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«As fakes news não começaram nem acabam nas redes sociais. A comunicação social tradicional dorme com elas há séculos e inventou as maiores falsidades que se contaram no século XX.»
«Sobre regimes instalados com fake news basta recordar como chegou ao poder a ditadura dos ayatollahs do Irão. Uma imensa e longa campanha de notícias falsas, orquestrada na comunicação social ocidental contra o autoritarismo selvagem do Xá e a favor da democracia islâmica. Bastaram uns meses, em 1979, para perceber que afinal se tratava de um regime religioso, fundamentalista, terrorista, feudal, violador dos mais básicos direitos humanos, opressor das mulheres. Khomeini nunca escondeu isso.»
«Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.»
«Não foram Trump ou Bolsonaro que criaram as fake news. Nem foram as fake news que criaram Trump ou Bolsonaro. Foi o desgaste da democracia enquanto sistema de governo que criou Trump ou Bolsonaro e as fakes news não são mais que um dos reflexos que acompanham esse desgaste.»
«Depois da Idade das Trevas tivemos a Idade da Razão. Agora temos a Idade da Emoção. E com ela a crise da democracia liberal.»
“Fake news” sempre houve, de Nuno Garoupa.
No novíssimo Polígrafo, com votos de longa vida.

Alguma coisa valerá numa perspectiva meramente instrumental, utilitarista. Ao menos, espera-se, isso. Mas não pelo gosto de ler. É mais um tentáculo do acordismo.
Costa
Não é o caso, mas felizmente abundam as ilhas de resistência ao acordismo. Todos os dias, numa resistência nada passiva.
As escolhas morais implicam obrigatoriamente o uso do córtex frontal ventro-medial (decisão emocional ) e o córtex frontal dorso lateral (deliberativo), como bem expresso no livro de António Damásio, O Erro de Descartes – Hipótese dos marcadores somáticos.
É um anacronismo continuar a dualizar razão e emoção pois ambas influenciam- se nas decisões morais.
Quanto ao “Chá” da Pérsia, quantos sabem disto:
Em 1951, a indústria de petróleo do Irão foi nacionalizada com o apoio quase unânime do Parlamento Iraniano em um projeto de lei apresentado por Mossadegh, que liderou a facção parlamentar nacionalista. O petróleo do Irã havia sido controlado pela Anglo-Persian Oil Company (APOC), de propriedade britânica. O descontentamento popular com a APOC começou no final de 1940. Um grande segmento da população do Irão e um número de políticos viram a empresa como exploradora e um vestígio do imperialismo britânico.
O Golpe de Estado no Irã de 1953 ou Operação Ajax (conhecido no país islâmico como o Golpe Mordad 28) foi o derrube do governo democraticamente eleito do primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh em 19 de agosto de 1953, orquestrada pelas agências de inteligência do Reino Unido e Estados Unidos sob o nome de Projeto TPAJAx.
É necessário ler-se mais antes de se “amandar” bojardas.
https://foreignpolicy.com/2017/06/2 0/64-years-later-cia-finally-releases-de tails-of-iranian-coup-iran-tehran-oil/
https://nsarchive2.gwu.edu/NSAEBB/NSAEB B435/
CIA Confirms Role in 1953 Iran Coup
Talvez para se entender o derrube do Xá se tenha que compreender isto….e não “Sobre regimes instalados com fake news basta recordar como chegou ao poder a ditadura dos ayatollahs do Irão.”
Não quer recuar ainda mais?
Quarenta anos de “revolução” islâmica – ou seja, de feroz ditadura teocrática em Teerão – não chegam como matéria de reflexão?
Basta-lhe uma semana?
Problema maior que as fake News é a preferência das Bolsas por regimes políticos iliberais:
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticia s/desde-eisenhower-que-nenhum-presidente-i mpulsionava-wall-street-como-trump-37456 2
https://www.google.pt/amp/s/www.idealis ta.pt/news/financas/economia/2018/10/29/3 7787-bolsa-brasileira-em-maximo-historic o-apos-vitoria-e-discurso-de-bolsonaro%3 famp=1
Quem mete travão nessa escória inimiga da Democracia?
Não estou tão certo sobre quem será a escória inimiga da Democracia!
Mas começam, sempre, por clamar por um travão a uma escória qualquer!!
Não fazia do Justiniano um relativista moral…
Acho que o Pedro não se apercebeu do relativismo moral do seu comentário.
Nós, os virtuosos, verdadeiros amigos do autentico, os que empunhamos o facho da luz e da gloriosa virtude, caminhamos na verdade e havemos de, pela rectidão que nos anima, espezinhar os inimigos torpes e salaciosos!!
Sim, Justiniano. A complexidade leva-nos ao relativismo. Tem razão
Um discurso desculpabilizante em relação às fake news. Possivelmente porque Garoupa se sente solidário com quem as utiliza.
Não leu, certamente!! Nada de estranho, o habitual!
