, e que, de alguma forma melhor contribuíssem para um crescimento saudável. Todavia, este é um objectivo muito bonito de dizer, mas difícil de concretizar, se não, não faltariam patentes. Pela mesma ordem de ideias, também acho condenável que os pais actuais inscrevam os pequenotes em todas as actividades de que se lembram, esperando secretamente que com esta atitude, os seus filhos se transformem em super-crianças, não lhes deixando espaço para brincarem, algo de tão imprescindível na infância. Desde cedo incutem nos filhos o espírito da competição, incitando-os a que sejam os melhores. Resultado: Um dia nasce em que a corda rebenta. Daí vermos adultos com atitudes próprias das crianças, pois se o não foram, na idade em que o deviam ter sido!!
Será uma resposta ao apelo do Maradona, que mandou o pessoal ‘chupar’?
Bem visto, compadre. Por acaso, o meu espanhol chega bem para o vernáculo do Maradona e o que ele mandou fazer foi “mamar”. Uma palavra igualzinha à nossa e cujo significado e conotações são os mesmíssimos em toda a Ibéria e na América Latina (Brasil incluído).
O que ficou por entender foi a razão da ‘tradução’ do Maradona entre nós. Teria sido para aveludar o original? Ou, pelo contrário, para escandalizar? Fico na minha: não tem grande importância, mas só pode ter sido para variar.
Nem mais.
Acho que está, sim. Tudo doido.
Esta boneca apareceu como uma necessidade de criar uma nova fonte de receitas, já que a respeito de bonecas pouco mais há para inventar, há bonecas para tudo e para todos os gostos. Contudo, penso que o acto de amamentar não necessita de ser inspirado nem incentivado, visto que é uma resposta natural aos estímulos provocados pela gravidez. A natureza tudo previu, se não vejamos os animais. Alguém lhes ensinou que devem amamentar as crias? Mas, ainda assim, não vejo mal algum nesta boneca, sempre é um sinal dos tempos que atravessamos, necessitamos de consumir em grandes doses, criando novos produtos, para a manutenção dos empregos de tantos milhões de seres humanos. Já nada pode ser como antigamente, em que se vivia modestamente, porque então, o mundo iria à falência.
Claro que é um sinal da sociedade de consumo, mas terá que haver limites/critérios sobretudo quando se trate de produtos destinados às crianças e ainda por cima, segundo a notícia, a empresa que lançou essa “aberração”, sim, digo assim a propósito de um “brinquedo” encapotado de pedagógico (promover a amamentação), foi subsidiada por fundos europeus – gostaria de saber quais os critérios que subsistiram à avaliação…
As crianças têm sido alvo fácil quando se tem em vista o consumo – o lucro – com produtos alimentares foi um maná, agora julgo haver alguma regulação – não pode valer tudo …
A Teresa tem toda a razão – deixem “a criança” ser criança – não lhes faltará tempo para serem esclarecidas quanto aos benefícios do aleitamento materno.
(levamos anos a pensar o brinquedo na educação das nossas crianças no sentido de eliminar alguns estereótipos, com mais ou menos exagero, agora caímos de certa maneira no oposto, digo eu)
Milu, estou certa de que sem esforço se podem inventar coisas infinitamente mais interessantes do que esta boneca. Para quê invadir o mundo infantil com situações que estão estritamente ligadas à vida adulta? Deixem as crianças em paz, com o seu mundo de fantasia. A infância passa a correr, não é preciso abreviá-la ainda mais. É curioso. Ao mesmo tempo que as crianças se iniciam, cada vez mais cedo, nos rituais adultos (já podem ir à discoteca e usar saltos altos) observa-se uma crescente infantilização de gente maior de idade. Há aqui qualquer coisa que não bate certo, não acha?
Infelizmente não se consegue editar os comentários. No que escrevi acima leia-se, por favor, uma vírgula a seguir a “É curioso” e não um ponto final, como ficou.
