O Frexit


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Um grande amigo veio ontem da África Austral a Paris, para uma actividade académica, e caiu na confusão, envia-me durante a noite uma mensagem sobre o caos. As coisas foram crescendo durante o dia, o Le Monde anuncia 130 000 manifestantes e vários confrontos.

Em Portugal, enquanto o “Verdes” do BE quer legislar sobre os provérbios (deixemo-nos de rodeios, depois desta iniciativa não há qualquer dúvida, o regime acabou, está é mal-enterrado), os ur-fascistas, os comunistas e os idiotas úteis rejubilam com a deriva francesa. Já se haviam meneado com os racistas catalães, bebido uns uísques com o referendo escocês, a este sentindo qual vingança do Ultimato. E, em cada grupo à sua medida, deliciam-se com a (re)emergência dos nacionalismos mais aguerridos, míticos ou místicos, tal como o flamengo, que depois de se dulcificar para entrar no poder foi perdendo apelo e que retoma agora o caminho “durão”, ou os Faragismos avulsos. Seja porque simpatizam com essa via (os tais ur-fascistas), seja porque tudo isso simboliza esta “corja” que manda (e a faz estremecer), e é “porreiro” protestar com isso, cria público para os painéis televisivos e os murais de instagram/facebook, seja porque julgam contribuir para um “amanhã que canta”, a que agora chamam “alterglobalização” ou outra tralha qualquer que sobreviva no “discurso correcto”. 

Símbolo da coalizão estuporada que emerge, sedimentada na aversão à democracia representativa e no sonho de reviver no mundo colonial de XX, é este pequeno fait-divers. Uma colunista conhecida, nada de esquerda note-se, clama sobre a manifestação dos “coletes amarelos” que 80 por cento dos franceses os apoiam  – na bem mais pequena Lisboa há anos uma manifestação contra a austeridade, convocada por estes meios tecnológicos que se dizem agora novos, e sem instituições por trás, induzida rizomaticamente, congregou entre 150 000 e 500 000 pessoas (os números variavam imenso, consoante os locutores). Paris tem 5 vezes a população de Lisboa, grosso modo. Quererá isso dizer, por mera aritmética, que então 400 por cento dos portugueses (e estou a optar pelos números mais baixos) estavam contra o governo austero? A mesma colunista do Expresso, nada de esquerda, repito-me, traduz um texto literário elogiando os “coletes amarelos” – não registei o autor, mas pareceu-me ser de Dickens mas talvez seja do “Germinal” de Zola – e fá-lo publicar num blog da extrema-esquerda negacionista, daqueles falsários da história que negam o terrorismo comunista na democracia portuguesa e invectivam de fascistas os que se lembram (inventam, na versão deles) das FP-25.  É um pormenor que é pormaior, significando bem quem espera o esfrangalhar dos corroídos pés de barro das democracias europeias. Repito, os tais “ur-fascistas”, os (neo)comunistas, os idiotas úteis, na maioria vindo da lumpen-intelectualidade, os colunistas da imprensa escrita, comentadores da radiotelevisão. 

Acima deixo cópia de um panfleto dos “coletes amarelos” franceses. Na lista de exigências ao poder, nítido ainda que confuso (oxímoro que é precioso para a mobilização política) programa de reforma do sistema político, é patente essa coalizão ideológica, dos extremismos políticos agora unidos: o controlo da imigração (questão dextra) junto ao fim da presença (neo)colonial em África (gauchisme puro), o fim da “ideologia na escola” (Bolsonaro à Paris) e dos plásticos e da influência farmacêutica (canhotices lite), etc. E se não tiverem paciência para ler (ou se vos for difícil o francês) vejam só o ponto 16 – inscrição na constituição da proibição do Estado intervir na saúde, no ensino, na educação, na família (Cela vous rapelle quelque chose?, ou seja does that ring a bell?). E depois, claro, o ponto fundamental para estas manifestações, o seu verdadeiro motor (e o que faz estes luso-grupos tanto disto gostar): o ponto 9, o Frexit. É esse o clímax que todos estes perseguem. Uns, muitos dos tais idiotas úteis, só querem estar na orgia. Mas os outros sabem bem ao que se … deitaram.

