Temos cadáveres no armário


Teresa Ribeiro,

Os cadáveres têm um problema. Não espalham fake news, nem cavalgam movimentos mediáticos para perseguir indiscriminadamente os homens. Limitam-se a ser.

Não por acaso, desta vez não há polémica no ar. As cavaleiras andantes, que noutras situações se apressam a defender o macho ibérico, não se manifestam. As militantes do Not Me (nome que inventei por oposição ao #MeToo), que desvalorizam as queixas das mulheres que denunciam assédios e discriminações, insinuando que só é vítima quem quer, calam-se.

À medida que este macabro cortejo engrossa, torna-se difícil sustentar que em Portugal, no século XXI, a misoginia é um epifenómeno instrumentalizado para efeitos de propaganda pelas lésbicas, galdérias e mal amadas do costume.

0 comentários em “Temos cadáveres no armário”

        1. Chatíssimo. Sou eu com a minha narrativa e todas estas notícias – vai-se a ver exageradas – que têm chocado o país por um lado e a realidade a desmentir-me por outro.

          1. Desde que se reconheça que a misoginia é uma característica também feminina, ou que se classifique de misoginia a violência no seio de casais homossexuais, tudo bem.

            A não ser que nos apercebamos do contra-senso e isso nos ajude a corrigir a hermenêutica misógina do fenómeno em causa, o que seria óptimo.

          2. Desculpa lá, Pedrocas: essa do “energúmenos” é o teu lado misógino a falar?

    1. “Lembramos com tristeza o cadáver mais recente:” Li essa e vários outras notícias idênticas. Desconfio que é tudo mentira. Eu acho que os homens é que são maus e morrem nas guerras em grande quantidade como resultado da sua maldade. Mesmo que as notícias não sejam mentira, há partes da realidade cuja menção neste momento é inconveniente.

    2. Podemos ainda falar de milhões de raparigas e rapazes, mas principalmente raparigas abortadas.

      Mas isso já não interessa, ninguém fala por elas, nem pagam impostos.

      Quanto a fake news é só o que os jornalistas inventaram para se desculparem por terem perdido as eleições americanas…

      A autora não gosta da coerção e violencia injustificada dos homens sobre as mulheres, e muito bem, mas já não tem problema algum que o estado use violencia sobre a Maria se esta não quiser participar em pagar impostos para algo com que não concorde.

  1. Portugal é um país tolerante para com a violência “controlada”. Basicamente, o comum portuga acredita que um problema se resolve com umas boas lambadas.
    Seja no trânsito, na bancada do futebol, ou em casa.
    A violência doméstica é apenas consequência dessa mentalidade.
    O exercício da violência do forte sobre o fraco deve ser severamente punido, em todas as áreas, não somente na violência misógena.

    Ha uns meses em Coimbra, dois rapazes foram ” interpelados” por um casal enquanto tinham uma discussão com uma terceira pessoa. Não gostaram, e trataram de pôr o rapaz em coma, à laia de pontapé. Caso tivessem virado a atenção para a rapariga, eram misogenos? Ou apenas energumenos que agridem?

  2. Quando queremos fazer algum julgamento a textos de intervenção, para sermos rectos, lá está: devemos sempre calçar “os tais mocassins do outro…”
    Queremos em Portugal mais duas ou três Donas Teresas Ribeiro…

  3. Já vem de longe e agrava-se.
    O sistema de ensino permitiu às mulheres dominar nas universidades e na função pública.
    Crimalizou-se o piropo.
    Prepara-se agora um conjunto de medidas na justiça que pode redundar numa nova inquisição.
    Em suma, está em marcha um processo de castração que fará dos homens leais eunucos ao serviço das matriarcas.
    1. Nunca se resolve um mal, atacando as consequências, esquecendo as causas. E as causas são a educação ou a falta dela.
    2. A violência não é doméstica nem de género. É violência. Ponto. Sempre que se mistura violência com racismo, com desporto, com género ou com outra coisa qualquer, o que acontece é a tentativa de justificação e de branqueamento da violência propriamente dita, na justa medida da relevância que é dada à pretendida especificidade. Numa das tristemente famosas sentenças de Neto de Moura, foi precisamente essa circunstância que o fez concluir que deveria atenuar a condenação do criminoso. Se o ilustre magistrado atentasse apenas na violência que consiste em rebentar os tímpanos de alguém, a conclusão seria outra.
    Conclusão, da conclusão da conclusão:
    – Não castrem os homens. O alvo é a violência e a violência não tem género (por ironia, até é do género feminino, gramaticalmente falando).
    João de Brito

    1. ” A violência não é doméstica nem de género. É violência. Ponto.”
      Não posso estar mais de acordo. Detesto as violências. Todas.
      Beijinho (merece)

      1. “pretender que a violência selectiva não existe” Existe, existe. Pode é classificar-se, ou seleccionar-se, de muitas e variadas maneiras. Eu classifico de modo diverso da D. Teresa. É esta a diferença.

