O comentário da semana


Pedro Correia,

«Não vejo o que é que a situação descrita tem de censurável em termos de ética política. Primeiro, fui eurodeputado por eleição e não por nomeação; segundo, quem me convidou para candidato não foi o Governo, muito menos minha mulher, mas sim o secretário-geral do PS, nessa qualidade; terceiro, não consta que os direitos eleitorais, protegidos pela Constituição, fiquem suspensos pelo facto de se ter um cônjuge no Governo, que aliás não depende do Parlamento Europeu; por último, nem eu nem minha mulher éramos, nem somos, membros do PS, pelo que não podemos ser parte da chamada “endogamia do PS” (quando muito somos testemunho da sua “exogamia”). Como defendi publicamente, a questão da ética política só se coloca em relação à nomeação de familiares dos próprios membos do Governo, ou de outros membros do Governo.»

 

Do nosso leitor Vital Moreira. A propósito deste meu postal.

0 comentários em “O comentário da semana”

  1. ” … por eleição e não por nomeação; …” é a chave da questão.

    Eleições partidárias não são eleições nacionais. Nomeados pelos partidos, incluídos numa lista a submeter a sufrágio, retira-lhes o direito a representatividade pessoal, a de decisor político nacional.
    São apenas mais um dos “nomeados”.

    Direito a se intitularem Eleitos será só quando forem escrutinados como vencedores, em nome próprio, entre todos os candidatos que constem no boletim de voto do universo eleitoral em causa, o nacional.
    O universo eleitoral partidário é (apenas) o universo eleitoral partidário.

    Infelizmente por cá confunde-se “eleitos” com “nomeados”.
    Será porque há (muitos) nomeados, com pretensões a eleitos?.
    Eleito há só um, o PR.

  2. https://observador.pt/videos/atualidade/relacoes-familiares-no-governo-viagem-pelos-elos-de-uma-grande-teia/

    1) Foi eleito Deputado Europeu em consequência da nomeação endereçada pelo Secretário Geral do PS, presumindo, eu, que tenha também integrado os Órgãos Sociais da EDP, em 2006, pela mesma razão.
    2) A eleição para o Parlamento Europeu decorre, em grande medida, do Partido pelo qual se concorre e não do brilhantismo ideológico, ou carisma do candidato.
    3) Quanto a ter sido o Secretário Geral do PS a convidá-lo e não a sua mulher, podemos usar a mesma lógica apologética para os outros casos tornados públicos, em que não foram os cônjuges a convidar, mas sim alguém no Governo a fazê-lo, o que na prática parece conduzir ao mesmo (a indignação pública relaciona-se com o número de familiares presentes no Poder).
    4) Quanto aos Direitos Politicos parecer diferente tem o Presidente da República, que propõe alteração legislativa.
    5) Quanto a não serem filiados no PS, recordo que o Partido “Os Verdes” são também um Partido independente do PCP.
    6) Quer-me parecer que a indignação, a imoralidade, assenta numa endogamia de Poder existente na politica portuguesa….isso da “exogamia” partidária é só, como dizer…para disfarçar…

  3. Uma coisa que se pode debater é se foi o facto de Leitão Marques ser ministra que levou a que o seu marido Vital Moreira fosse escolhido para eurodeputado, ou o inverso.
    É que, Vital Moreira já fôra longos anos deputado e é um constitucionalista e jurista distinto, pelo que é indubitável que tinha todas as credenciais para ser escolhido para eurodeputado.
    E acho que, diferenças de opinião política à parte, nunca ninguém o acusou de ter sido mau (incompetente) eurodeputado, nem acusou Leitão Marques de ser má (incompetente) ministra.
    Ao fim e ao cabo, está-se a discutir um problema inexistente. Em vez de se discutir o mérito das políticas e das intervenções das pessoas, discute-se as relações familiares entre elas. É bem típico da vida política portuguesa, onde geralmente os partidos da oposição são incapazes de propôr políticas alternativas, e portanto se dedicam a atacar aspetos laterais.

      1. Não admira que o Pedro Correia seja do PSD, porque é como o PSD: em vez de debater argumentos e teses, contesta aspetos meramente formais.

      1. Como é que você sabe que Portugal tem índices de corrupção vergonhosos e alarmantes?
        Julgo que ninguém (nem você, nem eu, nem ninguém) sabe quantos crimes de corrupção ocorrem em Portugal.

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