Os livros que mais nos marcaram


Pedro Correia,

Ia escrever um texto sobre os dez melhores romances portugueses publicados no século XX, mas travei a tempo. Consciente de que não li obras suficientes para elaborar uma lista destas com plena justificação.

O que fiz então, de há dois meses para cá? Comecei a ler vários romances que permaneciam em lista de espera, algures aqui por casa. Todos de autores portugueses do século XX. Três, de rajada: gostei muito de todos, hei-de falar deles aqui. Iniciei ontem a leitura do quarto. Mais seis vão seguir-se.

Enquanto não escrevo o tal texto, que aguarda a conclusão desta mais recente ronda de leituras, abro desde já a caixa de comentários aos visitantes do DELITO que queiram partilhar opiniões sobre o tema. Dizendo, desde logo, quais as obras de ficção portuguesa do século passado que mais vos terão marcado.

0 comentários em “Os livros que mais nos marcaram”

  1. Li recentemente A Casa Grande de Romarigães, de que gostei muito. Não deixe de o considerar para essa sua lista.

  2. Não li, também, muitos livros de autores portugueses para me pôr “a saber falar” deste ou daquele. Há um ano para cá reparei, que a minha pessoa começou a ficar curiosa de ler livros escritos por eles. Não sei o porquê do “apetite”. Talvez fosse por eu achar da indecente pessoa que sou, por até hoje, pesar na balança de ler só de autores estrangeiros? Tinha projetado sim, ir à feira o livro. Tinha escolhido alguns como. Posso cintar: “As três vidas” – João Tordo ou “O pianista do hote” – Rodrigo Guedes de Carvalho. Há um que não me escapará é o livro, “Os maias” – Eça de Queirós. No continente vi que está barato. Hei de estar atenta ao seu blog para saber mais sobre autores só portugueses. Qualquer erro de pontuação, desculpe-me. Boas leituras.

    1. Tem Os Maias a oito mil réis na Feira do Libro de Lisboa. Isto era no “livro do dia”, não sei se ainda estará…

      1. Basta deambular pela Feira do Livro para descobrirmos boas obras literárias (por vezes até obras-primas) a preços irrisórios. Ainda há dois dias trouxe de lá dois romances de um dos meus autores favoritos, Evelyn Waugh, por quatro euros – dois euros cada.

  3. Boa convocatória: assim de rajada, por mera associação de ideias, e sabendo que fizesse a lista daqui a umas horas seria um bocado diferente. Ou seja, sem ordem nem autoridade:
    1) Contos Exemplares, Sophia de Mello Breyner Andresen; 2) Sinais de Fogo, Jorge de Sena; 3) A Torre de Barbela, Ruben A.; 4) A Noite e o Riso, Nuno Bragança; 5) Uma Abelha na Chuva, Carlos Oliveira; 6) O que diz Molero, Dinis Machado; 6) Os Cus de Judas, Lobo Antunes (foi o primeiro dele que li, foi o que mais me marcou) [se nao fosse assim se calhar diria As Naus]; 7) Contos da Montanha, Miguel Torga (idem, idem, aspas, aspas); 8) O trio da Geografia de Rebeldes, Maria Gabriela Llansol (aqui é um bocado ao calhas, porque tudo o que a senhora escreveu é superlativo – mas como também a conheci nestas peças de alfarrabista, que a comecei a ler já quase trintão … fica isto); 9) Walt, de Fernando Assis Pacheco (se calhar porque o li quando saiu, era muito miúdo e nunca reli); 10) O Conquistador, de Almeida Faria; 11) A Selva, Ferreira de Castro (que me encantou – hoje em dia ninguém fala do homem, se calhar com (literária) razão mas marcou-me mesmo);

    Pronto, está um onze titular proposto

    1. “Onze titular” é uma bela designação.
      Vários desses títulos constam da minha lista, necessariamente provisória. Todas as listas o são, afinal.
      Depois virei a confrontá-la com o chamado “Plano Nacional de Leitura”. Só para verificar que obras exemplares tiveram de ser expurgadas deste rol para abrir caminho ao senhor valter hugo mãe.

      1. É uma boa iniciativa, esse de comparar com o Plano Nacional de Leitura – ainda que aceite que este tenha funções pedagógicas que não se restrinjam a um “mérito literário” (a uma “equipa de todos nós” literária). Nunca li Valter Hugo Mãe, um dia terei que ir ver – pois tantos o resmungam que até me parece que irei simpatizar … – mas tu convocaste livros do século XX. E deste novos há dois que gosto muito, Afonso Cruz e Patrícia Portela (esta é familiar, donde podem-me acusar de “amiguismo” que será verdade. Mas gosto muito, independentemente disso). E também convocaste livros que tenham marcado – entendi-o assim, como para além de avaliações de mérito (e os meros leitores têm tanto direito a botarem a sua “meritologia” como os especialistas): por exemplo, nenhum livro de José Cardoso Pires me marcou, ainda que goste muito de alguns dos seus livros. Mas “marcar”, deixar marca, constituir? É outra coisa

        1. Sim, marcar é mesmo para deixar marca – passe o aparente pleonasmo. Não para exibir erudição ou colar rótulos da moda. Aliás, ainda há dois dias, circulando pela Feira do Livro, vi várias obras, à venda por dois patacos, de autores que estiveram na moda noutras épocas, noutras décadas. Um Namora, um Abelaira, um Urbano, etc.

