Pago jornal, levo propaganda


Pedro Correia,

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Compro um exemplar do jornal espanhol El País, que com a actual directora regressou aos tempos de colagem despudorada ao Partido Socialista, e salta-me lá de dentro um panfleto eleitoral com esta carantonha que parece de um foragido de Alcatraz.

Pego na coisa com a repugnância de quem se sente servido por gato a preço de lebre e questiono-me se é isto que querem aqueles que em Portugal reivindicam a todo o tempo que a imprensa “assuma” preferências partidárias. Lamento contrariá-los, mas prefiro o modelo português. Detesto que na compra de um jornal me ofereçam propaganda partidária em jeito de brinde. E só abriria uma excepção a esta inabalável regra se no panfleto eleitoral do PSOE me surgisse a inspiradora imagem que se segue.

 

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0 comentários em “Pago jornal, levo propaganda”

    1. Bom, bom, é agora, quando compramos um exemplar do ‘El País’ e nos surge lá dentro um panfleto eleitoral do PSOE a três dias das legislativas.
      Um admirável exemplo de isenção.

        1. Os jornais não deveriam permitir publicidade partidária, pois a comunicação social serve, como o Parlamento, para a fiscalização fo Poder Politico(4’Poder)

  1. Estou em “modo chato”

    Aportando todavía más pruebas de su patético y verdaderamente vergonzoso descenso de gran periódico liberal a diario corporativo sin vergüenza, dominado por un discurso atlantista sin base, El País ha sugerido recientemente que detrás del impulso por el referéndum independentista en Cataluña podría encontrarse la diabólica mano de Putin”, escribe Harrington (Professor Catedático de Estudos Hispânicos da Universidade Trinity de Hartford, Connectitut)

    Manipulação de fatos, ausência de pluralidade, registros de censura e mal planejamento da produção jornalística na TV pública da Espanha. Esta é a síntese documento que detalha 23 exemplos que marca a cobertura tendenciosa do conflito independentista na região da Catalunha.

    A análise, divulgada na última semana de outubro, foi elaborada pelo Conselho de Informativos da Corporação de Rádio e Televisão Espanhola – RTVE, tomando por base o mês em que ocorreu um plebiscito (01/10/2017) que contou com cerca de 2,3 milhões de pessoas — 90% dos quais favoráveis ao independentismo — e foi praticamente ignorado pela reportagem e programas da emissora pública. O documento alerta para a gravidade da “renúncia da TV Espanhola em ser o referente informativo de uma jornada histórica, em um momento crítico e de inquestionável interesse jornalísticos”, destaca.

    http://observatoriodaimprensa.com.br/conjuntura-mundial/manipulacao-da-tv-publica-espanhola-na-cobertura-sobre-catalunha/

  2. A colagem da imprensa portuguesa aos partidos é apenas mais dissimulada, e não sei se é um sistema melhor. De qualquer forma, a imprensa assim deixa de ser o quarto poder.

    1. Nunca me aconteceu, comprar um jornal português e sair-me um folheto de propaganda eleitoral.
      Sei que faz parte dos costume pátrios o ritual da autoflagelação. Mas, caramba, devemos sentir alguma superioridade nisto.

      1. Pedro, lembra-se das primeiras páginas do Expresso, há uns meses atrás, como tão bem destacou? (“A colagem da imprensa portuguesa aos partidos é apenas mais dissimulada”)

        Pedro, tendo/sendo jornalista até que ponto a isenção de um órgão de comunicação social/ jornalista pode ser prejudicial, nomeadamente no acesso às fontes governamentais, ou no acesso a anunciantes/ investidores?

        Dan Rather (CBS): ‘If we journalists had done our job, perhaps we would not have gone to war.’

        https://youtu.be/S0W699C7nfw

        1. Lembro-me das primeiras páginas todas. Mas, lamento contrariá-lo, nunca vi nada disto na imprensa portuguesa.
          Seguramente haverá neste preciso instante muitos profissionais do ‘El País’ a corar de vergonha.

      2. Há muito tempo que não me acontece comprar um jornal português. A última publicação em papel a entrar cá em casa era sobre cinema. Vou sabendo as notícias online, pela rádio, por jornais que alguns colegas compram, e pelo DO. E talvez tenha culpas pelo estado da imprensa, quando os jornais vendiam e davam lucro podiam dar-se ao luxo de serem independentes. Pessoalmente acho que me desinteressei quando me começaram a vender mais opiniões que factos. O velho “quem, como, quando, onde e porquê” foi sendo substituído pelo “acho que”. Isso faço eu em casa, “achar que”, não preciso que me sirvam os factos já cozinhados.

