Estado, violência e racismo


Diogo Novo,

BairroJamaica_RTP.jpg

 

O sucedido no Bairro da Jamaica suscitou a esperada polémica e abriu caminho ao habitual debate entre visões securitárias e a defesa de justiça social. Como demonstrado por vários estudos empíricos e, no caso português, pelos sucessivos Relatórios Anuais de Segurança Interna, não é possível estabelecer uma relação de causalidade directa entre precariedade económica e violência. De resto, estabelecer essa relação redunda num argumento manifestamente insultuoso segundo o qual onde há um pobre há um potencial criminoso. É verdade que a marginalização social (muito mais do que a económica) favorece a eclosão de episódios de violência e de vandalismo, mas não os causa nem os explica. A ausência do Estado – nos planos político, social e de segurança de pessoas e bens – é muito mais relevante enquanto factor explicativo.

O fim dos bairros degradados onde as condições de vida são muitas vezes infra-humanas justifica-se com o respeito pela dignidade das pessoas e com a promoção de um Estado que ofereça igualdade de oportunidades, mas não com o combate à criminalidade. E a propósito de ordem pública, importa recordar que as Forças de Segurança são instrumentos da autoridade do Estado de Direito Democrático, são fiscalizadas e controladas, estando evidentemente vinculadas à lei. Como tal, qualquer comparação da PSP (ou da GNR) a instituições próprias de outros regimes é estapafúrdia.

Tão ou mais disparatada é a acusação de racismo feita à PSP.  Primeiro, o vídeo que circulou nas redes sociais e na imprensa revela a reacção das Forças de Segurança a um incidente táctico-policial, omitindo o momento que a antecedeu, razão pela qual o bom-senso e o sentido de responsabilidade recomendam prudência nos comentários. Segundo, admitindo que houve excesso de violência por parte da PSP, o que não é evidente, nada indicia que tal excesso tenha um móbil racista. E terceiro, arguir que a polícia enquanto instituição respira uma cultura racista enferma dos mesmos males que as teses que atribuem comportamentos criminais a determinadas etnias ou grupos sociais.

Chegamos, pois, às declarações de Mamadou Ba, dirigente da ONG SOS Racismo e assessor parlamentar do Bloco de Esquerda. Além de incendiárias, as declarações de Ba são infundadas e não se coadunam com as responsabilidades políticas que tem. O Bloco, sempre tão zeloso da decência moral na política, devia ser claro e demonstrar que não alinha com discursos que desgastam a confiança dos cidadãos nas instituições. Isto é, deve fazer precisamente o contrário daquilo que fez.

0 comentários em “Estado, violência e racismo”

  1. “Como demonstrado por vários estudos empíricos e, no caso português, pelos sucessivos Relatórios Anuais de Segurança Interna, não é possível estabelecer uma relação de causalidade directa entre precariedade económica e violência.”

    Está a fazer confusão. A pobreza extrema, não é o único detonador da violência mas é um fator importante, sobretudo porque anda normalmente a par de outros fatores: desemprego, famílias destruturadas, falta do sentimento de pertença a uma comunidade, etc.
    Vai-me dizer que este tipo de situações acontece todos os dias em zonas mais ricas, ou que a polícia chamada a resolver desacatos num bairro da classe alta agrediria os moradores indiscriminadamente.

    “Segundo, admitindo que houve excesso de violência por parte da PSP, o que não é evidente, nada indicia que tal excesso tenha um móbil racista.”

    Também nada evidencia o contrário neste caso particular. E os incidentes racistas com a PSP são bastante comuns, e alguns são graves.

  2. É isto mesmo. Qualquer generalização é abusiva e perigosa, mesmo quando (ou sobretudo quando) aparenta intenções piedosas. Ninguém de bom senso tem interesse em incendiar o nosso já tão complexo tecido social com visões redutoras (opressores de um lado e vítimas do outro) que, felizmente, não tem senão uma adesão muito pontual à realidade.

  3. Enquanto misturarmos violência com géneros, cores, raças,… classes profissionais…, ninguém se vai entender, o que agrada a muito boa gente.
    Violência é violência.
    Ponto!
    João de Brito

  4. Depositar esperança na agremiação BE para que seja responsável e previdente ou instá-la à responsabilidade e senso comum será um conundrum!!

  5. Em Portugal, por norma, não se gosta da Polícia.
    Ou é porque batem, ou caçam multa, ou retiram as liberdades.
    Só lhes damos valor quando dela necessitamos.
    Também conheci um urso desses, como o Bá, que falava mal “da Bófia”, até ao dia em que foi apertado em plena rua por uns skins. Nesse dia, em seu socorro, foi a PSP (que cumpriu o seu dever), e não a Ana Drago.