  4. Recordo ‘O Malhadinhas’ que traça um tipo de ‘português’ que ainda conheci em vésperas de ser submergido pelos ‘portugueses e portuguesas’.

  5. Eça de Queirós, Torga e Ferreira de Castro. Os autores portugueses que destaco.
    Talvez incorra numa “blasfémia” contra a erudita literacia, mas Saramago não me diz nada.

    1. Mas que belo trio, Corvo!
      E só por isso, até lhe “perdoo” não gostar do Saramago 🙂
      Mas leu e não gostou, ou nem sequer leu?
      ⚘
      Maria

      1. Olá, Maria; boa noite
        Li o memorial do convento, a jangada de pedra e a viagem do elefante, gostei mas não gosto do estilo. Só isso.
        Mas li muito mais autores portugueses, Camilo, Júlio Dinis, Eugénio de Andrade, Herculano e outros.
        Só falei naqueles três, que depois seriam quatro, para com o sintetismo sobre referências da literatura portuguesa, redimir-me da minha prodigalidade retórica no postal da sublime arte de bem espetar o touro.
        E a senhora que pelo que descreveu sobre as suas leituras, – os meus parabéns, – não leu António Campos Júnior, esse prodigioso narrador do romance histórico; a ala dos namorados, guerreiro e monge, pedras que falam, a filha do polaco e muitos mais?
        Resto de uma excelente noite.

        1. Olá Corvo, bom dia.
          Não conheço esse autor que refere, mas já fui googlar 🙂
          Sabe, apesar de eu ter lido alguma coisa em português, tenho imensas lacunas, uma vez que a maioria das leituras que fiz ao longo da vida foi de autores estrangeiros (digamos 85%).
          Claro que li os chamados clássicos, aqueles que todos dizem que leram (mesmo não tendo lido), mas há uns anos resolvi (re)descobrir a nossa literatura e fiz descobertas muito interessantes, quer entre os antigos, quer entre os mais recentes.
          Mas nunca conseguirei ler tudo o que gostaria de ler…
          Bom fim-de-semana, Corvo.
          ⚘
          Maria

  6. Missão impossível, Pedro, pelo menos para mim. Sou incapaz de indicar dez livros que me marcaram, quanto muito dez autores.
    Aqui vai a lista, pela ordem em que os conheci (se bem me lembro):

    – Ferreira de Castro
    – Eça de Queiroz
    – Miguel Torga
    – Vergílio Ferreira
    – Saramago
    – Agustina

    Poetas (e não só):
    – Camões
    – Pessoa
    – Sophia
    – Eugénio

    Eu sei que faltam aqui muitos (tantos, tantos!),
    mas agora fico por aqui.
    E de cada um destes dez autores poderia indicar os 2 ou 3 livros mais marcantes, nunca apenas um.
    ⚘
    Maria

    1. Por isso é que me cingi aos romances do século XX, Maria. Caso contrário espraiamo-nos em direcções muito diversas e fica quase impossível estabelecer critérios valorativos.
      Não vou comparar prosadores com poetas nem autores de séculos diferentes. Se o fizesse, Camões, Fernão Lopes, Sá de Miranda, Garrett, Camilo e Eça teriam de figurar obrigatoriamente nessa lista.
      No fundo, é uma motivação acrescida para suprir algumas das minhas lacunas enquanto leitor. Como fiz há três anos com os autores galardoados com o Nobel e há dois com os autores de livros adaptados ao cinema (esta originou série aqui no DELITO, aliás ainda em curso).

      1. Tem razão, escapou-me esse pormenor 🙂
        Assim sendo, saem Camões e Eça e entram:

        – Natália Correia
        – Maria Judite de Carvalho

        Agora só falta escolher o melhor de cada um… vai ser difícil escolher apenas um do Saramago e do Ferreira de Castro.
        ⚘
        Maria

        PS: Pedro, nunca mais comparámos os Nobel, tenho que actualizar a minha lista.

        1. Maria, continua decerto a ganhar-me por larga margem. Eu praticamente abandonei essa “prova” e pus-me a ler livros que deram filmes. Assim li umas dezenas – alguns dos quais gostei imenso. Como ‘Passagem Para a Índia’, de E. M. Forster, ‘África Minha’, de Karen Blixen, e ‘o Doente Inglês’, de Michael Ondaatje (prefiro, neste caso, a tradução do título do filme, ‘O Paciente Inglês’, pela sua óbvia ambiguidade semântica, muito mais rica de conotações e em rigorosa correspondência com o conteúdo do romance).

