EUROPA A SEIS
A SIC (em tempo parcial) e a SIC Notícias (na íntegra) transmitiram ontem um debate entre seis dos cabeças-de-lista ao Parlamento Europeu. Em representação do PS (Pedro Marques), PSD (Paulo Rangel), CDU (João Ferreira), CDS (Nuno Melo), BE (Marisa Matias) e PDR (António Marinho e Pinto). Lamento que duas novas forças políticas que também apresentam candidaturas, a Aliança e a Iniciativa Liberal, tenham ficado excluídas desta emissão, conduzida pelo jornalista Bento Rodrigues, que me fez lembrar certos árbitros em estádios de futebol: foi demasiado interventivo, interrompendo quase sempre as frases. Só lhe faltou mostrar cartões amarelos e vermelhos.
Fica o registo sumário da prestação dos seis. Um por um.
ANTÓNIO MARINHO E PINTO (PDR)
O melhor. Revelou, sem papas na língua, que o BE e o PCP «votam sistematicamente com a extrema-direita» no Parlamento Europeu.
O pior. Incapaz de explicar o que é o enigmático PDR, segundo partido de aluguer que escolhe para concorrer ao Parlamento Europeu.
Palavra-chave. Democracia.
Frase. «Um parlamento que reúne três vezes por mês em sessão plenária não é um verdadeiro parlamento.»
JOÃO FERREIRA (CDU)
O melhor. Falou na primeira pessoa do singular, sem se refugiar no pronome “nós” a que os comunistas sempre recorrem como bengala verbal.
O pior. Só mesmo no fim mostrou ser capaz de sorrir.
Palavra-chave. Esquerda.
Frase. «Somos um país injusto.»
MARISA MATIAS (BE)
O melhor. Foi a mais sorridente e espontânea, em perfeito contraste com a rigidez de outros candidatos.
O pior. Equidistância entre a ditadura e a democracia na Venezuela: «Não estamos nem com Maduro nem com Guaidó.»
Palavra-chave. Humor.
Frase. «Mais de 30% do PIB europeu foi entregue ao sector financeiro.»
NUNO MELO (CDS)
O melhor. Exprimiu vontade de ver um segundo referendo no Reino Unido que possa reverter o Brexit.
O pior. Mostrou foto do candidato do PS com José Sócrates. Não havia necessidade.
Palavra-chave. Sócrates.
Frase. «A única escolha possível para a direita em Portugal é o CDS.»
PAULO RANGEL (PSD)
O melhor. Irritou Pedro Marques ao apontá-lo como o rosto dos cortes de 7% dos fundos europeus que Portugal pode vir a perder no próximo quadro de apoio.
O pior. Em pouco se distingue do discurso de Nuno Melo.
Palavra-chave. Fundos.
Frase. «Está perfeitamente ao nosso alcance ganhar as eleições.»
PEDRO MARQUES (PS)
O melhor. Fez um apelo especial ao voto dos jovens, que há cinco anos se abstiveram em massa (80%).
O pior. Falta de traquejo em debates. Fala como se ainda estivesse no Conselho de Ministros.
Palavra-chave. Pessoas.
Frase. «Vamos ganhar de forma clara porque se criaram 300 mil empregos em Portugal nos últimos três anos.»


Excelente post. Parece-me um bom resumo (de um debate que não vi).
Incapaz de explicar o que é o enigmático PDR
É ele, Marinho Pinto. E já não é pouco, diga-se.
Lamento que duas novas forças políticas que também apresentam candidaturas, a Aliança e a Iniciativa Liberal, tenham ficado excluídas desta emissão
Eu também lamento, mas tem que se impôr um critério restritivo qualquer, e o critério utilizado – forças políticas que já estão no PE – deve ser utilizado de forma consistente, sem se abrir exceções.
Se não derem voz a novos partidos nunca mais se renova o panorama político. A SIC é privada, faça como quiser, mas a RTP devia fazer o serviço público e colocá-los todos a debater.
Discordo profundamente deste critério editorial da SIC. Se nas televisões vigorasse o princípio que a SIC aplica na política, os portugueses continuariam a ver só a RTP. As privadas apareceram muito depois e tiveram ampla divulgação, destronando o monopólio público na década de 90, de tão boa memória.
Até por este historial a SIC devia ser mais receptiva à possibilidade de renovação do espectro partidário, em vez de apostar sempre nos mesmos nomes e nas mesmas siglas. Que a RTP o faça, não me admira. Que um canal privado levante estas barreiras, surpreende-me muito mais.
Adorei ver o Nuno Melo a mostrar algumas das fotos do álbum de famiglia. De maneira nenhuma posso considerar que tenha sido o seu “pior”. Aliás, acho que não teve “piores”.
Vou (tentar) ver amanhã à noite.
Apanhei umas frases de rescaldo.
Pedro Marques é um propagandista. Nem Ministro foi. Ao lado dele o Costa é um tipo sério e honesto. Convém saber se esta chamada para o PE é um prémio ou uma saída airosa.
Uma boa questão. Que não tardará muito a encontrar resposta.
Faltou também o Livre.
Esse já não é novidade. Concorreu há cinco anos e teve um resultado muito fraco, não conseguindo eleger nenhum representante.