    1. Eu só não percebo porque é que o Mamadou emigrou para um país que diz ser um coio de racistas. E ainda por cima requereu a nacionalidade de um povo de quem odeia, pelo menos, a história!!
      Figura trágica, este Mamadou!!

      1. O Mamadou dá a cara. Licenciou-se em Língua e Cultura Portuguesa, apesar de o português não ser a sua língua materna e ser uma língua difícil de aprender. Ele não é português de nascimento como tu ou eu e teve que trabalhar para obter a nacionalidade portuguesa.
        O Mamadou dá a cara. Já tu, Justiniano, não passas de mais um anónimo cobarde que ataca quem dá a cara.

        1. Vcmecê é um gebo!!
          Que dizer de indivíduo que migra para junto de um outro Povo e se dedica a estudar a Língua, Cultura e História desse mesmo Povo. No decurso, se não mesmo antes, desse Estudo alimenta um ressentimento e aversão pela história desse Povo. Aponta, a esse Povo, uma aversão instintual e preconceituosa quanto a si e ao seu Povo, Cultura e Etnia. Ainda assim, após conclusão dos seus estudos, mantém-se entre esse Povo por quem continua a alimentar um ressentimento histórico, pelo que aponta. Mais, requer a nacionalidade desse Povo, de quem abomina a história e por quem se diz quotidianamente oprimido. Não sei se pretende que o salvem de si próprio ou se, magnânimo, veio revelar-se e salvar Portugal! As contradições do Mamadou são insanáveis e não me interessam em nada!
          Mais lhe valia que rumasse a sul com a boa nova, brandindo a espada da justiça contra o racismo que é larvar pelas Áfricas.
          Mas valha-lhe, virtude das virtudes, que dá a cara, diz o nosso jovem gebo anónimo!!
          Vcmcê é um pobre tonto, rende méritos a esmo!

          1. Parece que ao Justiniano serviu-lhe a carapuça.
            O Justiniano parece viver numa realidade paralela em que o povo português é e sempre foi perfeito, quando historicamente não poderia estar mais errado.
            Deixe de ser politicamente correcto.

        2. Por um lado dá a cara e por outro esconde o seu
          radicalismo islâmico. Foi bem preparado lá nas madrassas
          do Senegal . Podem censurar -me que estou habituada.
          Só no jornal Expresso o ser quase diariamente até um ano inteiro
          de comentários. Tal como o Mamadou eu também tenho uma causa
          que me diz que a minha ” luta ” é justa.

  6. Empurram-se as coisas para ‘debaixo do tapete’ enquanto se pode…. acho que, daqui a umas semanas, quando os media já falarem de outro assunto, irá continuar a mesma situação… ou seja…a ignora-se ‘o elefante no meio da sala’!!! Espero estar errada!!!

    1. O elefante está na sala há décadas. Temo que continuará lá durante mais umas décadas. Só discutimos estes assuntos – e outros – de maneira episódica.

  7. Este Sr. Mamadou está a tentar reproduzir em Portugal o que se
    passa há tantos anos em França , matéria e país que ele conhece muito bem.
    Não lhes bastam ter casa , comida , carros , filhos que não estudam porque não
    querem , dinheiro para férias . E, sim … milhares senão milhões de benefícios do
    tráfico de droga. Também usam crianças nos crimes .
    Parece que o que escrevi tem uns laivos de racismo, mas é a realidade.
    Não só visito muitas vezes esse país como também tenho amigos e os jornais
    e TVs. que dada a proximidade onde vivo faz com que tenha uma visão diferente
    da maioria. França está invadida de Mamadous e o resultado todos conhecem.

    a

    1. Creio que a coisa é mais complexa, Kika. E não creio que possamos fazer essas generalizações. Aliás, estou convencido que o objectivo dos Mamadous (para usar a sua expressão) é precisamente dividir a sociedade em torno a estes temas e radicalizar o debate.

      1. Caro Diogo, “Aliás, estou convencido que o objectivo dos Mamadous (para usar a sua expressão) é precisamente dividir a sociedade em torno a estes temas e radicalizar o debate.” se assim é, porque admitimos Mamadous entre nós?! Creio que ainda não se reconhece, juridicamente, apesar dos esforços de muitos alucinados irresponsáveis (incluem Governo e PR, para além dos progressistas arejados), o direito universal de imigrar para Portugal!
        O debate há-de radicalizar-se, acompanhado por ressentimentos vários, e sempre em crescendo! A história universal ensina. Os laços étnicos sobrepõem-se, sempre, a final, a qualquer elemento racional aglutinador! E hão-de haver sempre personagens a alimentar e instrumentalizar estas tensões. Ao menor episódio de violência, mais ou menos expressiva, empolada por qualquer meio, entre indivíduos de etnias diferentes, a razão vai às malvas e sobressai a identidade étnica! Há quem tenha a arrogância de presumir que domina a besta!
        Ainda ontem o JM Tavares louvava esta lógica identitária reivindicante, sem se aperceber do verdadeiro significado do que dizia! Tentei explicar a indigência da coisa no post do Pedro Correia.
        Quando descoramos regras elementares de prudência construímos tragédias que, ao longe, se anunciam!! Andamos há muito a alimentar dragões. Há quem não queira ver e se entregue, de boa vontade, à salvação divina!!

