Os comunocapitalistas


Pedro Correia,

O PCP continua sempre ao lado dos hipercapitalistas chineses, membros do Partido Comunista lá do sítio. Mesmo quando ordenam o fecho total do luxuoso Ritz só para se instalarem – algo inédito nos 70 anos de história deste hotel, fundado durante o consulado de Salazar. Só nisto, a factura ascendeu a dois milhões de euros. Para eles são trocos.

Imagine-se só como reagiria o PCP se Donald Trump, Angela Merkel ou Emmanuel Macron procedessem assim numa visita a Lisboa.

32 comentários em “Os comunocapitalistas”

  1. O PCP não se pôs ao lado dos chineses. No seu comunicado o PCP é bem explícito a dizer que deseja melhor cooperação com a China tal como com “todos os outros povos do mundo”. No seu comunicado o PCP não tece qualquer comentário sobre o regime chinês nem sobre gostar ou não gostar dele.
    O negócio entre o Estado chinês e o hotel Ritz terá sido, presumo eu, voluntário de ambas as partes. Se o Ritz aceitou estar em exclusivo para os seus hóspedes chineses, é lá com ele. Ninguém tem nada que criticar. Se o Estado chinês tem dois milhões de euros para gastar desta forma, também é lá com ele.

    1. Substitua lá a palavra China com os EUA…

      “O negócio entre o Estado chinês e o hotel Ritz terá sido, presumo eu, voluntário de ambas as partes. Se o Ritz aceitou estar em exclusivo para os seus hóspedes chineses, é lá com ele. Ninguém tem nada que criticar.”

      Não sabia que era essa a sua moral ou a do PCP: Voluntarismo
      https://en.wikipedia.org/wiki/Voluntaryism

      Fiquei hoje a saber que o PCP vai abandonar o falsamente chamado “salário mínimo” que nada tem de voluntário, o emprego para toda vida, etc etc.

      1. Eu não sou nem nunca fui nem pretendo ser do PCP. Nem eu represento as posições do PCP, nem o PCP representa as minhas posições.

    2. “Se o Ritz aceitou estar em exclusivo para os seus hóspedes chineses, é lá com ele. Ninguém tem nada que criticar.”

      O LV acaba de refutar todas as suas criticas passadas ao capitalismo, à livre iniciativa e às escolhas voluntárias entre indivíduos.

      Acordou para a vida ou isto é apenas mais uma tirada só para ser do contra (como sempre)?

      1. Cite-me lá por favor essas minhas supostas criticas passadas ao capitalismo, à livre iniciativa e às escolhas voluntárias entre indivíduos para eu ver se elas contradizem o que agora escrevi. É que não me recordo de ter caído em tal contradição…

        1. Sempre que defende o socialismo e o comunismo está a atacar o capitalismo e a livre iniciativa. Não foram poucas vezes.

      2. O Lavoura é um “liberal” sui generis.
        Mais socialista do que os socialistas.
        E filo-comunista, quando a sineta soa. Como foi agora o caso em que correu na defesa do PCP.

        1. Um filo-comunista é um indivíduo amigo dos comunistas. Isso eu não sou, pode ter a certeza.
          Mas não tenho problemas em acorrer em defesa do PCP quando ele é injustamente atacado e caluniado, como no caso deste post.

          1. “Mas não tenho problemas em acorrer em defesa do PCP quando ele é injustamente atacado e caluniado, como no caso deste post.”

            Então é injusto atacar quem critica o luxo só quando é dos outros?

    1. De rastos perante a plutocracia chinesa. Com a foice bem escondida e o martelo bem enterrado. Não vá isso ofender as susceptibilidades da nova classe dirigente chinesa, actual modelo do PCP.

  2. A propósito de comparações com estadistas de outras potências, não é a primeira vez que Portugal recebe a visita de um presidente chinês. Hu Jintao veio em Novembro de 2010. Manifestaram-se meia dúzia de tibetanos, prudentemente afastados pela polícia (desta vez foram os próprios seguranças chineses a fazê-lo).
    Dias depois, iniciava-se a cimeira da NATO em Lisboa. Claro que aí já houve milhares de “activistas” e profissionais das manifs nas ruas, protestando sem parar contra, segundo eles, contra “os poderosos do mundo”. Curiosamente, o presidente chinês tinha sido considerado pouco tempo antes o homem mais poderoso do mundo, mas estranhamente os manifestantes não se lembraram de protestar na sua visita. Deviam estar a descansar para a cimeira da NATO.

