DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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André Couto: «Não preciso de visitar um centro de emprego porque sei o que lá se passa. Se há coisa de que me orgulho nas disputas políticas é a de ter uma espinha dorsal ideológica ligada às preocupações sociais.»

 

Jorge Assunção: «Em Portugal, dada a legislação laboral pouco flexível, o desemprego é um problema muito maior do que noutros países. A empresa, sabendo da dificuldade que a legislação coloca ao despedimento, pensa duas vezes antes de contratar alguém.»

 

Eu: «O produto interno bruto cai 3,5%, o desemprego sobe aos 8,5% e sobretudo o País aumenta a distância que o separa da média europeia em rendimento per capita. Em 1999, no auge da governação Guterres, estávamos a quase 80% dessa média; hoje estamos a 75%.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «A nossa terra é também aquela que nos acolhe, como me acolheu o Porto adolescente e depois Coimbra e depois o Porto e depois a Póvoa de Varzim e depois Gaia, como se eu fosse um cigano-oriundo-do-Marco-com-um-pé-no-Marco, porque um gajo como eu não se esquece de onde é. E não se deslumbra, é como é – assim.»

0 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. “A empresa, sabendo da dificuldade que a legislação coloca ao despedimento, pensa duas vezes antes de contratar alguém.”

    Eu também, como diz, André Couto, não preciso “visitar” o código laboral para saber como é fácil despedir e como é flexivel a legislação laboral. Porque já trabalhei por conta de outrem, inclusive fora da minha área profissional e conheço muitas pessoas que me vão contando as histórias de vida. Dou exemplos: Alegadamente a FNAC fazia contratos mensais de forma sistemática sendo que estes só são previstos pela Lei em situações excepcionais, onde se espera uma maior afluência de público. Alegadamente a SONAE faz contratos a termo. Ao fim do terceiro manda para casa o trabalhador indo depois buscá-lo novamente num ciclo sem fim. Ou seja o trabalhador nunca entra no “quadro” mantendo-se domado devido à ameaça constante da precariedade. Conheço uma senhora cuja empresa a fechou dentro de uma sala com uma lista telefónica, tendo esta de escrever num caderno todas as empresas começadas com a letra D, por exemplo…..outras que no contrato têm um horário de trabalho e fazem quase o dobro, sem ganharem mais….para as empresas a “rigidez” da legislação não é um impecilho pois não existe em Portugal uma verdadeira Inspecção às Condições do Trabalho ( aliás em Portugal tirando as Finanças ninguém fiscaluza quase nada)

    PS: No Estado é outra vergonha com os Professores mais a sua colocação / precariedade.

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