          Agora sinto-me motivado para ler estes romances escritos por autores portugueses de diversas escolas e diversos estilos – todos publicados originalmente no século XX.
          Acabo de iniciar o quarto consecutivo.

          1. Eu também não acrescentei muitos à lista, talvez dois ou três.
            Curiosamente, também comprei a Passagem para a Índia e, ainda do mesmo autor, O Quarto com Vista (por 5 euritos).
            Voltando ao tema do post, suponho que não podemos considerar Contos ou Diários (estou a pensar no Torga e na Sophia), o que me facilita um pouco a escolha.
            Para já, há dois considerados imprescindíveis e que eu nunca li: Sinais de Fogo e Mau Tempo no Canal.
            Também não poderei incluir a Lilias Fraser, da Hélia Correia ou a Ernestina, do J. Rentes de Carvalho por já serem deste século.
            Mas há muitos e bons, assim eu me lembre deles.
            ⚘
            Maria

          2. Lembrei-me agora de outro livro fabuloso, que originou um filme também muito bom: “A Amante do Tenente Francês”, de John Fowles.
            Li-o no ano passado – e logo se tornou um dos melhores de sempre na minha lista.

          3. Pedro, esse é um dos filmes da minha vida: pela história, pelos actores, pela realização, pelas paisagens, porque li o livro logo a seguir (tenho a edição inglesa, nunca encontrei em português) e nem sei quantas vezes já vi o filme.
            E porque estamos a falar da extraordinária Meryl Steep, quando soube que ela estava a filmar ‘A Escolha de Sofia’, comprei e li o ‘Sophie’s Choice’ do William Styron (e chorei a ler o livro). Quando vi o filme sabia ao que ia, mas voltei a comover-me até às lágrimas.
            Foi também com esse livro que descobri a poesia da Emily Dickinson.
            ⚘
            Maria

          4. Lá está: só cheguei a esse livro belíssimo porque tracei o objectivo para esse ano de ler apenas livros que tivessem sido adaptados ao cinema.
            Em boa hora o fiz.

            Para 2019 a meta é ler apenas autores portugueses. Romances, especificamente. Todos do século XX. Para colmatar lacunas ainda existentes. Tenho uma lista de 19, especificamente. Desses, faltam-me cinco. Aproveitarei a Feira do Livro para comprá-los.

          5. E claro que o Pedro não vai divulgar a sua lista, penso eu de que
            Mas eu vou divulgar a minha lista, provisória, pois posso sempre lembrar-me de mais algum…
            1- Memorial do Convento
            2- O Ano da Morte de Ricardo Reis
            3- Ensaio sobre a Cegueira
            4- A Lã e a Neve
            5- Emigrantes
            6- Até ao Fim (Vergílio Ferreira)
            7- Vale Abraão (Agustina)
            8- De Profundis, Valsa Lenta (José Cardoso Pires)
            9- A Varanda do Frangipani (Mia Couto)
            10- O Tecido do Outono (Alçada Baptista)

            Lamento não poder pôr aqui a Sophia, o Pessoa, o Eça, o Torga e muitos outros que tanto admiro, mas que não se enquadram no que o Pedro pede.
            ⚘
            Maria

          6. Vergílio, Saramago, Cardoso Pires e Ferreira de Castro farão parte seguramente da minha lista, Maria. A divulgar antes do fim do ano.

  7. E Afonso Cruz. Era crime não o referir, mas a referência a ele pelo jpt lembrou-me a tempo de evitar a consumação do crime.

    1. Outra vez em sintonia, Corvo.
      Gostei um imenso (esta é da Bea) do último livro que li do Afonso Cruz: O Princípio de Karenina.
      ⚘
      Maria

  8. Conhecerei muito menos do que o Pedro ( e do que o JPT) e, por esse motivo, nem vou arriscar dez mas apenas seis (para não repetir nomes):

    A criação do mundo, de Miguel Torga,
    O conhecimento do inferno, de António Lobo Antunes,
    O banqueiro anarquista, de Fernando Pessoa,
    Sinais de fogo, de Jorge de Sena,
    A confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro,
    Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.

  9. Os esteiros, Soeiro Pereira Gomes;
    O Cavaleiro da Dinamarca; Sophia de Mello Breyner Andresen;
    O livro do desassossego, Fernando Pessoa;
    Contos da montanha, Miguel Torga;
    Para sempre, Virgílio Ferreira;
    Só, António Nobre;
    Os cús de Judas, Ant. Lobo Antunes;
    O erro de Descartes, António Damásio;
    Mau tempo no canal, Vitorino Nemésio;
    A causa das coisas (porque o Como é bela a puta da vida já é do sec. XXI); Miguel Esteves Cardoso.

    Falta a Agustina, o Eugénio de Andrade. Faltam tantos…

    Belo desfio!

    1. É mesmo um desafio, Cristina. Três desses que menciona parecem-me obrigatórios na lista que farei.
      Apenas com romances. Se fôssemos para a poesia teria de incluir a “Clepsidra”, de Pessanha, a “Mensagem”, de Pessoa, o “Livro Sexto”, de Sofia, os “Poemas Ibéricos”, de Torga, “As Mãos e os Frutos”, de Eugénio, “Homem de Palavra(s)”, de Ruy Belo, etc, etc.