Entretanto já recebo mensagens para uma manifestação de “coletes amarelos” portugueses, no 21 de Dezembro. Espero que a polícia, vigorosamente instruída nas suas recrutas, seja implacável. Recordo que estão presos cerca de 40 cidadãos há mais de seis meses, acusados de terrorismo, por terem combinado assaltar umas instalações desportivas e terem batido em 3 ou 4 profissionais de futebol. Quero saber se a administração interna do país tem a coragem para mandar prender, com a mesma intensidade, estes amarelos caso venham a fazer actos similares. Mesmo que esta imprensa os diga “vítimas”. De um qualquer “contexto”, social, globalizado, de “exclusão”. 

Pois eu sou do Sporting e gosto muito do Bas Dost. Mas causar dois ou três pontos na cabeça (de oiro) do avançado holandês não é tão mais grave do que avançar para partir e pilhar a capital, causando até hipotéticos ferimentos em polícias ou civis. O Estado português só tem essa alternativa, se os mariolas se portarem mal é prendê-los como aquilo aquilo que a lei diz, “terroristas”. E fazê-los apodrecer na prisão. E deixar as colunistas idiotas, seus aliados neo-comunistas e ur-fascistas a guincharem. Pois guinchos loucos não chegam ao céu.

 

37 comentários em “O Frexit”

  1. Defendi e defendo o direito ao referendo catalão, deixei os porquês em postais DO sobre o tema e não vou expô-los aqui; serve apenas como introdução, ilustração se quiser, para refutar a sua aglutinação das causas. Na sua leitura, ou na leitura que da sua faço, todas as causas nacionalistas são iguais e visam o mesmo ojectivo, mas isso não é confundir aspirações históricas, identitárias, culturais, com indignações circunstanciais? Os separatistas escoceses e catalães eram residuais, ganharam alento e correligionários quando os governos centrais entraram em ruptura com os autónomos – e no caso da Escócia o novo separatismo é, em rigor, unionista.
    Os nacionalistas franceses nem apelam a uma identidade nacional existente (que outra, além da Marianne que renegam?) nem têm matriz anti-europeísta; é um nacionalismo casuístico, pró ou contra conforme.

    Cela ne me rapelle rien que se me implodiram as sinapses… recomposta, observo que quem compôs este manifesto de um movimento supostamente inorgânico é manifestamente orgânico, e está disposto a tudo para se apossar das chaves do reino. Leia-se reino animal. Obrigada pela partilha, jpt.
    Já agora, foi pena não deixar ligação às colunas mencionadas.

    Finalmente, e invertendo o afamado “Concordo, mas”, concordo com a essência do postal e subscrevo a exigência de tratamento dos prevaricadores portugueses com a maior amplitude que a lei permitir (reservando a pena máxima para casos de morte, pois um dos problemas da Justiça é o código penal obrigar à penalização por relatividade).

    1. Estou de saída e não posso deixar grande resposta mas ainda assim atrevo-me ao resmungo. O texto foi escrito de rajada mas ainda assim quero crer que é explícito: estou a escrever detalhadamente sobre as “vontades” da Lapónia? Ou sobre a medíocre lisboa? Está escarrapachado no texto que estou a vomitar à vista das varizes lisboetas.

      1. Ou seja, não estou a dissertar sobre as características de cada nacionalismo (no caso catalão, por exemplo, um mito assente num racismo abjecto que colheu, claro, a simpatia dos sectores lusos que refiro). Já não tanto o flamengo, pois o Antuérpia ou Brugges nunca tiveram a Brigada Internacional estabelecida, o Orwell nunca escreve uma homenagem à Flandres, e os nacionalistas flamengos são um pouco mais explícitos no nacionalismo desbragado – mas ainda assim menos racistas – do que a tralha independentista catalã. Mas não é mesmo sobre cada nacionalismo mundial que escrevo, é mesmo sobre este acordo histórico entre os adeptos do Otelo Saraiva de Carvalho e os de Alpoim Calvão, alguma vez haveria de ser o óbvio, emoldurados pelos “jornalistas” de referência

        1. Por essa ordem de ideias todos Nacionalismos são racistas.

          Isso é quase parecido como que dizem os “altermundialistas” , quando lhes convém.

