Blogue da semana.


Luís Menezes Leitão,

Esta semana o meu destaque vai para A origem das espécies do Francisco José Viegas. Aplaudo as suas tomadas de posição, como excelente editor de livros, contra o mundo em que actualmente vivemos. Um mundo em que os livros de contos infantis, que fizeram parte do nosso imaginário desde sempre, são agora escondidos nas bibliotecas públicas. Um mundo em que se pretende fazer inquéritos a perguntar às pessoas qual é a sua raça. Um mundo em que os livros são cada vez menos lidos. Um mundo em que o governo português coloca todos os familiares dos governantes em cargos públicos, causando escândalo mundial, enquanto no país se assobia para o lado. E finalmente um mundo em que um português pode ser proibido de entrar num país com quem Portugal tem relações diplomáticas apenas por ser humorista, sem que o governo português diga sequer que não achou graça a essa brincadeira. Pela defesa intransigente dos valores do nosso país, e pelo amor aos livros, que representam o maior tesouro da nossa civilização, escolho A origem das espécies como blogue da semana.

0 comentários em “Blogue da semana.”

  1. “Um mundo em que se pretende fazer inquéritos a perguntar às pessoas qual é a sua raça.”
    Qual é o problema? Sim, se me perguntarem qual é a minha raça (prefere etnia?) ou nacionalidade, qual é o problema? Aliás ela é bem visível no meu aspecto e nunca procurei disfarçar. Mas mais sério: como podemos delinear uma política para os problemas dos ciganos se nos negarmos a saber quantos há? Onde residem e em que condições? Ou até se fingirmos que não percebemos que o senhor à nossa frente é cigano?
    No resto concordo consigo, nalguns pontos completamente, noutros quase. Na questão da nomeação de familiares, adiro à posição de Vasco Pulido Valente e não à sua.

    1. E como se define etnia? Pela côr da pele, pela história, pela genética? Um finlandês é mais “branco” que um português? Um português é mais semelhante com um norueguês ou com um marroquino?

      The fact that, given enough genetic data, individuals can be correctly assigned to their populations of origin is compatible with the observation that most human genetic variation is found within populations, not between them. It is also compatible with our finding that, even when the most distinct populations are considered and hundreds of loci are used, individuals are frequently more similar to members of other populations than to members of their own population.

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1893020/

      Problema com os ciganos? Os banqueiros são ciganos?

  2. Já dizia esse grande revolucionário chamado Jesus Cristo que somos todos irmãos, sendo este um dos principais motivos pelos quais foi crucificado…

    Valores, bom senso, ética, é isso que falta e não a ridícula e inconstitucional intenção de legislar ou regulamentar sobre o assunto.

  3. um português pode ser proibido de entrar num país com quem Portugal tem relações diplomáticas apenas por ser humorista

    Portugal ter relações diplomáticas com um país é completamente independente de esse país permitir ou não permitir a entrada de portugueses.

    Os países, quando rejeitam a entrada de portugueses, não apresentam justificação para isso. Não são obrigados a permitir a entrada e, se não a permitem, não têm que apresentar justificação para isso. Não permitem, e prontos.

  4. Não vejo problema nenhum em perguntar as pessoa qual a sua raça. Quando vivi nos EUA, tive que responder a múltiplos inquéritos em que me era perguntada a minha raça (e aos quais eu não sabia como responder, pois não sei se sou “branco” ou “hispânico”). Desde que a resposta à pergunta não seja obrigatória, não vejo problema nenhum em que se pergunte.
    Noto que no último censo se perguntou, se bem me lembro, às pessoas qual a sua religião. Quem quisesse respondia, quem não quisesse, não. E não houve problema nenhum com tal pergunta.

    1. “no último censo se perguntou, se bem me lembro, às pessoas qual a sua religião” Até se perguntou a idade o que é bem pior. Sobretudo ás mulheres que não alinham pelas feministas de hoje (e são muitas). E será que estas não merecem respeito?

  5. Francisco José Viegas é alguém que sigo desde a grande explosão da blogosfera portuguesa em 2003 (ainda no Aviz, ainda no Blogger). Sempre me pareceu uma pessoa afável, sensata e que escreve muito bem sem ter de recorrer à maquilhagem do hermetismo pedante. Achei por isso duplamente criticável que, segundo noticiou o Expresso na altura (e sim, eu sei que temos sempre de ler com alguma cautela aquilo que o Expresso publica), a ministra-cessante Canavilhas se tenha recusado a recebê-lo em 2011 aquando da transição de governo. “Um ministro não passa a pasta a um Secretário de Estado”, terá ela argumentado – todo um tratado de grosseria.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *