Desde 1982 que este Murder at the Vicarage se chamava por cá “Encontro com um assassino”, primeiro livro com Miss Marple escrito pela incontornável Agatha Christie.
Quando a Asa comprou os direitos que pertenceram à Livros do Brasil, reviu grande parte dos títulos que eram já clássicos. Uma pena. “Encontro com um assassino” deixa sempre a ideia de Miss Marple, aparentemente distraída, a perguntar ao ainda desconhecido assassino se não quer uma chávena de chá; “Crime no Vicariato”, pronto, é um crime…
A primeira coisa que um tradutor actual faz, com o aval expresso da editora, é alterar o título já consagrado na versão portuguesa. Esta “marcação de território”, em vários casos, surge com o propósito não confessado de embarretar o leitor. Este é levado a pensar que se trata de obra diferente quando afinal é aquela que já tem numa estante lá de casa.
Sem dúvida! Reuni os 40 volumes da Vampiro Gigante ao longo de duas décadas de busca por lojas, alfarrabistas e particulares. Este título foi o último, emparelhado com o The Sittaford Mistery. Sabendo da minha dificuldade para encontrar alguns títulos, e não se recordando de ler este nas minhas prateleiras, um familiar viu o primeiro livro da Asa à venda e ofereceu-mo. Gostei do que vi, até porque andava no ar a ideia de alguns escritores pegarem em Poirot, Marple e Battle e escreverem novas histórias. A alegria durou-me muito pouco.
Tal como a alegria de termos novas histórias dos detectives, pelas críticas que li…
No postal que indica, dei a opinião sobre as várias motivações destes tradutores… é verdade que uma primeira tradução não é forçosamente a melhor, mas nada se perdia se, antes de nova tradução, deitassem os olhos às anteriores. Sei lá se não me trocaram a Tuppence por dois vinténs!
Não será tarefa fácil, mas seguramente será interessante, Pedro. Cá, ou em livro, aguardarei tal iniciativa.
Os títulos mudam. O que também muda, e ainda com mais frequência, são as capas. Há capas que deviam ser património da história que encerram. E há outras que são autênticos assassínios do espírito do mesmo. Estas ficam bem com os novos títulos.
As capas variam. Algumas são óptimas (as da Relógio d’Água, por exemplo). Outras são péssimas, sobretudo quando se recorre por sistema a bancos de imagem, o habitual expediente das editoras para evitarem pagar hoje a alguém com mérito artístico. Basta colarem a fotozinha. Como se uma capa fosse um cromo.
Lembro-me sempre das da Difel. E, sim, as da Relógio d’Água são muito boas. E as da Bertrand também, na maioria das colecções. E achei muito interessantes as da Quinta Essência, que suponho seja uma filha da Leya. O cuidado na imagem, o relevo e até os cheiros… gosto da escrita da imaginação e da humanidade de Sarah Addison Allen, e as capas desta editora são uma caixa lindíssima para os seus livros. Apetece espreitar o que preservam e encerram.
Suponho que deveriam ser estas as missões das capas. Pelo menos, são as que gostaria de ver desempenhadas.
Quando acabar a série das estátuas, talvez comece uma série com capas de livros. Ando há uns tempos com vontade disso.
Fico a aguardar, Pedro! Talvez seja mais fácil localizar as várias capas, que obviamente incluem os títulos, do que focar as próprias traduções, algumas nascidas e morridas em pequenas editoras desaparecidas…
Há casos em que a primeira edição portuguesa tem uma capa muito mais bem conseguida do que a primeira edição original. Tim, de Colleen McCullough, pex. Que teve até uma edição portuguesa com um erro de palmatória no nome da escritora…
Para mim as capas da Tinta da China continuam a ser das melhores. ⚘ Maria
Gosto muito também. Das capas e da editora.
Não só. Se o título na obra traduzida for original, podem recair sobre ele direitos de autor.
Sem dúvida. Bem lembrado. Há direitos de autor inerentes à tradução, “pormenor” que algumas editoras parecem esquecer, com uma impressionante ligeireza.
De capas não podemos queixar-nos agora: esta edição do Público tem uma boa capa, num apropriado estilo ‘rétro’. É, aliás, uma edição muito cuidada. Exceptuando na falta de respeito por um título já consagrado na versão portuguesa do romance, como ficou assinalado ali mais acima.