        1. Quando me refiro a “Mamadous” refiro-me a pessoas com uma agenda radical clara e declarada, independentemente da sua origem. Incluo aqui, portanto, vários militantes do BE.
          Quanto à força dos laços étnicos, discordo. As ideias sobrepõem-se. Basta olhar, por exemplo, para o caso do nacionalismo basco (étnico e abertamente racista na sua génese e durante longas décadas) para perceber que a etnia era em grande medida uma construção política/ideológica, e não biológica.

          1. Compreendo bem a ressalva! Mas note que, por mim, não carecia.
            Não sou racista nem aprecio alimentar teses racistas. Contudo, nos tempos que correm, a exposição racional de argumentos dá-se sempre a tresleituras.
            Também eu gostaria de acreditar na possibilidade da convivência multi étnica-cultural dentro de um mesmo território. Mas a história universal tem ensinado coisa diversa, como bem sabe o caro Diogo. Creio que a prudência nos convoca aos números e proporções. Há números e proporções que representam a convivência sã e outros números e proporções que representam o conflito interminável até à reposição do ponto salutar!!
            As pessoas têm o inelutável hábito de levar consigo, para além do património genético, o património cultural e os conflitos de mores tornam-se inevitáveis nas zonas comuns!!
            Um bem haja,

      2. Concordo que seja mais complexa.
        Dividir a sociedade entre outras coisas bem mais graves.
        O presidente Macron que o diga . Tem um que lhe está a envenenar
        o mandato . Alexandre Benalla . Coisas muito curiosas fazem estes Mamadous.

    2. O Mamadou licenciou-se em Língua e Cultura Portuguesa, apesar de o português não ser a sua língua materna e ser uma língua difícil de aprender. Ele não é português de nascimento como tu ou eu e teve que trabalhar para obter a nacionalidade portuguesa.
      Por isso, sim eu quero muitos mais Mamadous em Portugal. Já “kikas” e “Justinianos” por mim podem mas é ir para o Brasil.

      1. Tadinho do Mamadou se lhe deu muito trabalho obter
        o passaporte português deve ser o único. Esse passaporte
        que ele tanto odeia deve ser dos mais fáceis de obter que há memória.

    1. Há racistas na PSP, como na Ordem os Dentistas ou no Convento das Carmelitas. Lançar o opróbrio sobre uma instituição inteira é fazer uma generalização (i) impossível, (ii) injusta e (iii) sem qualquer fundamento. Mais, trata-se de uma acusação assente nos mesmos mecanismos lógicos e discursivos usados pelo racismo e outras manifestações de ódio.

      1. Claro, dentistas e policias, é tudo igual.

        Claro que é uma minoria, daí o reparo do ECRI

        Extrema-direita nas polícias alvo de investigação
        Inspetora-Geral da Administração Interna admite que a presença de extrema-direita entre as forças de segurança é uma das suas preocupações.

        https://www.dn.pt/portugal/interior/margarida-blasco-queremos-forcas-que-cumpram-intransigentemente-os-direitos-humanos-9417843.html

        1. Caro Vorph, vivemos uma era em que um tipo relativamente conservador, que queira preservar os mores ancestrais que o trouxeram até ao dia de hoje e clame por lei e ordem, arrisca levar uma roda de fascista ou, no mínimo, de perigoso extremista de direita!!

  8. “Como demonstrado por vários estudos empíricos e, no caso português, pelos sucessivos Relatórios Anuais de Segurança Interna, não é possível estabelecer uma relação de causalidade directa entre precariedade económica e violência.”

    Curioso, existem outros estudos realizados na Europa e EUA que indicam o contrário…por cá a criminalidade de ano para ano está sempre a descer…qualquer dia desaparece.

    https://www.researchgate.net/publication/227356125_Unemployment_and_Crime_New_Evidence_for_an_Old_Question

    https://www.jstor.org/stable/10.1086/320275?seq=1#metadata_info_tab_contents

    https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/320275?mobileUi=0&journalCode=jle

    http://www.academia.edu/23657544/The_Effects_of_Unemployment_and_Income_on_Crime_A_Panel_Data_Analysis_on_Turkey

    https://sol.sapo.pt/artigo/44351/desemprego-entre-os-jovens-aumenta-criminalidade

