Post-it


modosdever,

Uma pergunta: se durante uma lide o touro der uma cornada num desses moços apertadinhos em sedas, adornos, luces, fru-frus, aos gritos de hei, hei, o animal tem direito a palmas, ou fica mal? Só para saber. 

35 comentários em “Post-it”

      1. Eu vi logo que gostavas de coices. De opiniões duvido muito. É muita cultura urbana chique onde os toiros só entram aos bifes.
        Já que anda por aí tanta erudição, será possível pedir uma opinião sobre se os touros a sul do Sado são iguais aos Évora.
        Obrigado.
        O toiro ia gostar de apanhar na arena ou em qualquer outro lado, só para umas festinhas e brincadeiras.

    1. O Anónimo não percebeu. Quem deu a cornada foi o touro, quem a levou foi o toureiro, o moço cheio de fru-frus a quem, sim, se quiser, o Anónimo pode dar beijinhos e festinhas, e pedir desculpas.

  1. Se o touro matar o tal rapaz dos adornos, o que lhe acontece? Hipótese 1: vai para o Panteão. Hipótese 2: é condecorado no 10 de junho com a Ordem de Mérito Agrícola.

  2. O animal quando é de uma bravura excepcional, é aplaudido de pé, e em Espanha onde o touro é morto na arena, é indultado e devolvido ao campo onde durante 4 ou mais anos viveu em total liberdade ao contrário dos seus irmãos de “carne” que vivem somente 18 a 24 meses enjaulados a criar carne para o matadouro.

    1. Bem, fico a saber que, por cá, se o touro for apenas bravo nem sentado é aplaudido, e que, em Espanha, é “indultado” e devolvido aos campos aonde o foram buscar para ser picado por heróis e plateias medievais e por fim – na melhor das hipóteses – “indultado” sabe-se lá por que pecado original ou crime cometido nas várzeas.

    2. Indultado. O touro é então indultado. Seria hilariante, mas desgraçadamente é patético: até onde vai a desfaçatez na busca de argumentos que defendam o indefensável… Se o touro recebe um indulto é porque foi condenado; se foi condenado é porque foi sentenciado; se foi sentenciado é porque praticou acto ilícito; e praticou-o estando reunidos pressupostos de culpabilidade (desde logo dolo ou negligência); isto é, o touro distingue o bem do mal e perante o mal deseja conscientemente as suas consequências, ou pelo menos conforma-se com elas; o touro é, portanto, imputável; ou seja, é dotado da razão. Para os “aficionados” o touro é assim um animal racional!

      Um igual aos humanos. E todavia fazem-lhe o que lhe fazem. Já agora, onde fica registado, consagrado, o expresso consentimento, devidamente informado, para tanto dado pelo touro?

      Quanto à sorte dos animais para abate e consumo, ela – horrível, é facto, por regra – só não é conhecida por quem não quer. Há aí um penosíssimo e urgente caminho a percorrer.

      Justifica esse horror, que tem com ele necessidades e práticas alimentares de toda uma espécie (o que não desculpa a barbárie), esse outro, o da tourada? Em que é então a tourada (quase) essencial à subsistência da espécie humana?

      Costa

        1. Sendo aficionado, lamento não ter a capacidade argumentativa que terá um Vargas Llosa, ou ate o Manuel Alegre, para já não falar no Hemingay, que não está entre nós. As posições são tão extremadas, que não existe qualquer hipótese de uma parte tentar convencer a outra.
          Independentemente das posições de cada um, não aceito de maneira nenhuma que controlem administrativamente os meus gostos.

          1. A questão de fundo aqui são as touradas e para mim tanto se me dá que Llosa, Alegre ou Hemingway gostem dela ou não. São tão senhores dos gostos dos outros como a ministra da Cultura. O que aqui está em causa é a festa feita à custa de um animal a sofrer. E é isto que os aficionados em geral, não digo que seja o seu caso, se recusam a ver.

  3. “Do not go about as a demagogue, encouraging triangles to break out of the prison of their three sides.

    If a triangle breaks out of its three sides, its life comes to a lamentable end.

    Somebody wrote a work called “The Loves of the Triangles”; I never read it, but I am sure that if triangles ever were loved, they were loved for being triangular”

    (J.K. Chesterton, Orthodoxy)

    Jorg

  4. Ainda não tomei partido.
    Confesso até que tendo para a condenação do espetáculo.
    Mas recuso terminantemente que me ponham em igualdade com um qualquer animal irracional.
    João de Brito

  5. Eu cá penso assim. Homem é homem e bicho é bicho. Ou seja, por muito horrível que seja o comportamento de uma homem, está sempre muito acima de um animal. Se um touro matar um homem, eu choro o homem. Não fico feliz com a morte de humanos. Bichos não se aplaudem, inclusivamente porque são irracionais e não sabem o que é aplaudir nem têm os nossos conceitos. Nem sequer percebem o que é um direito nem um dever. Mas não acho bem que se inflija sofrimento a um irracional. Apesar de a Natureza os ter fabricado para sofrerem.

  6. Ha quem torça pelos animais…quem torça pela civilização…os citadinos a quererem educar o mundo rural na forma como trata os animais é proprio de animais…

    1. De acordo.
      Não é possível por no mesmo patamar animais e humanos PONTO
      Os mesmos citadinos que atacam o mundo rural ligado aos toiros são os mesmo que têm cães dentro de apartamentos todos o dia e que só saem à noite para a mijinha durante 15 minutos.
      O touro de lide é um animal único que a nível mundial só ainda existe porque há touradas. Negar isto é pura ignorância.

      1. Acha então que manter uma raça para a fazer sofrer e sangrar é digno da que o senhor representa? Se acha talvez concorde consigo num ponto: nem todos os animais e nem todos os humanos estão realmente no mesmo patamar.

        1. Acha então que manter uma raça para a fazer sofrer e sangrar é digno da que o senhor representa?
          Como é que quer comer carne sem criar e matar o boi?

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