Eu, pelo menos, não li no texto do N. Garoupa nada de desculpabilizante.
O Lavoura, provavelmente, não aprecia a luz que lança sobre o tema, o esclarecimento e a denuncia transversal.
Possivelmente porque o Lavoura se sente solidário com quem pretende instrumentalizar o assunto para restringir as liberdades de expressão e conceder o monopólio da expressão pública a uma determinada media!!
Lavoura mal tem tempo para comentar. Como lhe sobraria tempo para ler?
Perfeitamente!!
As primeiras impressões contam muito. A minha primeira impressão deste Polígrafo é positiva.
Excelente ideia, acredito que será bem levada à prática pelo Fernando Esteves.
O texto de Nuno Garoupa é incisivo e estimulante. Merece leitura atenta.
Depende, caro Pedro Correia.
Como em todos as ideias potencialmente virtuosas, dos interpretes e agentes da coisa!! Ocorrem desvios, por vezes!!
Acho, sinceramente, a tarefa filosoficamente impossível, mas reconheço o esforço como louvável!!
E digo isto sem beliscar a experiência, isenção e prestígio do jornalista F. Esteves, note-se!! Acho que nem a academia de ciências de lisboa o poderia consensualmente fazer!!
Mas é como em tudo, se começar bem e se assim se mantiver durante algum tempo, granjeará a autoridade e o prestígio inerentes à perseverança da verdade!!
Acho que era este o propósito primordial do jornalismo, se não estou em erro.
A objectividade, contudo, foi-se perdendo. As elaborações actuais confessam demasiado.
Uma reflexão crítica que o jornalismo tem indeferido liminarmente. Persistem em estribilhos estafados e assim seguem para um reduto, acantonado e irrelevante!!
É, sobretudo, isto: “Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.”
Não diria “É, sobretudo, isto…
Diria ” É, sobretudo, tudo”.
Todo o texto é uma análise incisiva e muito inteligente.
Valoriza este espaço.
Muito bem visto pelo Pedro!
João de Brito
É, sobretudo, tudo, parece-me algo beckettiano! Também gosto!!
Perfeitamente, como já aqui havia deixado em comentário!!
Suponho que esse tipo de notícia, em regimes democráticos, sempre exista; mas também suponho que, se a democracia está de boa saúde, são resíduo, coisa a que poucos ligam e desinteressa .O que impressiona hoje é o empolamento, a dimensão de importância que o povo lhes dá e os media alimentam puxando invejas, vaidades, autoritarismo; e o inverso também pode ser verdade. As mentalidades talvez não tenham tido tempo senão para uma passagem de verniz democrático.
“Verniz democrático.” Muitas vezes o problema é este: raspa-se o verniz e a democracia empalidece.
A ditadura está sempre à espreita, mesmo quando julgamos que não.
Também há manipulação de notícias reais:
José Silvano faltou ao Parlamento e a sua presença foi registada. Isto é um facto que o próprio confirma logo de difícil contestação.
Como se faz para que pareça ser uma notícia duvidosa: Juntamos um elemento de absurdo à notícia, dizendo que por causa disso será despedido, criando uma razão para contestar. É uma técnica de propaganda política muito comum. Os nossos verificadores deveriam saber melhor que isso.
O post trás uma lista de campanhas de notícias falsas. Falhou algumas das mais evidentes e recentes como a campanha sobre as armas de destruição maciça que supostamente existiam no Iraque e toda a panóplia de justificações para as sucessivas guerras no Afeganistão por ex.
Ainda agora o Polígrafo foi lançado e já está a receber corajosas críticas de anónimos.
Isto quer dizer que vai no bom caminho.
Com corajosas respostas que consistem em ataques ao autor.
Continua a preferir comentar o autor do que comentar o comentário.
Quando não se sabe o que dizer diz-se isto.
Como jornalista deveria saber que nada é inocente. Quais são as notícias que são verificadas?
Qual o critério para escolher as notícias?
Não sendo o Polígrafo da autoria de Deus Nosso Senhor, que garantias temos das verificações?
Os processos e os patronos apresentados não dão garantias nenhumas, os processos são facilmente manipuláveis – exatamente o problema que propõe resolver – e os patronos não parecem isentos, mas talvez me engane.
Há pessoas incapazes de dar pelo menos o benefício da dúvida ao que surge de novo.
Típica atitude reaccionária.
A notícia sobre o deputado José Silvino que escolheu para ilustrar o post tira muitas dúvidas benéficas que poderíamos ter.
Posso estar enganado.
Eu não lhe dizia ali acima que a tarefa se me afigurava filosoficamente impossível!!
Absolutamente.
Presentemente estamos entrados na idade da Preversão e do interpretacionismo.
É isso, Maria Dulce. Convém não termos grandes ilusões nessa matéria.
“Presentemente estamos entrados na idade da Preversão e do interpretacionismo.”
Não percebo como se diz isso só do presente…
José Silvano existe?
De todo. É um holograma.