    1. As indignações selectivas são profundamente fatigantes, João Pedro.
      Ainda me lembro da visita de Angela Merkel em Lisboa, em 2013: milhares saíram à rua, muitos com cartazes em que pintavam a chanceler alemã com bigode de Hitler, outros acenderam fogueiras dizendo que queriam vê-la arder.
      Desta vez, com o ditador chinês, nem se ouviu sequer um sussurro a propósito do Tibete.
      Os indignados profissionais devem andar muito cansados.

  3. Merkel e Macron jamais fariam algo do genero pois teriam que se justificar perante os seus cidadãos. Algo que este comunocapitalista jamais terá que fazer. Mas pior que o comunocapitalista, é quem se rebaixa perante o mesmo. E esses, como vimos, não são só do PCP. Antes fossem.

      1. Tem toda a razão, quem lhes vendeu a REN e a EDP a mando de estados estrangeiros também se rebaixou, só mesmo no Portugal dos “liberais” (e de memória curta), até o delfim Montenegro, um “liberal” dos “nossos” veio defender a cooperação inclinada que temos com a China.
        Tenham vergonha.

        WW

        1. Um liberal defende a livre circulação de capitais. Não sei qual é o seu espanto.
          Devia antes espantar-se com o governo grego, que é da esquerda radical e mesmo assim não hesitou em alienar à finança chinesa dois terços da sociedade estatal que exporta o Porto do Pireu. Com um contrato de privatização válido até 2052, a troco de 368,5 milhões de euros.
          https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/grecia_cede_a_china_67_do_porto_do_pireu_ate_2052

          Lá, como cá, estavam a precisar de investimento estrangeiro como de pão para a boca. Tão “liberais” que são afinal os esquerdistas radicais do Syriza…

          1. Ainda estou à espera dos resultados à investigação sobre os Panamá papers…
            Investimento estrangeiro não , saque de certeza a mando de quem beneficia do nosso desastre. A EDP só não foi vendida aos alemães pois dava demasiado nas vistas .

            WW

    1. Risível se não fosse trágico. Um país completamente descapitalizado não só financeiramente mas destruído moralmente pelo jornalismo Marxista claro que tem de vender os anéis. E mais se seguirá.

      Metes lá o teu dinheiro na EDP? Não queres Estado Social?

      1. Vai tratar por tu a puta que te pariu. Falava não terem sido só os comunistas a ficarem calados e genuflectidos perante um país que não respeita os mais elementares Direitos Humanos e é o Dono Disto Tudo.

        https://www.google.pt/amp/s/www.jornaldenegocios.pt/economia/mundo/amp/alemanha-compra-rede-electrica-para-evitar-entrada-de-empresa-chinesa

        https://www.google.pt/amp/s/www.jornaldenegocios.pt/economia/mundo/amp/alemanha-bloqueia-compra-de-metalurgica-por-chineses

      2. Destruído pelo jornalismo marxista!!! Pensava que tivessem sido os Bancos e os negócios ruinosos do Estado os responsáveis pela desmotivação moral.

        https://www.google.pt/amp/s/www.tsf.pt/economia/interior/amp/entrevista-estados-unidos-atentos-e-criticos-do-investimento-chines-em-portugal–9558166.html

        Uma entidade estatal comprar uma parte de uma empresa é uma coisa, é um investimento”. Agora, a “compra de uma empresa toda e com importância crítica nas infraestruturas” de um país “é diferente: é política”, salientou George Glass.

        Havia também uma boa e mais segura proposta alemã para a compra da EDP.

  4. Provavelmente como procederam quando Madonna fechou o parque de estacionamento?
    Tem memória de o PCP (ou outro partido, já agora) ter criticado os gastos de comitivas de outros países? Confesso que eu não.

    Basicamente, Pedro, o meu comentário pretende apontar que, de todas as falhas que o PCP comete quando enaltece o regime chinês sem lhe esventrar os defeitos, esta de não ter dito nada sobre o hotel é muito mal apontada.

    E, repetindo WW e o Pedro Vorph, a subserviência notou-se no PCP mas também no CDS e no PSD de há dois governos atrás: Energia, Banca, Seguros.

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