As capas dos meus livros de Agatha Christie são todas iguais, era assim que funcionava a colecção vampiro. Suponho que, salvo erro da primeira tradução, as seguintes deviam manter o título. Se na língua original o título se mantém por séculos, não vejo razão para mudança. Dá unidade e substância à obra e não origina confusões.
Agatha Christie nutriu grande parte da sua inesgotável inspiração em children’s games & nursery rhymes , “One two, Buckle my shoe”, Mrs. McGinty’s Dead”, “Three Blind Mice”, “Hickory, Dickory, Dock”,”A Pocket Full of Rye”,Five little Pigs”, “Crooked House” etc., cujo significado e essência se perdem bastante na tradução, apesar de os títulos em português de Portugal fazerem algum sentido. Inevitavelmente , perde-se também aquela mística que sempre ligou o macabro aos contos, contas , cantos e cantares infantis. Também coleccionei estes Vampiro Gigante, cinzentões e inexpressivos na capa, misteriosos e plenos de sabor ao voltar de cada página, e outros de outras cores e de outros excelentes autores de crime e mistério , Stanley Gardner, Conan Doyle, Chandler, Stout, estupendos para revisitar sempre que um título contemporâneo nos desapontar.
Como eu. Também tenho vários destes livros antigos guardados: nunca passam de moda. Agora a moda da tradução literal é tão acentuada, nestes analfabetos que passam por tradutores, que já cheguei a ver ‘vin rouge’ (numa série francesa) traduzido por vinho vermelho. Não fazem a menor ideia do que significa o nobre e culto verbo traduzir.
Mas eu adoro as capas da Vampiro Gigante, Maria Dulce! Todas elas, as cinzentas de Christie, as verdes de Stout, as amarelas de Doyle, as vermelhas de Highsmith e as azuis de Queen… já as da Vampiro achava demasiado distractivas, apesar de algumas serem magníficas. As capas da Corvo, dizendo menos, dizem-me mais.
Desde 1982 que este Murder at the Vicarage se chamava por cá “Encontro com um assassino”, primeiro livro com Miss Marple escrito pela incontornável Agatha Christie.
Quando a Asa comprou os direitos que pertenceram à Livros do Brasil, reviu grande parte dos títulos que eram já clássicos.
Uma pena. “Encontro com um assassino” deixa sempre a ideia de Miss Marple, aparentemente distraída, a perguntar ao ainda desconhecido assassino se não quer uma chávena de chá; “Crime no Vicariato”, pronto, é um crime…
Voltamos ao ponto que referi aqui: s-palavras-em-vias-de-extincao-10450154
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a
A primeira coisa que um tradutor actual faz, com o aval expresso da editora, é alterar o título já consagrado na versão portuguesa.
Esta “marcação de território”, em vários casos, surge com o propósito não confessado de embarretar o leitor. Este é levado a pensar que se trata de obra diferente quando afinal é aquela que já tem numa estante lá de casa.
Sem dúvida!
Reuni os 40 volumes da Vampiro Gigante ao longo de duas décadas de busca por lojas, alfarrabistas e particulares. Este título foi o último, emparelhado com o The Sittaford Mistery. Sabendo da minha dificuldade para encontrar alguns títulos, e não se recordando de ler este nas minhas prateleiras, um familiar viu o primeiro livro da Asa à venda e ofereceu-mo. Gostei do que vi, até porque andava no ar a ideia de alguns escritores pegarem em Poirot, Marple e Battle e escreverem novas histórias.
A alegria durou-me muito pouco.
Tal como a alegria de termos novas histórias dos detectives, pelas críticas que li…
No postal que indica, dei a opinião sobre as várias motivações destes tradutores… é verdade que uma primeira tradução não é forçosamente a melhor, mas nada se perdia se, antes de nova tradução, deitassem os olhos às anteriores. Sei lá se não me trocaram a Tuppence por dois vinténs!
Um dia destes faço um levantamento completo sobre este tema. Dará que pensar, seguramente.
Não será tarefa fácil, mas seguramente será interessante, Pedro.
Cá, ou em livro, aguardarei tal iniciativa.
Os títulos mudam. O que também muda, e ainda com mais frequência, são as capas. Há capas que deviam ser património da história que encerram. E há outras que são autênticos assassínios do espírito do mesmo. Estas ficam bem com os novos títulos.