  10. Os livros que me marcaram será um exercício talvez mais fácil que os livros que mais gostei ou que considero os melhores, porque marcando ficarão mais facilmente na memória. Ficam assim de forma rápida:

    1. Barranco de Cegos, de Alves Redol
    2. Engrenagem, de Soeiro Pereira Gomes (marcou-me mais que o Esteiros, de que gosto mais).
    3. Contos da Montanha de Miguel Torga
    4. A Criação do Mundo, dias I e II especialmente.
    5. As Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira (falta-nos um mundo de fantasia mágica como este na literatura portuguesa)
    6. Manhã Submersa e Aparição, de Virgílio Ferreira (impossível falar deles separadamente)
    7. Um deus passeando pela brisa da tarde, de Mário de Carvalho

    e basta para já. Poderia ter adicionado outros (como Fogo na Noite Escura, que me marcou muito na geografia mental) mas em alguns casos estico-me demais para isso. Isto não reflecte obras que considero melhores que algumas acima, mas que não ressonaram em mim da mesma forma. A única coisa que acrescentaria na poesia (que não aprecio tanto, é esquisitice minha) seria Máriode Sá Carneiro, que sempre ressoou em mim. Nem sei bem porquê.

    1. Alguns dos livros que mencionas também me marcaram muito. E, sim, marcar parece-me um verbo-chave nestas listas que nos ajudam a arrumar ideias e a estabelecer critérios valorativos para além daquilo que o cânone determina.

  11. Um pouco ao calhas, umas sugestões:
    – O banqueiro anarquista de Fernando Pessoa
    – Levantado do chão de José Saramago
    – Quando os lovos uivam de Aquilino Ribeiro
    – A filha do capitão de José Rodrigues dos Santos

      1. Você pediu aos leitores “obras de ficção” que os tenham marcado. Não pediu obras de arte literária.
        Os livros de José Rodrigues dos Santos são indubitavelmente obras de ficção. Tal como o são romances policiais, livros de ficção científica, ou banda desenhada.

  12. Tendo em conta que me falta tanto por ler na literatura portuguesa…
    Mas não resisto a partilhar alguns livros que de alguma forma gosto de revisitar:
    – António Lobo Antunes: conhecimento do inferno, auto dos danados, manual dos inquisidores (já li muitos livros dele, continuo a saga de os ler todos);
    – José Saramago: ensaio sobre a lucidez, todos os nomes, manual de pintura e caligrafia e as intermitências da morte (salientar que li todos os seus romances);
    – Eça de Queirós: os maias, a cidade e as serras, a relíquia;
    – as viagens da minha terra, Almeida Garret;
    – a queda de um anjo, Camilo castelo branco;
    – Agustina Bessa-Luís: a sibila, a ronda da noite, antes do degelo (estou a tentar ler os seus romances todos, e estou bem encaminhada);
    – os pobres de pedir, Raúl Brandão (não li o húmus);
    – Os nós e os laços de António Alçada Baptista;
    -Aparição do Vergílio Ferreira

    Outras notas: o jardim sem limites da Lídia Jorge merece que faça referência.
    E Valter Hugo-Mãe por acaso já li uns cinco romances.

    Isabel

    1. A sua lista tem vários títulos imprescindíveis, embora Camilo e Garrett sejam autores do século XIX.
      Apetece-me perguntar-lhe que obras escolheria de Saramago e Lobo Antunes se apenas pudesse seleccionar uma de cada.

      1. Boa noite, só agora vi a sua resposta e consequente pergunta.
        Ora bem, só podendo escolher um livro seria:
        – José Saramago, As intermitências da Morte.
        – António Lobo Antunes, Auto dos Danados.
        Sendo difícil a escolha, no caso do António Lobo Antunes, dos três livros que mais me marcaram escolho esse. E até pode mudar, entretanto, pois há livros que ainda não li.

      1. Miguel Esteves Cardoso considerou O Meu Pipi genial. Gerou-se uma febre especulativa em torno do autor do livro. Foram convocados nomes como os de Vasco Graça Moura, Eduardo Prado Coelho, Pedro Mexia, José Pacheco Pereira e António Mega Ferreira, entre outros. Vasco Graça Moura aproveitou a deixa e negou o boato. Fê-lo de forma eloquente, com umas “décimas de refutação” memoráveis. Estas:

        já num blogue o meu pipi?
        de um pipi, que caso estranho…
        eu vou ali e já venho:
        dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

        é forçoso que eu desminta
        com vigor essa atoarda:
        por muito usar a espingarda
        e por gastar muita tinta,
        não se espere que consinta
        na falsidade que li
        e me ofende o pedigree:
        garanto que não fui eu
        o brejeiro que meteu
        já num blogue o meu pipi.