          1. Como na altura da crise catalã foi amplamente difundido vários ideólogos da independência catalã, alguns membros da direcção do movimento, são autores de textos que se querem legitimadores dessa independência que assentam em argumentos de índole racialista e de teor racista (basta lê-los). E que são uma verdadeira patetice intelectual, já agora. Eu usei o termo “racistas” para esse contexto.

            Mas, e para que não fiquem dúvidas, sim, a questão nacionalista tem essa componente. Os portugueses, que têm um processo nacional muito peculiar, têm tendëncia para entender o “nacionalismo” global através da sua experiência histórica. E isso é manifestamente desajustado. Sim, há uma dimensão racialista e racista (e o racismo não é o que o jornal Público divulga, a oposição dos malvados portugueses brancos contra os desgraçados negros imigrados) na afirmação nacional, há ao longo de XIX e XX (e em alguns casos até antes) a afirmação de uma raça nacionalmente específica, superior (racional ou eticamente) às outras, e aos vizinhos em particular. Não estou a dizer que o nacinoalismo é apenas isso mas teve ao longo da história e ainda tem em muitos casos (como no patético caso catalão) essa vertente.

            Mais abaixo criticam-me por falar em mitos ou místicos. Mas é exactamente isso que suporta os nacionalismos, um conjunto de mitos históricos, herdados ou produzidos. Isso não ilegitima os nacionalismos (aliás, produz o fenómeno) mas permite matizar as grandes reclamações que naturalizam a identidade nacional.

        2. (Não recebi alerta desta resposta, daí o tardio contra-comentário… não terá respondido, porque continuação, ao seu comentário,? se assim foi, explica-se a ausência de alerta. Como no quadripartido)

          Compreendi a essência, embora não compreenda os porquês – não os seus, mas os que levam gentes com objectivos distintos pugnarem por fins distintos usando os mesmos meios para um mesmo fim intermédio a partir do qual não haverá retorno. Não é só FP25 vs MDLP, os actores são muitos mais.

          O meu alerta foi apenas para o colocar tudo no mesmo saco de gatos, o que estranhei porque lhe anormal, e porque falso cf defendi e cf explicou. Os meios e os fins são, como os Princípios, relevantes, nada de misturas nestes dias cinzentos.

        3. (E sem querer entrar na questão catalã, estranho o “mito” quando se fala da Catalunha, cuja autonomia quase soberana vem de há séculos. Defendo o referendo catalão por motivos outros, da independência saberão eles)

          1. respondi acima quanto ao mito. Eu não escrevi quanto à legitimidade do referendo. Mas sim ponho em causa a mentalidade dos portuguesitos que se rebolam com o esfacelamento dos países democráticos europeus e rejubilam com as nuvens do autoritarismo. E pontapeio, com as minhas modestas forças, esse nacionalismo secessionista (e inventado)

          2. Vi a resposta, e discordo. Por razões históricas, pois concordo quanto ao aproveitamento e infiltração – de Valência dizem-me os primos que a corrupção estará na base da urgência de Puidgmont, e acredito que sim. Mas não apenas, a História é longa e contada de séculos.

            Da mesma maneira que jpt o perguntou sobre De Gaulle, pergunto-lhe: acha que sabem o que defendem exactamente, esses portuguesitos? Não lhes diminuo o conhecimento, repare!, apenas lhes questiono o discernimento, e por aí a sua acusação.

