Os comentários da semana


Pedro Correia,

«Só um pequeno desabafo em relação às redes sociais. Quem viu nascer a internet decerto se lembra do espirito de comunidade e entreajuda dos primeiros tempos. Prometia ser uma coisa boa. Tornou-se basicamente uma lixeira coberta de publicidade. É triste.»

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do Alexandre Guerra.

 

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«Primeiro sozinhos. Depois a família. Depois a tribo e o clã. Finalmente a cidade. Depois o Reino. Posteriormente a Nação. A seguir o Império. O mercantilismo. Depois o mercado livre. Surgem os movimentos emancipatórios, como reconhecimento de uma identidade comum. De uma dignidade humana comum. Vêm então as instituições supranacionais que visam mitigar os desarranjos arcaicos de fronteira – os ódios primatas de bando.
O sentido histórico, o progresso histórico, têm reforçado o aumento das fronteiras do grupo a que pertencemos. Cada vez são mais os outros que reconhecemos como iguais – todos sonham, todos sofrem. E oxalá um dia ninguém fique de fora por ser diferente. 
Quando saio para fora da nação histórica sinto-me em casa. Pois a minha nação é o horizonte. É aquilo que vejo quando olho para cima. Para um mar comum, ou um bosque virgem. Na bandeira vejo um trapo. Mas é de noite, que sei onde fico.»

 

Do nosso leitor Pedro. A propósito deste meu texto.

18 comentários em “Os comentários da semana”

  1. Em meu entendimento a bandeira não é um trapo. É um símbolo do ser português; logo, sinto por ela respeito e orgulho e não a incluo na indiferenciação da trapagem. Se pensar assim for entendido por nacionalismo e falta de espírito ecuménico e globalizante, paciência. Para mim, não o é.
    Olhando para cima não vejo o horizonte, mas o azul da atmosfera, quiçá altas construções ou até arvores e montanhas; mas pode ser erro meu ter o horizonte ao nivel do olhar. Saindo da nação histórica sinto-me menos em casa que nela. Ainda que haja lugares onde provavelmente, noutra vida, já vivi, tal a sensação de pertença. Mas não posso dizer que são o mesmo que a terra a que pertenço inteira, alma e corpo.
    Diluir fronteiras não implica ser menos português.

      1. Também pertenço onde me sinto bem; no caso, é o meu país dado que só em férias experimentei outros.
        O facto de pela bandeira se legitimarem barbaridades e banalidades não é panaceia para a desrespeitar. Uma coisa é o símbolo e outra o que os homens escolhem fazer em seu nome.
        Há quem sonhe em ponto pequeno. Tem razão, os motivos são outros.

          1. Cuidado, meu caro Pedro.
            Olhe que os símbolos fazem homens. Ou, também de símbolos se fazem homens!! E, por vezes, parecem cravados nos genes dos homens, os símbolos!!

          2. Os genes comandam-nos, se julgarmos serem eles os únicos que mandam – e os pais, os amigos, o amor?. Assim também são os símbolos. Eles são impotentes perante aquela rara glândula que nos dá um sono descansado. A boa consciência.

            Abraço

          3. Não são os símbolos que fazem os homens, mas também; o homem é desde a linguagem, qualquer que ela seja, um animal simbólico. É certo, são convenções, mas a vida com os outros depende delas. E não me apetece falar mais deste assunto. Eu fico com o respeito pela bandeira; o senhor atira-a fora, enrodilha-a em qualquer canto, ou simplesmente, porque nada vale para si, não pensa nela.
            Amigos como dantes.

  2. António terá de escolher melhor onde vai? Será que considera o Delito lixo?

    Pedro é das pessoas mais perigosas que existem, quer obrigar todos a pertencer ao clube dele, mesmo os que não querem.

      1. Não foi o que li.

        “E oxalá um dia ninguém fique de fora por ser diferente. “

        E se quiser ficar de fora?

        A maior luta nunca foi pelo território mas pelo poder sobre as pessoas.

        Ai de quem não quiser pertencer às “instituições supranacionais”.
        O eventual totalitarismo do nacionalismo está limitado às suas fronteiras.
        Terá sempre resistência se extravasar por exemplo por guerra.
        O totalitarismo das “instituições supranacionais” não terá limite.

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