        quer-se o pipi bem guardado
        para uso pessoal:
        nestas coisas afinal
        deve ser-se recatado.
        demais, quem seja versado
        nos tiques do meu engenho,
        das prosódias que eu amanho
        já saberia de cor
        que eu faria bem melhor
        de um pipi… que caso estranho!

        nem da lira tiraria
        maior glória do instrumento
        quando ao pipi acrescento
        a minha morfologia.
        e decerto não cabia
        num blogue assim o tamanho
        do lenho ardendo no lanho.
        pipilar pipis na liça
        muito enguiça e pouco atiça…
        eu vou ali e já venho…

        o que é de césar, quem jogue
        assim a césar o dê
        e se entender o porquê
        deixe então que eu desafogue:
        que não pus pipi no blogue
        nem pus blogue no pipi:
        ri melhor quem no fim ri
        por redondilha ou quiasmo,
        ou por música de orgasmo:
        dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

        https://youtu.be/p1S6oRPv47w

          1. Em termos de qualidade é XXL, com toda a certeza. Quanto a outras avaliações, consta que tamanho não é relevante

  13. São estes os dez, para mim mais marcantes, e julgo que pela ordem cronológica da primeira leitura entretanto repetida de todos.
    A Selva
    Terras do Demo
    O Malhadinhas
    Os Cus de Judas
    Cerro Maior
    Sinais de Fogo
    Levantados do Chão
    Memorial do Convento
    A Caverna
    Para Sempre

    S Salgueiro

  14. Boas

    Há romances de qualidade que chegam e sobram para muitas listas. Gostaria de dar o meu contributo apenas para sublinhar que na literatura (como em quase tudo o resto) e excluindo os autores considerados clássicos, temos uma tendência inata para, não diria esquecer mas desvalorizar o passado. Tudo isto para dizer que há um autor esquecido do início do sec XX – José Rodrigues Miguéis que escreveu um romance delicioso – O milagre segundo Salomé – digno de fazer parte de todas as listas.

    Cumprimentos

  15. Li e leio vergonhosamente pouco, mas aqui fica a sensação provocada por alguns escritores portugueses que me lembro, por ordem cronológica (não só ficção e não só prosa).

    Miguel Torga (começando pelos Novos Contos da Montanha, sobretudo o primeiro susto/medo/espanto lendo o Alma-Grande), Sttau Monteiro (saudade de Guidinha e das suas redações), Bocage (ah, é assim que se vê do lado dos rapazes? está bem, compreendi); Sophia Melo Breyner (arte singela, o belo ocidente e os seus valores); Fernando Pessoa (tudo o que viesse à mão, a consciência do que somos, mas sobretudo Ricardo Reis), Agostinho da Silva (pensando); José Gomes Ferreira (a consciência do que devemos ser perante o mundo), Jorge se Sena (a consciência histórica); Eugenio de Andrade (a descoberta do poema procuro-te), Miguel Esteves Cardoso (ali estamos nós, vistos e ampliados), Agustina-Bessa Luís (ai, agora complicou, se a natureza humana é difícil de escrever quando mais em acção/relação; espantosa mulher, que me faz ter orgulho de ser portuguesa e, não, não é por estarmos na semana em que morreu, Fanny Owen é o romance que mais de marcou), António Lobo Antunes (ui, com a forma trabalhada e arrevesada, que é genial, distrai-nos do essencial e fico sem perceber se percebi, e às vezes se o autor se percebeu a si próprio); Saramago (arte singela, com humor).

    Li mais umas coisas, mas por alguma razão não me marcaram. Ou, então, marcaram e esqueci agora, porque as gavetas da memória das leituras vão-se abrindo quando querem e não quando nós queremos.

    Das leituras do programa escolar (Camões, Garrett, Eça, Camilo etc) não falo enquanto não voltar a ler. É uma obrigação ler por devoção o que foi mal lido por obrigação. Comecei a armazenar na Feira do Livro do ano passado, começando por Camilo, mas ainda comecei.

    Das leituras recentes (últimos 15 anos) não falo, porque ainda é cedo 🙂

    Isabel

      1. Nem me apercebi que escrevi geniais; é verdade, as modas colam-se aos dedos.
        Mas foi essa a sensação que tive quando li o Manual dos Inquisidoes, aqueles planos sobrepostos, o vaivém das personagens, os ires e vires do tempo e do espaço, aquele elaborado todo deixou-me a achar que havia uma mãozinha superior (melhor assim, sem modas) a compôr a narrativa.

        Isabel

        1. Não me referia a si: a minha referência é genérica. Há palavras que se banalizam sem necessidade.
          Devemos preservá-las para ocasiões especiais.

          Admito perfeitamente que considere esse livro genial. Confesso que não conheço mas senti a partir de agora mais curiosidade em conhecê-lo.

  16. Tantos, decerto, e tantos que não li. Quem sou eu para pretender fazer uma lista… Do que aqui vi de Miguel Torga, só posso concordar. E juntar “Vindima”. Tive a felicidade de o ler precisamente à beira Douro (como aliás boa parte da Criação do Mundo) e talvez também por isso “marcou”.