          3. Acho que não. Julgo que, como resmunguei num postal sobre os casacos-amarelos, e há algum tempo noutros sobre outras coisas, há uma vontade anti-democrática (V; por aqui falou em democracia participativa, que é o nome que os comunistas e neocomunistas usam agora para achincalhar a democracia representativa – à qual continuam a chamar formal -, sem utilizar o poluído termo referendária), que une extremistas à direita e à esquerda, na verbalização lite que esta moda outono-inverno permite. E associa os patetas letrados, que gostam de “dizer mal”. De facto não sabem bem o que querem, querem autoridade muitos deles, querem “bem” outros

            Quanto à corrupção na Catalunha não sei nada. Mas sei a apetência com que adversários da democracia acolhem as secesões pretendidas dos Estado funcionais. A Catalunha independente é uma derivação. Se quiserem que o sejam mas é uma invenção. Como esta Flandres que está, de novo, em fuga.

          4. Chamei-lhe representativa porque é essa que pretendo, independentemente das conotações que lhe dêem. Quero cidadãos a representar-nos e quero-nos cidadãos a sermos efectivamente representados, e não percebo porque votamos executivo e legislativo camarário mas só votamos legislativo nacional, pex – leia-se poder. Mss este é outro assunto.

            Sobre os movimentos nacionalistas identitários, por oposição ao francês ou a um embrionário português, não me espantam e inserem-se na espiral de que falei noutro comentário a um outro seu postal; somos ainda tribais, e a oclusão do pensamento eclode sentimentos primários.

  2. Racistas são os favoráveis à independência /revisão da autonomia catalã? Parece-me manifestamente exagerado. Os Escoceses independentistas são -no também? Parece-me manifestamente exagerado.

    Quanto aos coletes amarelos julgo que, inicialmente, o motivo de descontentamento se relacionava com a exagerada carga fiscal, sobre uma classe média que não é suficientemente”baixa”para receber apoios do Estado e simultaneamente a que mais tem perdido com as políticas de ajustamento europeu. Uma classe média representada por pessoas cujos pais representavam uma classe baixa e que com a melhoria das condições sociais conseguiu dela sair, criando a expectativa, junto dos seus filhos, da natural melhoria social trazida por um progresso material natural – semelhante ao que se passou e passa em Portugal, após o fim da ditadura e a democratização do Ensino.

    Uma classe social que se se sente injustiçada e desamparada pela falta de identificação e representação partidária. Obviamente que este descontentamento é posteriormente aproveitado politicamente, invadido por vanguardas que manipulam descontentamentos legítimos, com fins políticos, para lá do que era inicialmente promovido.

    Aconteceu algo semelhante por cá , na Manifestação da Ponte 25 de Abril. Ou é em certo sentido o que se passou também na Tunísia, em que um facto acidental, a imolação de Bouazizi, se propagou sistemicamente pelo país , em razão do descontentamento generalizado de vários sectores da população. Obviamente que também aqui houve posteriormente aproveitamento político de um movimento inicialmente inorgânico.

    A bem do Projecto Europeu alguma coisa vai ter de mudar, ou acabará por a legitimidade, desse projeto, ser garantida, exclusivamente, com cargas policiais sobre uma população que tem o Direito de decidir.

    1. A menos que, em vez de “vanguarda”, quisesses escrever “vã guarda”, e nesse caso ignora o comentário anterior e desliga o corrector automático….:)

  3. O que Umberto Eco infere em sua reflexão nada tem que ver com o seu texto, jpt.
    Penso que se socorreu de um pensamento correcto para passar uma mensagem incorrecta.
    O que Umberto infere em seu pensamento indica que existe uma onda conservadora na estrutura biológica e social do Homem, que de acordo com as circunstâncias fantasia.
    Mas esta fantasia tem uma lógica própria, na medida em que é capaz de racionalizar a oportunidade, isto é, de se apoderar da insatisfação para propor uma miscelânea que acabará sempre por se esboroar.
    Eco não oferece nada de novo ao mundo e também é escolhido indevidamente como auxílio de sua reflexão.
    Eco é capaz de compreender o fenómeno à luz das realidades. E o Homem, quer se queira quer não, não avança em saber só porque a ciência avança, pois a ciência é do Homem e não o Homem da ciência.
    Por outro lado, vivemos uma sociedade de rejeição: rejeitamo-nos uns aos outros. Rejeitamos os novos, rejeitamos os idosos, rejeitamos os doentes, rejeitamos os desvalidos, rejeitamos os deficientes… E quando colocamos os que necessitam para dito apoio institucional estamos novamente a rejeitá-los. Porque acreditamos que entregá-los e colocá-los debaixo de um tecto justifica a rejeição que se continua a manter. Na realidade aquilo que se tem vindo a fazer não passa da substituição da rejeição por uma rejeição politicamente correcta.
    Tão correcta é que mais fácil se torna propagar a eutanásia e o aborto que lutar pelo que verdadeiramente ao Homem diz respeito. A rejeição também é isto. Em nome de um dolorismo psicológico bacoco apoiam-se soluções que dão sinais contrários. Isto é: a necessidade da afectividade, da verdadeira inclusão – e não essa inclusão gramatical estúpida que os avançados civilizacionais apregoam -.

    Em termos de conclusão: Quando o Homem tem fome alimenta-se de qualquer coisa, incluindo do próprio homem, para garantir seu alimento. Esquecendo que este alimento não chega por subtracção mas por multiplicação. Portanto, um espírito pouco alimentado vai continuar a alimentar-se de fantasias e da carne de todos os demais. Isto é ainda o Homem e não as ideologias. Elas surgem para justificar o anterior.

    1. Obrigado pelo seu comentário crítico. O texto tem várias pistas e tem, com toda a certeza, várias interpretações. Porque pego nele (apesar de nem o pensar como particularmente iluminador)? Por algo que não está na linha da sua interpretação – pela abordagem que penso algo fluída mas também necessária ao fascismo. Há uma longa discussão sobre o que é exactamente “fascismo”, diversas linhas que propõem uma definição mais ou menos estreita (conceptual?) do termo, e da sua competente adequação a realidades históricas. E isso tem uma tradução vulgar – principalmente entre os locutores que se revêm como topologicamente algo próximos de formulações da direita autoritária -, essa de negar a característica de “fascista” a tudo o que não seja o que um qualquer tipo ideal de fascismo a que aderem foi. Ainda recentemente aqui um comentador me dizia, a propósito de uma qualquer utilização do termo que eu fizera, que o visado (não recordo) não era como Hitler e como tal a minha utilização era incorrecta. Pronto, e assim ficamos, o ónus de “fascista” fica arredado de tudo o que não seja o … nazi-fascismo (como se disse em tempos) ou, vá lá, Mussolini e dois ou três epígonos seus coetâneos. E é isso que Eco desmonta, é por isso que o convoquei, para que não me repitam argumentos vãos. Há realmente “fascismos” e mentalidades fascistas na historia subsequente à II Guerra Mundial, sem que isso implique que sejam movimentos que queiram replicar exactamente os conteúdos daquela época.

      Isto é muito simples: não sendo eu simpatizante do PCP ou dos partidos comunistas que se congregaram na coligação BE, não acredito que o deputado Jerónimo de Sousa queira massacrar os remanescentes agricultores de pequenas courelas de Minho e Trás-os-Montes ou transferir todas a população da Madeira para os Açores, como o comunista Estaline fez. Não é por isso que refuto a sua (auto)classificação como comunista. Tal como não acredito que o professor Louçã (nem simpáticas políticas como Marisa Matias ou, antigamente, Ana Drago) quisessem enviar grande parte dos professores para campos de concentração no rural distante (que escasseia) para morrerem de fome por escassez de bolota, como os seus (agora inditos) ídolos chineses e albaneses defenderiam. Não é por isso que lhes refuto a condição (agora muito escondida, mas não há pouco) de comunistas – a gente habitua-se a esquecer isso mas convém não o fazer. Já para os fascismos as pessoas exigem que o indivíduo defenda a camara de gás para os judeus para que se possa considerar a presença desse aglomerado de concepções. Para mim não pega, e gosto da definição abrangente dessa noção fluída feita pelo simpático Eco