As capas variam. Algumas são óptimas (as da Relógio d’Água, por exemplo). Outras são péssimas, sobretudo quando se recorre por sistema a bancos de imagem, o habitual expediente das editoras para evitarem pagar hoje a alguém com mérito artístico.
Basta colarem a fotozinha. Como se uma capa fosse um cromo.
Lembro-me sempre das da Difel. E, sim, as da Relógio d’Água são muito boas. E as da Bertrand também, na maioria das colecções.
E achei muito interessantes as da Quinta Essência, que suponho seja uma filha da Leya. O cuidado na imagem, o relevo e até os cheiros… gosto da escrita da imaginação e da humanidade de Sarah Addison Allen, e as capas desta editora são uma caixa lindíssima para os seus livros. Apetece espreitar o que preservam e encerram.
Suponho que deveriam ser estas as missões das capas. Pelo menos, são as que gostaria de ver desempenhadas.
Quando acabar a série das estátuas, talvez comece uma série com capas de livros. Ando há uns tempos com vontade disso.
Fico a aguardar, Pedro! Talvez seja mais fácil localizar as várias capas, que obviamente incluem os títulos, do que focar as próprias traduções, algumas nascidas e morridas em pequenas editoras desaparecidas…
Há casos em que a primeira edição portuguesa tem uma capa muito mais bem conseguida do que a primeira edição original. Tim, de Colleen McCullough, pex. Que teve até uma edição portuguesa com um erro de palmatória no nome da escritora…
Para mim as capas da Tinta da China continuam a ser das melhores.
⚘
Maria
Gosto muito também. Das capas e da editora.
Não só. Se o título na obra traduzida for original, podem recair sobre ele direitos de autor.
Sem dúvida. Bem lembrado. Há direitos de autor inerentes à tradução, “pormenor” que algumas editoras parecem esquecer, com uma impressionante ligeireza.
E as capas ? Lá se foram as imaginativas capas de A. Pedro Pires de Oliveira.
De capas não podemos queixar-nos agora: esta edição do Público tem uma boa capa, num apropriado estilo ‘rétro’. É, aliás, uma edição muito cuidada. Exceptuando na falta de respeito por um título já consagrado na versão portuguesa do romance, como ficou assinalado ali mais acima.
As capas dos meus livros de Agatha Christie são todas iguais, era assim que funcionava a colecção vampiro. Suponho que, salvo erro da primeira tradução, as seguintes deviam manter o título. Se na língua original o título se mantém por séculos, não vejo razão para mudança. Dá unidade e substância à obra e não origina confusões.
Inteiramente de acordo.
Agatha Christie nutriu grande parte da sua inesgotável inspiração em children’s games & nursery rhymes , “One two, Buckle my shoe”, Mrs. McGinty’s Dead”, “Three Blind Mice”, “Hickory, Dickory, Dock”,”A Pocket Full of Rye”,Five little Pigs”, “Crooked House” etc., cujo significado e essência se perdem bastante na tradução, apesar de os títulos em português de Portugal fazerem algum sentido. Inevitavelmente , perde-se também aquela mística que sempre ligou o macabro aos contos, contas , cantos e cantares infantis.
Também coleccionei estes Vampiro Gigante, cinzentões e inexpressivos na capa, misteriosos e plenos de sabor ao voltar de cada página, e outros de outras cores e de outros excelentes autores de crime e mistério , Stanley Gardner, Conan Doyle, Chandler, Stout, estupendos para revisitar sempre que um título contemporâneo nos desapontar.
Como eu. Também tenho vários destes livros antigos guardados: nunca passam de moda.
Agora a moda da tradução literal é tão acentuada, nestes analfabetos que passam por tradutores, que já cheguei a ver ‘vin rouge’ (numa série francesa) traduzido por vinho vermelho.
Não fazem a menor ideia do que significa o nobre e culto verbo traduzir.
Mas eu adoro as capas da Vampiro Gigante, Maria Dulce! Todas elas, as cinzentas de Christie, as verdes de Stout, as amarelas de Doyle, as vermelhas de Highsmith e as azuis de Queen… já as da Vampiro achava demasiado distractivas, apesar de algumas serem magníficas. As capas da Corvo, dizendo menos, dizem-me mais.