      2. O homem que bate na mulher bate na filha, no filho, no avô, ou no vizinho que estacionou o carro no lugar dele. Desde que não seja grande.

        1. “O homem que bate na mulher bate na filha, no filho, no avô, ou no vizinho que estacionou o carro no lugar dele” Isto não é verdade. Exige-se mais rigor em assuntos sérios.

          1. Exercício da violência sobre os mais fracos.
            Sobre os que não se podem defender.
            Muito homem bate na esposa porque sabe que existe uma dependência emocional, e não só, que impede resposta, que mais não seja a denúncia.

      3. Contextualizo o comentário de João de Brito, Teresa.
        Recentemente foi proferido um acórdão que em meu entender era composto por duas sentenças: uma pedagógica e a outra com consequência prática.
        Na leitura que fiz do que a comunicação mostrou, a sentença proferida contra o agressor material, ainda que efectiva, foi diminuída e não descriminalizou o acto. Foi diminuída na medida em que, ainda segundo a minha leitura, houve uma relação causa efeito, isto é, a violência foi induzida por outro acto não menos violento e com características sócio-psicológicas.
        Este segundo acto de violência leva por nome adultério.

        Em torno deste epifenómeno, o magistrado, em síntese, descreveu ao longo de um período da história e da sociologia as diferentes categorias de sentenças, que eram aceites pela sociedade em geral, portanto, mulheres incluídas, para demonstrar a gravidade do procedimento e também que a sociedade hodierna, ainda que com outras medidas legais, continua ou deve continuar a condenar.

        Pelas reacções públicas que me foram dadas observar, pretendeu-se desvalorizar um crime e uma agressão psicológica, isto é, o adultério, realçando outro crime cometido: o crime de violência materialmente provado, mas induzido por aquele outro.
        Adultério (adulterium) significa alterar, adulterar, falsificar…

        Em conclusão, o empolamento social – e quando digo social refiro-me a quem está de plantão – dos chamados movimentos feministas pró-causas ditas favoráveis à mulher devem rever os seus conhecimentos.

        Gostaria de dizer-lhe que não nutro a menor simpatia pela hipocrisia, e realço hipocrisia, que grassa em torno das ditas causas das mulheres, uma vez que em meu entender elas estão aí somente para satisfazer agendas políticas e pessoais. E isto é muito pouco ou nada para as causas a tratar verdadeiramente emergentes das sociedades. Uma delas é confundir-se libertinagem com liberdade e, não menos grave, privilegiar-se a primeira em detrimento da segunda. A legalização do aborto e outras medidas ditas avançadas e em prol da libertação da mulher são alguns de outros muitos exemplos, onde não esqueço as quotas.
        A violência é um crime.

        Recentemente uma ministra brasileira afirmou: “ensinar igualdade de género a rapazes é dizer que meninas aguentam apanhar”.
        Citei esta ministra para que compreenda o que é o contexto cultural, civilizacional e científico em torno do género.

        E sim, Teresa, procura-se tapar o Sol com a peneira. Pretende-se induzir selectivamente uma campanha por forma a satisfazer as ditas agendas sociais e eleitorais anteriormente referidas.

        1. O adultério é crime?
          Nem percebo como se pode ter como factor atenuante, num crime de violência doméstica, o adultério. O adultério constitui ameaça à integridade fisica de alguém?

          Pela sua linha argumentativa seria factor atenuante, numa sentença de crime por agressão, o agredido ter chamado “mulher da vida” à mãe do agressor, ou “maricas”.

          Essa desculpabilização poderia fazer sentido no Portugal de há 60 anos atrás, mas não neste século. Traiu? Pois bem, ou fazem as pazes, ou cada um vai à sua vida. O que se passa na realidade é que o “bicho homem”, inseguro, quando traido incomoda-o mais a sensação de ser menos macho comparado com o “novo eleito”, do que com a possibilidade de a mulher já o não amar. A maioria dos agressores agride não pela mentira, mas pelo sentimento atávico, de bicho, pela sua virilidade ter sido diminuida, posta em causa, pois não vê no adultério outra razão senão a sua falta de testosterona. E um tipo, como toda a gente sabe, tem que ser muito macho até morrer.

          Obviamente que condeno o adultério, a mentira, mas este não justifica nenhum tipo de agressão, ou ser tido em consideração em casos de agressões con tacos cravados de pregos, ou socos que rebentam timpanos .

          1. Meu caro, está lá tudo em meu comentário. Não vou pelo caminho de suas angústias. Ainda que verifique que muito rodeia para poder dizer que concorda.

            A violência psicológica é crime, em particular se essa violência gerar consequências semelhantes ou mais graves. Se uma relação acabou, apresente-se o facto como consumado e não haverá adultério. Não se pode ou não se deve adulterar até que a relação acabe da pior maneira.
            Mas não existe somente adultério nas relações matrimoniais e/ou com outra “tipologia”. Existe muita falsificação, alteração, adulteração em várias matérias. Querem é fazer crer que não.