“(…) É curioso, ao mesmo tempo que as crianças se iniciam, cada vez mais cedo, nos rituais adultos (já podem ir à discoteca e usar saltos altos) observa-se uma crescente infantilização de gente maior de idade. Há aqui qualquer coisa que não bate certo, não acha?”
Teresa é importantíssimo e de grande lucidez o que diz –
eu como mãe, tia e observando à minha volta é exactamente isso que verifico – cada vez mais dependentes dos pais , com menos autonomia.
Há por aí muita criança de vinte anos, Maria. E já agora muito adolescente de quarenta. Mas isso já é outra história 🙂
A Ana V. roubou-me o comentário. Sim, Teresa, está tudo doido.
O que me arrepia, Mike, é imaginar que haverá pedopsiquiatras e pedopsicólogos a concordar com isto, uma vez que o brinquedo até mereceu recomendação da U.E.
Sim, está.
É a vontade de lucro da falta de imaginação e não só…
🙂
Ora aí está, Mdsol, isto é de uma flagrante falta de senso e… imaginação.
As bonecas não fizeram parte da minha especialização como mãe, snif:(
Cá por casa, só varões.Houve carros, bolas, sega saturns e cromos de futebol, com um deslize passageiro pelos tamagoshi e furby(que às mãos de rapazes se fartaram de morrer e ressucitar, é de ver que não levariam a tarefa a bom porto:)
Mas como fui uma grande consumidora de bonecas e tenho a memória bem fresca (para além de sobrinhas, quer legítimas, quer emprestadas) estou de cabelos em pé.
Será a lógica de mercado, concordo.
Mas a desculpa é que é esfarrapada:- habituar as meninas à importância da amamentação?!
Ridículo. Se a criança se fixar nesse acto, por imitação, fá-lo sem precisar de ‘próteses’… Afinal, é na atitude em si que está a mensagem, ou nas semelhanças anatómicas?
Bem, começo a ficar preocupada. Por este andar… não sabemos onde é que a aproximação à vida real encontrará limites, não é?
Lembra bem, Chloé. Desde quando é que as crianças precisam de “próteses” para imitar os adultos?
Reforçando o que diz Chloé, já desde há uns séculos que se sabe que a criança não é um adulto em miniatura. Por outro lado, não distinguir actividade lúdica da vida corrente é não perceber o essencial. Os jogos de simulacro hão-de aparecer na exacta medida da imaginação e necessiadade das crianças e não na medida exacta da ignorância e leviandade de quem fabrica as ditas bonecas. Ou me engano muito, ou estas bonecas não vão pegar de estaca… Podem ser uma moda, mas ha-de ser naturalmente passageira.
Que saudades das minhas “nenas”
:)))
Olá Teresa!
Pretendia ter-lhe respondido mais cedo ao comentário que fez sobre o meu, mas não tive oportunidade.
A tal boneca até que é ridícula, contudo, há que ter em atenção que nunca o rídiculo vendeu tanto.
Penso que tem razão, quando diz que devia haver mais imaginação para criar brinquedos, com os quais as crianças pudessem verdadeiramente aprender, e que, de alguma forma melhor contribuíssem para um crescimento saudável. Todavia, este é um objectivo muito bonito de dizer, mas difícil de concretizar, se não, não faltariam patentes. Pela mesma ordem de ideias, também acho condenável que os pais actuais inscrevam os pequenotes em todas as actividades de que se lembram, esperando secretamente que com esta atitude, os seus filhos se transformem em super-crianças, não lhes deixando espaço para brincarem, algo de tão imprescindível na infância. Desde cedo incutem nos filhos o espírito da competição, incitando-os a que sejam os melhores. Resultado: Um dia nasce em que a corda rebenta. Daí vermos adultos com atitudes próprias das crianças, pois se o não foram, na idade em que o deviam ter sido!!