    Costa

        1. E uma novela: O Senhor Ventura.
          Mas os meus favoritos são os Diários, os Contos (todos) e A Criação do Mundo.
          ⚘
          Maria

  17. Saramago – Memorial do Convento. O Ensaio sobre a cegueira
    Miguel Torga – Novos Contos da Montanha
    Fernando Pessoa- O Livro do Desassossego
    Carlos de Oliveira – Uma Abelha na Chuva
    Luis de Sttau Monteiro – Um Homem não Chora
    Sophia – O Nome das Coisas
    …

    Miguel Esteves Cardoso…
    Miguel Sousa Tavares…

    A nova geração não me apaixona, o que não quer dizer que sejam maus.

    1. De Sousa Tavares, enquanto romancista, só li “Equador”. Achei obra interessante, bem engendrada, mas com 200 páginas a mais – e com diversos erros factuais, alguns de palmatória.
      Um romance não tem de ser realista, longe disso, mas convém ter verosimilhança.

        1. Achei “Equador” com 200 páginas a mais. Um livro com óbvio problema de edição.
          Não é caso virgem, longe disso. “A Montanha Mágica” tem para aí 400 páginas a mais. Se ficasse só com 300 não se perdia nada.

          “Escrever é cortar”, ensinava Simenon.

        2. Eu gostei muito de ler O Equador; mais tarde também segui com interesse a série que passou na TVI.
          O Rio das Flores nunca li.
          ⚘
          Maria

          1. A série resumiu muito bem o livro ( espremeu as tais 200 páginas que o Pedro refere) e acho que foi muito bem conseguida. Os actores vestiram bem a pele das personagens. O Nicolau Breyner compôs um Maltez extraordinário.

          2. Todos muito bons, Dulce.
            Mas o meu preferido era, sem dúvida, o Filipe Duarte – porque é um excelente actor… e porque sim
            ⚘
            Maria

  18. se os critérios são “romance”, “português”, “XX”, refiro a novela grande – romance pequeno “A Confissão de Lúcio”.

  19. Vim aqui ver como isto estava (gosto de conversas sobre livros, tanto para apanhar outras coisas como para avivar memórias, é como conversar sobre discos – mas infelizmente, ao vivo, são raras as trocas de opiniões, também um bocado porque há sempre a ideia de que há uma necessária pose nisto: um tipo gosta do que gosta, ponto final parágrafo. E depois há as adendas: “vai ver se gostas disto, que é porreiro”, apenas.)
    Tenho um problema com o Aquilino Ribeiro, não o ter lido como “deve de ser” – já to disse, quando aqui há uns tempos sobre ele escreveste. O meu pai, nos seu 83-85, relia-o e dizia-me, liminar, “o Aquilino é que é”, encolhendo os ombros face ao resto português.
    Em comentário acima falaste do Abelaira: tenho um grande carinho por esse – foi o primeiro cronista que acompanhei, no “O Jornal” – se exceptuarmos a grande cena que era o “Hoje jogo eu”, do “A Bola” daquela ínclita geração do Miranda, Pinhão, Farinha et al. Acho que se chamava “Escrever na Água” a coluna dele – eu era muito puto, teria 15-17 anos, para aí, gostava daquilo. Muitos anos depois li-lhe Bolor, Bosque Harmonioso (e este tem o problema do título “rivalizar” em título com o Bosque Proibido, que é uma verdadeira obra-prima do Mircea Eliade), e algumas outras coisas. Vale bem lê-lo.
    O Saramago tem coisas muito boas – eu estou a reler o Memorial do Convento, que lera quando saiu (eu teria 20, 21 anos), por razões familiares – a minha filha leu-o agora no seu 12º ano, e falámos sobre isso. E percebi que esquecera o livro – e confirmei-o na releitura. Muitas pessoas não gostam de Saramago por razões alheias à literatura – mas este livro é fabuloso, é uma prosa espantosa. Francamente não consigo perceber como se pode desmerecer aquilo. Pode-se não gostar mas desmerecer (tipo o jovem bloguista liberal “Não li e não gosto”)? Francamente … Eu larguei vários livros dele, de outros não gostei mesmo. Mas este é um monumento, bem mais precioso do que o raio do Calhau. O tal do convento.
    O Os Bilhetes de Colares de A. B. Kotter, de Cutileiro é extraordinário – a não ser que guardemos o privilégio para “romance”. Mas, e face ao que um comentador deixou, não me parece “legítimo” desvalorizar crónicas ou contos quando se fala de narrativa em prosa (o que costumamos falar como “ficção”) – e muito menos Sophia no “Contos Exemplares”: a melhor prosa do século, uma tirada maximalista que vale o que vale ….
    E como disse uma comentadora o Esteves Cardoso foi grande nisso das crónicas (eu votaria no Escrítica Pop – não é “ficção” mas é ficção).
    Há boa (e talvez muita) gente que fala do Luiz Pacheco – mas, honestamente, a visibilidade dele só mostra o algum “atraso” (conservadorismo) do rincão. Há quem lhe coloque génio, mas raios partam o “génio”, que talento e olho são outra coisa.
    Tu gostas muito do Mário de Carvalho – eu não tanto. Mas na mesma geração há um livro muito interessante, e pujante, “O Meu Mundo não é Deste Reino” do João de Melo. Gostei imenso quando li – o tempo voa, foi para aí há um quarto de século.
    E ainda na prosa (já estou a votar nos 23 para a fase final) lembro o “O Barão”, conto/novela de Branquinho da Fonseca . Os livros dele estavam lá em casa mas só o li depois do Pêra ter feito o filme – para mim é o melhor filme português de sempre, e nem aceito discutir sobre isso -, e até o li em pdf “gamado” na internet. É um grande prosador, um belíssimo livro.