  4. violência física v. violência psicológica.
    Violência visível v. violência invisível.
    Fraqueza humana e descontrole.
    No mundo animal a agressividade aumenta com ameaça de risco vital.
    História humana milenar e aumento da inépcia social.

    Tanta fumaça!

  5. a extrema violência para com mulheres é um facto, é real, está nos prédios onde vivemos, nas moradias envolventes, caso seja o caso.
    a extrema violência para com mulheres é cultivada, elogiada até – e com pouco verniz -, ainda hoje, ainda há pouco no café, por dois trolhas e um jurista, gargalhando a propósito de uma qualquer parvoíce como «o que é que ela estava à espera?!» (cena imaginada de tragédia em um ato).
    quero lá saber se as “mulheres são as piores inimigas das mulheres” ou se “violência existe quando um animal bla bla bla”.
    fala-se aqui, e agora, de uma bestialidade que se pratica, e que se legitima com o silêncio e o olhar para o lado.
    uma enormidade, deixemo-nos de tretas.
    e quero lá saber das feministas e do #metoo ou #whatever.
    isto é real. é inaceitável. é ultrajante, para mulheres e para homens.

    1. Lamentável, na cena imaginada, a gargalhada. Mas a frase é na mouche. De facto, wcgw quando se brinca com os sentimentos de um homem, quando se trata de humilhá-lo, desprezá-lo e vituperá-lo em frente de familiares, amigos e colegas de trabalho, quando se desperta o seu lado violento e animalesco? Parvoíce é mesmo esperar que o seu lado bestial não venha ao de cima.

      É espantoso constatar o número de mulheres firmemente convencidas de que conseguiram numa dúzia de anos o que não conseguiram numa dúzia de milénios: domesticar os homens, torná-los dóceis e inofensivos, mais fofinhos que ursinhos de pelúcia. Tudo por condão de uma mão cheia de tretas igualitaristas mais um punhado de direitos escrevinhados em celulose. E no caso de haver algum movimento masculino suspeito, basta com que a mulher se esganice e logo se retomará o controlo da situação.

      Completa ilusão, trágica cegueira. Isto é que é real, é inaceitável, é ultrajante, para mulheres e para homens.

          1. sampy…, assim para já, já me calaste.
            mais de resto não faço ideia.

  6. O flagelo da violência física de gênero deve acabar…
    Nesse dia podemos discutir a violência psicológica. Talvez os papéis se invertam. Mas o cheiro será diferente

    1. “O flagelo da violência física de gênero deve acabar…” E sem ser de género também. A começar pelas guerras. Matam muito mais homens (embora me importe pouco o sexo da vítima) do que se matam mulheres na tal de género. Se abstrairmos do sexo as prioridades serão outras. Crianças, idosos, etc.

  7. Violência doméstica é violência. Separar a violência doméstica da outra é erro. E convém não esquecer a violência psicológica, essa ao alcance de todos, mesmo dos mais fracos fisicamente.

    1. “não esquecer a violência psicológica, ” Quando acabar a violência psicológica seremos todos uns santinhos 😍 e nunca mais ninguém se zanga com ninguém. Será o paraíso. Nada de zangas, todos (e todas?) com a mesma opinião, nada de discussões. Teremos o cemitério na terra. Amen .

      1. Tem toda a razão, Ana Maria, mas há outras lutas a travar, como seja a igualdade de salários, entre homens e mulheres. Então, quando chegarmos lá, a qualidade e a quantidade de trabalho produzido não vai ter interesse nenhum. Nem a lealdade vai ser compensada; nem a pontualidade, nem assiduidade – lembremos os 10 % dos auxiliares escolares (agora assistentes operacionais), para ter uma ideia do que vai acontecer se esta gente não for calada.
        E que não que me disseram que a Google paga mais às mulheres do que aos homens, para a mesma função? Que chatice.

      2. Humilhar. Denegrir. Rebaixar. Inventar mentiras sobre alguém e espalhar essas mentiras, esses boatos, por aqui e por ali, como verdades absolutas; é Violência Psicológica – é agredir psicologicamente e com intenção.
        O grande problema é que a violência psicológica ao contrário da violência física não deixa “nódoas negras” na face, nos braços, nas pernas…se for na net, em blogues por ex., ainda deixa o agressor/a muito mais à vontade para dar largas à manipulação e ir semeando o seu veneno.

        1. ” ainda deixa o agressor/a muito mais à vontade para dar largas à manipulação e ir semeando o seu veneno.” Só mesmo com censura nos media se evita a disseminação (de umas coisas e se fomenta a de outras). Não se deve poder rebaixar etc. Não foi na Roménia que saiu uma lei dizendo que é obrigatório que 50% das notícias nos media devem ser positivas? Podíamos cá fazer o mesmo mas com 75% de positivas. Eu começava por proibir as notas do Vasco Pulido Valente. Não me deixam nódoas negras mas agridem-me psicologicamente. E muito.

  8. O pior mesmo é quando alguns média entram na violência e se dão ao luxo de se divertirem com ela-a violência! Para não apontar entidades medalhadas e alguma distinguidas com “coroas” de santidade…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *