
Imagem de um vídeo de homenagem à chanceler que passou esta tarde na conferência do CDU em Hamburgo/Foto: Reuters
Angela Merkel despediu-se esta Sexta-feira da liderança do partido dos Democratas Cristãos (CDU). Apesar de continuar à frente dos desígnios da Alemanha até terminar o seu mandato em 2021, é impossível não sentir no ar um certo ambiente de “fim de festa” e de incerteza. Tenha-se gostado mais ou menos da sua liderança, é preciso reconhecer que Merkel se tornou, com o passar dos anos, no único referencial de poder político do projecto europeu. Quando chega à liderança da Alemanha, em 2005, naturalmente, o Mundo e a Europa eram diferentes, as relações de poder eram outras e os desafios que se vislumbravam então no horizonte estavam longe de perspectivar uma crise financeira de proporções gigantescas, uma crise migratória massiva a fazer relembrar imagens de períodos de guerra, o aceleramento da crise ambiental, a emergência dos populismos, que reavivaram fantasmas do passado que se pensava estarem enterrados, ou a dilaceração do projecto europeu bem no seu “coração”, com o Brexit.
Merkel chegou à liderança do CDU numa altura em que os grandes partidos tradicionais na Europa ainda se impunham nos sistemas políticos e num tempo em que havia lideranças entusiasmadas com o projecto europeu, tais como Chirac, em França, ou Blair, no Reino Unido. Mas não só. Tínhamos Verhofstadt na Bélgica, Berlusconi em Itália, Juncker no Luxemburgo e Balkenende na Holanda. Concordando-se ou não com os seus estilos, todos eles eram líderes convictos na virtuosidade da construção europeia e, de certa forma, transmitiam esse ambiente mobilizador (e isto em política tem mais importância do que se possa pensar).
Quando Merkel chegou ao grande palco da política europeia viu-se rodeada de defensores do projecto europeu, estando ela própria, ironicamente, a iniciar a sua caminhada com enorme cepticismo sobre a Europa. Mas, com a ajuda de uma Alemanha economicamente estável (em parte devido às reformas do mal amado Gerhard Schroeder) e depois de ir vencendo os desafios políticos internos, Merkel foi assumindo o papel de líder no projecto europeu, foi percebendo que a História a estava a empurrar para algo maior que, provavelmente, nunca imaginaria há quase duas décadas.
Dezoito anos depois, já com poucos “amigos” europeístas, com o Reino Unido de saída e um Emmanuel Macron impotente, Merkel está só na defesa das virtudes de uma Europa integrada e solidária. Diz que se vai manter no poder até 2021, mas dificilmente isso acontecerá. É muito provável que, entretanto, deixe o cargo de chanceler, mas, quando esse momento chegar, ela fá-lo-á enquanto única grande Estadista europeísta em exercício. E isso, para aqueles que vêem na Europa um projecto virtuoso e inspirador, deve motivar a mais profunda reflexão sobre as nossas actuais lideranças.

um Emmanuel Macron impotente
Não se diz isso de um homem!
Pois, deveria dizer com disfunção eréctil. É politicamente mais correcto.
Os europeístas não perderam apenas os seus líderes mobilizadores, ou estes não perderam a sua capacidade de mobilização. Foi o Projecto que, rígido, perdeu mobilidade e, não se tendo adaptado às transformações mundiais que não soube antever porque encapsulado em Bruxelas, quebrou por tracção.
Mais do que pensarmos nas lideranças, temos que repensar os projectos. Europeu e nacionais.
O maior desastre Europeu da ultima década; ressalva o qualificativo maior deve-se à importância da Alemanha.
Combateu a bolha da dívida com uma bolha ainda maior forçando o BCE.
Inconsciente, ou muito consciente incentivou a vinda de milhões de pessoas para a Europa com cultura tribal, racista e sexista.
Contribuindo assim para a subida da AfD, Salvini, muitos outros e ainda estamos no começo.
Merkel colocou um dos pregos no caixão da Europa.
Europa como Europa não estou a falar da usurpação que os Unionistas como autor se apropriaram da palavra Europa.
Uma europeísta convicta que defende a Alemanha “über alles”, não dá.
A má resolução da crise do Euro em que a falência de economias periféricas acabaram a arrastar tudo é em grande parte responsabilidade de Merkel.
Fez de aprendiz de feiticeira, pensou que se salvaguardasse os bancos alemães antes de tudo, o resto da Europa continuava solidária entre si e com a Alemanha, não ficou.
Também julgo que o projecto europeu precisa reforma; não para se aposentar, mas para se revitalizar como projecto comunitário e ganhar credibilidade interna e externa. Não sei como se faz, mas, se é para continuar, tem que enraizar de novo, há muita raiz solta.
Eu acho que deviam haver outros assuntos para falar.
Por exemplo este:
Condição nas prisões portuguesas ‘é desumana e terceiro-mundista’
http://ionline.sapo.pt/637657
E o mesmo se que aplica aos media, são desumanos e terceiro-mundistas, e o que melhor fazem é enganar e divertir o povo!
E o Presidente Angolano falou num ninho de vespas lá, pois cá não há um, mas vários!
O Presidente Angolano devia vir para cá!