    1. Jpt, não leio muita ficção, e não por pedantismo. Já li, mas noutra fase da minha vida. E sobretudo estrangeira. Se pudesse entrar, com esta, diria:

      1) A Montanha Mágica, de Thomas Mann.
      2) Um Homem Liquidado, de Giovanni Papini.(tudo deste escritor)
      3) O Lobo das Estepes, de Herman Hesse (tudo deste escritor)
      4)Leopardi, Pequenos Contos Morais
      5) Senhor dos Anéis, de Tolkien
      6) Werther, de Goethe
      7) Justine , do Marquês de Sade
      8) Drácula, de Bram Stocker
      9) Gente Independente, de Halldór Laxness
      10) Os Maias, de Eça
      11) Viagem ao fim da noite, de Céline
      12) Irmãos Karamazov, de Dostoiévski
      (tudo deste escritor)
      13) Assim Falava Zaratustra, de Nietzsche (tudo deste autor).
      14) O Leopardo, de Lampedusa.
      15) 2666, de Roberto Bolano….

      E vou ficar por aqui

        1. Nietzsche, ficcionista?

          Mas é claro que sim. Nietzsche é muito mais um poeta, do que um filósofo. Aliás um dos meus livros de cabeceira é Ditirambos a Diónísios ( estremeço perante Entre Aves de Rapina). A sua prosa é poética….mas não ligava tanto ao estilo, quando fiz esta lista, mas mais aos livros da minha vida ( faltam outros, claro)

          https://youtu.be/OXFXh9NcnIE

          Agora vou andar 50 km, rumo a Santiago….

    2. Estes diálogos em torno de livros (ou filmes ou músicas ou séries de televisão) têm, desde logo, o condão de nos abrir pistas para obras que não conhecemos e para as quais esta talvez seja a forma de nos despertar a atenção para elas. Comigo, pelo menos, funciona.
      Já vi aqui mencionados, por mais de um leitor, romances que estavam com um ponto de interrogação na minha lista. Risquei entretanto esse sinal ortográfico: hei-de lê-los assim que puder (decidi que 2019 seria para mim, enquanto leitor, o ano da literatura portuguesa).

      Sobre Sophia, não posso estar mais de acordo contigo. Não hesito em classificar “Contos Exemplares” como um dos livros da minha vida. Ainda há dias reli um conto desse livro, intitulado “A Praia”: que luxo de prosa, de tema, de atmosfera, de um tempo irrepetível que fica cristalizado naquelas páginas como testemunho para gerações futuras.
      Já escrevi no DELITO, aliás, sobre outro conto deste livro: “A Viagem”. O meu preferido.
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/2618640.html

      Concordo: Branquinho da Fonseca é um notável escritor, infelizmente bastante esquecido. Incluiria sempre “O Barão” entre os melhores 30 livros de romance e novela da literatura portuguesa do século XX, mesmo sem ter visto ainda o filme do Pêra, que verei assim que me surgir à frente.
      Curiosamente, li “O Barão” ainda adolescente e bastantes anos depois, ao ler “O Túnel”, de Ernesto Sábato, fiquei com a nítida impressão de que terá havido por ali algum arremedo de plágio – ou, pelo menos, uma influência muito forte. “O Barão” é de 1942, “O Túnel” de 1948. Um dia hei-de aprofundar esta questão com os dois livros abertos, lado a lado.

      Branquinho é também um notável contista: recomendo vivamente um livro de contos dele intitulado “Rio Turvo”. Quase todos muito bons, a começar pelo que dá título à obra.
      Um conto extenso que daria um filme. E se calhar qualquer dia dá mesmo.

      1. Tenho aqui o dvd do Pêra: vou ver. Fiquei curioso, li o do Sabato há poucos anos e gostei muito. Já está na lista para a minha próxima ida a Portugal. Hoje já ganhei qualquer coisinha.

  20. Aqui vai, escrito no telemóvel e por isso ao calhas :
    -a cidade e as serras, de Eça, já editado no século XX e o primeiro que li dele;
    – fantasia para dois coronéis e uma piscina, de Mário de carvalho.
    – nome de guerra, de Almada Negreiros
    -boa noite senhor Soares, de Mário Cláudio.
    -aparição, de Vergílio Ferreira.
    – a floresta, de Sophia, um romance infantil, como se trata do primeiro que li, tinha de o incluir.