    Se quiser algo de mais substancial:

    https://www.youtube.com/watch?v=EtVfoIkVSu8&t=26s

    1. Os Relatórios Anuais de Segurança Interna demonstram que entre 2010 e 2014 o crime (tanto a Criminalidade Geral como a Criminalidade Violenta e Grave) diminuiu em Portugal. Os anos da Troika, da austeridade, da redução do PIB/capita, dos inegáveis dramas sociais e humanos, não provocaram um aumento do crime. Mesmo em 2013, ano em que o desemprego atingiu máximos no nosso país (e na Europa), a tendência de queda constante do crime manteve-se. Curiosamente, só depois do “fim da austeridade” e da “recuperação de rendimentos” é que começamos a assistir a subidas na Criminalidade Geral. Sobre a relação entre pobreza/desemprego/precariedade e crime em Portugal estamos conversados.

      Sobre a relação de causalidade directa e simples entre pobreza e violência (criminalidade comum ou, por exemplo, terrorismo), a literatura é vasta. Recomendo, entre outros, estes artigos:

      https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0022343307084920

      https://www.nber.org/papers/w9074

      https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/07418820400096001

      https://www.mitpressjournals.org/doi/abs/10.1162/003465300559028

      https://academic.oup.com/bjc/article-abstract/41/2/236/362223

      https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/095465590944578

    2. Caro Vorph aquilo que o Diogo lhe diz, parecendo contraintuitivo e desconcertante, é o mesmo que lhe disse naquele post anterior!! Este fenómeno não é inédito. A escola americana já o estudava, intrigada, nos anos 50!! Há literatura consagrada na criminologia sobre isso!!

      1. Justiniano, quanto à relação criminalidade/desemprego/pobreza, já aqui referi variadíssimos estudos que o confirmam. Inclusivamente uns bem recentes na área das neurociências – Justiniano vai ser o diabo quando estas entraram pelos tribunais adentro.

        Sabe porque em Portugal a criminalidade não subiu no pico da crise? Atrevo-me a dizer, ter sido por causa da emigração. Em 2013, emigraram 120.000 portugueses.

  9. “in its November 2018 report, the EU Agency for Fundamental Rights ranked Ireland second worst among EU states (jointly with Austria) for violence to black people: and this without benefit of empire. The UK was second best, after Portugal.”
    https://www.irishtimes.com/opinion/why-fintan-o-toole-has-got-brexit-all-wrong-1.3766746?__vfz=rtw_top_pages%3D5923100000648

    É a minha experiência, igualmente: Portugal é o país menos racista da Europa.

  10. Isto do que se passa à volta de Lisboa é uma amostra do que se passa há muito em cidades da França.

    E já há muitas queixas na Itália.

    Vai piorar em toda a Europa, porque a juventude africana continua a fugir em massa para as capitais europeias por terra mar e ar.

    Como não há prespectivas de vida na maioria dos paises “abandonados” pelos colonialistas a invasão da Europa vai continuar, qual transfusão de sangue africano.

    A inglaterra já está a solucionar o problema com a saida da Europa e dos acordos Shengen, e nem querem saber de outras consequências.

    Querem e «fechar-se»! conseguirão?

    A Europa vai pagar as consequências de tanta asneira e abusos de séculos.

    O Último crime foi o abandono de África tal como se deu, do qual Portugal foi o menos responsável.

    Os africanos sabem disso e exigem responsabilidades.

    Misturar a polícia e uns caixotes de lixo nisto, e tapar o sol com uma peneira.

    Retornado

  11. Eu juro que não percebo os portugueses. Dizem-se contra o politicamente correcto e passam a vida a dizer mal da polícia, mesmo que tenham cometido alguma ilegalidade como por exemplo exceder o limite de velocidade.
    E agora quando alguém se refere à actuação da polícia como sendo uma “bosta”, aparecem as virgens ofendidas em massa. Não há paciência para esta gente.

  12. O mais trágico dos ensinamentos que o episódio da jamaica nos trouxe, a confirmar-se a aceleração do realojamento dos seus habitantes pelo Governo, é a total subversão dos juízos de premência! A imagem de marca do Governo, quem não chora não mama. O Governo só conhece a linguagem do confronto, e quanto maior o basqueiro mais presta é a mão que acode!!
    Uma tragédia anunciada, há-de acabar em lágrimas!

  13. NOTA: tenho por hábito aprovar todos os comentários, mesmo aqueles que são despropositados e até alguns que raiam a má educação. Faço-o porque entendo que os comentários apenas vinculam quem os faz.
    Porém, há limites. Têm aparecido neste ‘post’ comentários manifestamente insultuosos e de cariz violento que visam outros comentadores, a polícia e Mamadou Ba. Saibam os jagunços responsáveis por tais prosas que esse tipo de comentários será apagado. É um limite discutível, mas é o meu.

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