        1. Meu caro, o “acho que” – ou seja, o achismo – transformou-se numa praga nacional.
          E o problema não é só nos jornais: é também na rádio e sobretudo na TV. Os palpiteiros estão a roubar cada vez mais lugar aos jornalistas. Comentadores dão “notícias” em primeira mão, na política e no futebol, conforme lhes dá jeito. Com os jornalistas cada vez mais longe dos holofotes.
          E a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas, tão zelosa dos seus pergaminhos, assobiando para o ar, fingindo não ver nada disto.

      3. Nunca me aconteceu, comprar um jornal português e sair-me um folheto de propaganda eleitoral.

        Mas saem-lhe com frequência folhetos de propaganda comercial.

        Se saem comerciais, por que não hão de sair eleitorais?

        Em Portugal não saem porque é proibido por lei. Somente isso.

  3. El Falconetti, El Okupa, El del colchón, El doctor cum fraude, etc.

    A praga “democrática” da Europa do Sul…

    JSP

    1. Fujo a sete pés da propaganda eleitoral portuguesa e tenho de levar com a propaganda eleitoral espanhola quando compro um jornal que se presume “isento”?
      Vade retro…

    1. Quando ouvir a expressão “diário de referência” aplicada a este periódico, levarão com este texto.
      Fiz bem em apanhar o folheto, que caiu ao chão vindo lá das entranhas do jornal.

      1. Bem, aqui entre nós, que ninguém nos lê, eu referia-me mesmo à tua preferência pela senhora (“nuestra hermana”) abaixo. Um folheto com ela não me ofenderia …, razões estéticas, pronto.

  4. ” E só abriria uma excepção a esta inabalável regra se no panfleto eleitoral do PSOE me surgisse a inspiradora imagem que se segue.” Apoiado, neste borrachinho eu votava sem hesitações.

      1. “Cuidado, camarada, com a linguagem “falocêntrica”.”
        Não tenho quaisquer complexos, tenho mesmo falo. E não hesito em me comportar de acordo com os instrumentos com que a natureza me dotou. Nós, os portadores de falo, não temos que nos auto flagelar.

  5. Caríssimo, creio que lhe falhou a “Lola Trifálica”.
    Ao lado desse pássaro bisnau, a Adriana torna-se uma pessoa estimável…

    JSP

  6. E eu que moro em S. Jorge de Arroios levo com propaganda da gaja gorda a dizer que o PS é que está a fazer os “passes” baratos.

        1. O que é que isso tem a ver com o caso que trago aqui?
          Está a comparar o título de uma notícia num jornal digital com um folheto de propaganda eleitoral – palpável, concreto, material – a dizer “vota no partido PSOE”, a três dias da eleição em Espanha.

          1. Lamento se não percebeu o ponto. Termino: com propaganda “palpável” ou “concreta” sabemos o que compramos e sabemos como nos defender, e que com propaganda “dissimulada” somos mais facilmente “enganados”.

          2. Com o exemplo que aqui trouxe fica difícil sustentar a sua tese. Parece-me um bocado comparar batatas com limões.
            Eu, de um jornal, não espero – nem quero, nem aceito – propaganda partidária. Nem propaganda eleitoral. E muito menos folhetos a recomendar o voto num partido político a três dias de um importante acto eleitoral.

  7. Eu também não gosto de panfletos, mas fiquei aflito com uma questão angustiante: será ‘The Economist’ uma revista de referência?…

      1. A sério, o Louçã cita a Economist?… O que está em cima é como o que está em baixo; o que está dentro está fora. Fiquei com a cabeça em água!…

  8. Oh, antes em Espanha, nós por cá só temos um jornal. Aliás temos na verdade um orgão de comunicação social único.

    Mas tem muitos nomes: Expresso, Publico, DN, RTP, SIC, TVI …. só que dizem todos o mesmo, pois pensam todos da mesma maneira sobre tudo.

    Depois escrevem muito sobre diversidade e xenofobia…

    lucklucky

  9. Eu não concordo.
    Acho que deveria ser livre, em Portugal como em Espanha, os partidos comprarem publicidade em jornais, se não mesmo também nas rádios e televisões.
    Trata-se de uma forma eficiente de os partidos transmitirem mensagens. Ao contrário das festas da carne assada, que não transmitem mensagem nenhuma e apenas servem para os já convencidos.

    1. Acho que deveria ser livre, em Portugal como em Espanha, os partidos comprarem os jornais, se não mesmo também as rádios e televisões.

      Pedro Vorph

  10. Adriana Lastra,actual porta-voz do PSOE nas Cortes Espanholas.
    Presumo que a pergunta não seja retórica, caro Luís Lavoura…mas surpreende-me, vindo de alguém com o seu grau de informação.

    JSP

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