      1. Volto a insistir, não obstante a justificação que me oferece para incluir Eco em sua reflexão, no aspecto biológico e social conservador do Homem. E volto a utilizar a afirmação que fiz em um seu post mais acima: O Homem não avança em saber só porque a ciência avança, pois a ciência é do Homem e não o contrário.
        Quero com isto dizer – e já lá vou ao fascismo – que é necessário compreender a ciência, com a reserva necessária, ao serviço do Homem e não para ser usada ao serviço de causas particulares. A ciência, o conhecimento, não pode estar aí com a pretensão de modificar a essência deste animal social – que necessita dar conta da outra natureza, espiritual, aquela que verdadeiramente renova -, pois esta não é a sua função.
        Alguns hospitais universitários, e outros hospitais, nos USA têm vindo a usar as suas terapias coadjuvadas pela natureza espiritual dos seus utentes, fazendo com que grupos externos ligados à religião auxiliem na terapêutica desses utentes. E têm dado conta ao longo deste tempo que a ciência surge vitoriosa com a conjugação destes factores. Isto é, mesmo quando a ciência não é capaz de compreender o que originou a cura de uma pessoa de forma tão rápida, e também o milagre (literalmente), o cientista, o que aplica o conhecimento científico, assume que outra dimensão age sobre o individuo, mesmo quando este se encontra identificado como estando em fase terminal.

        O conhecimento sobre esta outra dimensão do Homem, e da possibilidade de a ela se aceder, é o gatilho para o novo nascimento, como um percurso e não como uma solução imediata. Neste particular, o evolutivo, não se operam milagres. Os milagres acontecem quando se caminha.

        Agora o fascismo: o fascismo é uma circunstância e não um programa.

        Qual o objectivo desta suposta prelecção? Simplesmente para dizer que o que nos aproxima mais uns dos outros é a compreensão da circunstância do outro e de cada um. Enquanto não conseguirmos ver-nos nas circunstâncias de cada um, as tensões continuarão a ser geradas e buscar-se-ão soluções ideológicos que nunca completarão a necessidade de Ser e do Ser.
        Podemos sempre enviar para a cadeia quem roubou um pão. Mas se compreendêssemos a razão do roubo talvez criássemos as condições necessárias para assegurar que esse outro nunca passe tempo na prisão por causa de pão. A ideologia confronta-se porque tem como princípio a oposição. O sentido espiritual do Homem tem como propósito a congregação pela renovação do próprio Homem. Este será o futuro. É esta a Revelação.

  4. Jpt enquanto passeava o canídeo pensava:

    Até que ponto poderão vir a ser ( serão já? ) movimentos de contestação popular manipulados para se fazerem passar por Extremistas, com o fito de os desestabilizar e descredibilizar?

    Um pouco como no passado, em que os movimentos pró-democracia eram etiquetados como comunistas?

    Até que ponto esse manifesto não foi “fabricado” pelos “Serviços “?

    1. Bolas, e ainda dizes tu que não te apanho no relativismo!

      A desinformação promovida pelas Inteligências tem longa tradição, sim; mas tira o manifesto da equação. Atenta nas reivindicações desconexas, desarticuladas, cada grupóide a invocar razões distintas para gritar presente. Vê a amplitude das invocações, e tenta justificar a sua coexistência no mesmo espaço e no mesmo lado da barricada. Que sumo?

  5. Lembrar que o Jornalismo atacou o Tea Party que foi um movimento pacífico e civilizado nos EUA. O próximo poderá já não ser…

    “16 – inscrição na constituição da proibição do Estado intervir na saúde, no ensino, na educação, na família.”

    Parece-me bem. Lembra o quê?

    “…e os mariolas se portarem mal é prendê-los como aquilo aquilo que a lei diz, “terroristas”…”

    Sim, o regime está enterrado – desde 2004 a data do Golpe – e autor ajuda, não se viu nenhum protesto dos manipuladores das causas por uma pessoa ser acusado de terrorismo sem o ser.

    —-
    Como sempre nestes textos do JPT concordo e discordo. Tal como do folheto dos gilet jaunes várias coisas concordo, outras discordo.