  21. Fui pouco marcado por autores portugueses (infelizmente para mim …) Assim de repente alguns ..

    O Livro do dessassossego – Bernardo Soares
    Poesia – Álvaro de Campos
    Os passos em volta, Photomaton & Vox – Herberto Helder
    Nome de guerra – Almada Negreiros
    Os conceitos fundamentais da matemática – Bento de Jesus Caraça
    Memorial do convento, Ano da morte de Ricardo Reis, Manual de pintura e caligrafia – José Saramago
    O Malhadinhas, Volfrâmio, Andam faunos pelos bosques – Aquilino Ribeiro
    Manual de prestidigitação, Pena capital – Mário Cesariny

    1. ‘O Livro do Desassossego’ é um marco absoluto da literatura portuguesa. Livro inclassificável, espécie de diário de um heterónimo – algo que só podia sair da personalidade multifacetada de Pessoa.
      Em estrito rigor, não pode intitular-se um romance. Mas direi que é um livro de presença obrigatória em qualquer biblioteca particular portuguesa onde prevaleça um mínimo de exigência e bom gosto.

  22. Não poderei apodar a leitura de Dennis McShade como marcante, ainda assim gostaria de o destacar. E, já que estou com o pé quente, aquele do Molero também.

    1. Dinis Machado é, na prática, autor de uma obra só. ‘O Que Diz Molero’ marcou muito a literatura portuguesa antes da década de 80. Mas teve um notável precursor, na mesma linha: ‘A Noite e o Riso’, de Nuno Bragança.

  23. Apesar de ler muito e de comprar muitos livros, não leio literatura portuguesa com frequência. Mas tenho aproveitado as últimas Feiras do Livro para ir comprando alguns volumes para ler mais tarde, como um esquilo a guardar nozes para o Inverno (no ano passado trouxe Jorge de Sena, neste ano fui para a poesia e voltei de lá com Sophia). Interessam-me sobretudo os “clássicos”, talvez por nunca os ter ouvido falar; vários autores das “novas gerações” desinteressaram-me mal os li ou ouvi em entrevista.

    Mas houve dois livros de autores portugueses que me marcaram muito, em momentos diferentes da vida, e que posso mencionar:

    “Ulisses”, de Maria Alberta Menéres. Nunca ninguém menciona a literatura infantil nestas coisas, mas se o interesse para a leitura não desperta nesses anos, dificilmente aparecerá mais tarde. A “selecta”, o livro de textos de apoio ao manual de Português do meu sexto ano na Telescola (ainda sou desse tempo!), tinha texto integral do “Ulisses”, e perdi a conta às vezes que o li e reli, encantado pela forma como a Maria Alberta Menéres conta a história da Odisseia. O meu interesse original por mitologias, e mais tarde pela literatura fantástica, deverá qualquer coisa a este livro.

    “Aparição”, de Vergílio Ferreira. Talvez não seja o melhor livro do autor, mas quando o li no Secundário (também ainda sou desse tempo) foi uma pedrada no charco. A prosa de Ferreira é absolutamente extraordinária;volta e meia abro o livro ao acaso e delicio-me com uma ou duas frases. A seu tempo, ainda lerei a obra completa.

    1. Faço minhas as tuas palavras finais, João:
      Vergílio Ferreira é um prosador notável. Um dos meus preferidos desde sempre. “Aparição” está lá no alto: constará sempre da minha lista dos dez melhores romances do século XX.
      Também gosto muito de ‘Cântico Final’, ‘Alegria Breve’, ‘Para Sempre’ e ‘Até ao Fim’. Além dos contos. Vergílio era um extraordinário contista.

  24. Infelizmente não tenho hábitos assíduos de leitura.
    Recordo com prazer o último livro que li,Equador, escrita ligeira de MIguel Sousa Tavares.
    Gostei muito.

    1. Um livro que li com agrado. Mas que fui lendo com a nítida sensação – confirmada no final – de ter 200 páginas em excesso.
      De qualquer modo, é já do século XXI.

  25. As intermitências da morte, de José Saramago, pela criatividade. Caminho como uma casa em chamas, António Lobo Antunes, pela irreverência. Estrela Polar, de Virgílio Ferreira, pela sobranceria. A casa grande de Romarigães, Aquilino Ribeiro, pela riqueza lexical e para minha frustração de nada saber. O meu patriotismo literário fica por esta pequena lista, apesar do querer nomear todos os títulos de José Saramago e quase todos do António Lobo Antunes, também por estar limitado ao século XX. A pertinência da lista leva-me a querer corrigir este vazio que é a literatura do século passado.

    1. A sua lista já é notável atendendo aos padrões médios de leitura em Portugal. Acabo de saber que 43% dos portugueses declara não ter lido um só livro nos últimos seis meses.
      “Por falta de tempo”, alegam.

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