    1. Concorda com o 16? Com o quê exactamente? V. tem a noção da aberração disso, da enorme patetice? Nem vou contra-comentar.

      Concorda com algumas coisas e não com outras? Claro. Acho que quase todos pensamos o mesmo. É um manifesto porreiro. Eu punha-lhe mais um ponto, subsídio mensal para os bloguistas e para os comentadores de blogues. E ainda mais gente ficaria contente.

    2. Já agora, o Tea Party era um coisa repugnante, intelectuamente abjecta. A única coisa que pode levar a alguma consideração por aquela tropa evangélica e seus sequazes – francamente não consigo perceber como é que um europeu pode ter apreço por aquilo, a não ser que seja um analfabeto crente nessas assembleias de deus dinamizadas por aldrabões brasileiros nas décadas passadas – é a emergência de um tipo como Trump que os ultrapassa na truculência.

      1. O movimento independentista não se relacionava com a falta de representatividade dos americanos no parlamento britânico? E com a obrigação de contraírem empréstimos, exculsivamente, ao Banco de Inglaterra, associado a falência da Inglaterra, decorrente da guerra dos 7 anos? Com a impossibilidade de terem voz na política fiscal do seu país?

  6. estão presos cerca de 40 cidadãos há mais de seis meses, acusados de terrorismo, por terem combinado assaltar umas instalações desportivas e terem batido em 3 ou 4 profissionais de futebol

    Muito bem lembrado e criticado, jpt. Felicito-o.

    1. Como o Luís Lavoura teve a dúbia amabilidade de me rejuvenescer, talvez por isso eu tenha uma memória mais fresca e, assim, me consiga lembrar de que quando o fizeram, esses 40, a lei já estava escrita, e que mesmo que a reformulem o crime continuará a ser terrorismo.

      A definição destoa à luz dos ataques quotidianos – embora a muitos só destoe pelos ataques no mundo ocidental, que os outros ocorrem para trás do sol posto; mas não destoa à luz da época que a pariu. E ninguém mais se voltou a lembrar dela, desta lei, o que demonstra a desarticulação dos nossos serviços… mas isto já são demasiados pormenores paralelos ao tema.

      1. A lei estava escrita, ponto final parágrafo. O que digo é aquele pouco que aprendi de direito no liceu (o que apreendi na faculdade de direito já se me escapou): dura lex, sed lex. Ou seja, se a Juve Leo é presa por invadir Alcochete (e acho muito bem) que estes holigões canarinhos sejam igualmente presos como terroristas se combinarem malfeitorias em Lisboa.

        1. Mas quanto a isso, nãohá qualquer dúvida, jpt!

          Apenas elucidei ali o Lavoura que, como tantos outros, aparenta achar que o juiz é que foi o mau da fita.

          1. O mito ou o homem? Porque o homem era, apesar de prepotente, um juiz coerente. Apenas fazia a sua própria lei… não foi o caso, que acabou por re-inaugurar o género. Há mais de 30 anos que aquela moldura não era usada, talvez, e acho que num único caso, que terroristas houve muitos mas “ao menino e ao ‘faxo’, metem eles a mão por ‘baxo'” assim ouvi eu dizer a alguns.

  7. Não sei quem é que, concretamente, o jpt designa por “racistas catalães”. O jpt deve notar que há racistas em muitos países europeus; por exemplo, na Inglaterra têm-se verificado, desde o referendo ao Brexit, ataques contra imigrantes (incluindo portugueses), e na Alemanha e Suécia há ataques muito frequentes contra refugiados. Não sei se o jpt estará por causa disso disposto a utilizar nos seus textos as expressões “racistas ingleses” ou “racistas suecos”.

    1. Racistas haverá em todo o lado A liderança do folclórico independentismo catalão tem uns rapazes, já amadurecidos, que escreveram e escrevem uns textos sobre o “ser catalão” que até no século XIX seriam patéticos. Os cultores do independentismo catalão – grosso modo o esquerdismo giro e a direita eurófoba – cala o assunto.

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