Estátuas dos nossos reis (59)


Pedro Correia,

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ILHA DO PICO - SÃO ROQUE - CAIS DO PICO.jpg

 

 

D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Ainda não identificado

Ano da inauguração: 1940

Localização: Cais Velho de São Roque do Pico, Ilha do Pico (Açores)

34 comentários em “Estátuas dos nossos reis (59)”

  1. Sendo um Rei que muito aprecio – ou aquilo que dele nos foi transmitido, melhor dizendo – é-me grato verificar que foi dignamente representado na estatuária nacional… Dignamente e com garbo, em vários materiais. Embora ainda me pergunte como terão surgido as colorações na estátua da Sala dos Reis! Não temos muitas estátuas pintadas além das de santos, e estas porque de madeira, porcelana ou barro (ainda duas últimas ainda se considerarão estátuas, dado não serem esculpidas?)

    1. Melhor que o Rei foi a Rainha, ao que parece. O seu túmulo encontra-se na igreja do convento de Santa Clara (a Nova) em Coimbra, exposto no altar, num caixão todo forrado a prata e iluminado por todos os lados. Sinal da enorme devoção a ela que perdurou ao longo de séculos. É deveras impressionante.

  2. Não tive o prazer de conhecer esta estátua do nosso Rei Poeta in loco.
    Do Pico apenas conheci o porto da Madalena e as Lajes.
    Nunca esqueci o almoço nas Lajes, pois comi e bebi cavaco: ambos deliciosos!
    Ao contrário do outro com maiúscula, que sempre achei bem amargo.
    Maria

      1. Branco fresquinho: muito bom!
        E o ideal para acompanhar o cavaco marisco, segundo o nosso cicerone.
        Foi uma risota, pois desconhecíamos complefamente o nome cavaco num conceito gastronómico.
        Maria

      2. Nas lojas dos Açores em Lisboa vende-se um vinho chamado precisamente “Cavaco”. É vinho morangueiro (vinho de castas americanas), cuja comercialização é teoricamente proibida pela União Europeia mas na prática tolerada no caso açoriano.

        1. Talvez, Lavoura, mas o que eu bebi era branco, fresquinho, muito semelhante ao nosso vinho verde branco, nada morangueiro, portanto.
          E quando eu lá estive Portugal ainda nem estava na CEE.
          Imagine que ainda vimos um cachalote a ser “desmanchado” na praia junto à fábrica, e garanto-lhe que o cheiro era horrível, nauseabundo mesmo.
          Aliás, foi a única coisa que não gostei de ver no Pico.
          Maria

          1. Pois aquilo que eu não gostei de ver no Pico foi uma data de vacas e touros (alguns deles ocasionalmente às marradas um ao outro) nas cercanias da minha tenda na qual acampei perto da lagoa do Capitão (um local isolado a cerca de 800 metros de altitude). Estava cheio de medo que durante a noite fosse acordado por um touro a pisar-me a tenda… Felizmente de manhã quando acordei estava inteiro e as vacas até se tinham sumido para outra parte.

          2. Fico feliz por saber que conseguiu dormir nessa noite e sobreviver
            Mas quem não gostar de vacas não deve ir aos Açores, pois elas estão em toda a parte.
            Na altura contaram-me que até chamavam “aerovacas” aos aeroportos das ilhas mais pequenas, pois frequentemente era necessário ir afastá-las das pistas de aterragem.
            Maria

          3. Pensando bem, Maria, já não será a primeira vez (nem será a última) que alguém se vê impedido de dormir por causa de vacas. Ou de touros, como parece ter sido o caso deste nosso amigo.

          4. Pensando ainda melhor, Pedro, ir acampar nos Açores, a 800 metros de altitude, num sítio isolado, cheio de vacas e touros à marrada, é coisa que não lembra ao careca 😅
            penso eu de que.
            Maria

          5. Eu não sou careca, muito menos era nessa época.
            A lagoa do Capitão não fica muito isolada, fica bem perto da estrada que liga São Roque às Lajes.
            Acampar assim em sítios isolados é que é giro. No meio da natureza bravia.
            Daquela altitude tem-se uma bela vista sobre a montanha do Pico. Quer dizer, ter-se-ia tido se não houvesse nuvens nesse dia…

          6. Mas eu não lhe chamei careca, apenas usei uma expressão idiomática… suponho que sabe o que é.
            E o Lavoura é que disse que era um “local isolado a 800 metros de altitude”.
            Ora vá lá confirmar.
            E acampar até é capaz de ser muito giro, mas eu prefiro um hotel
            Maria

          7. Na Índia é que há vacas em toda a parte. Nos Açores, pelo menos junto às povoações, elas estão geralmente em terrenos vedados (no mínimo, por renques de hortênsias) a não há perigo de interferirem. Na Índia sim, é que vi vacas a passearem-se (ou a descansar) em estradas e ruas, mesmo em povoações (mas são vacas com dono – andam à solta, mas têm dono). Só nas partes altas das ilhas, como neste caso da lagoa do Capitão, é que as vacas andam à solta nos Açores.

          8. Nestes 30 e muitos anos os Açores mudaram muito… e as vacas também, especialmente desde que souberam que o Lavoura costuma ir para lá acampar
            Se visse o barquito em que fomos do Faial ao Pico – quase metade desistiu do passeio.
            E Angra que ficou completamente destruída pelo sismo pouco depois.
            Gostava muito de lá voltar, mas já não vai ser possivel, vou vendo as mudanças na tv.
            Quanto às vacas sagradas da Índia, toda a gente sabe isso mesmo sem nunca lá ter ido.
            Maria

  3. Excerto histórico

    ( “Roubo” ao historiador Ermelindo Ávila)

    …” Há setenta anos (1940) a Nação celebrou o Duplo Centenário da Independência e Restauração de Portugal (1140-1640). A Ilha do Pico não esqueceu o histórico acontecimento e inaugurou, no antigo porto do Cais do Pico, a estátua do Rei-Lavrador D. Dinis. ….” Para a cidade da Horta veio a estátua do Infante D. Henrique, com a diferença de que esta era de mármore e o tempo encarregou-se de a desfazer aos poucos, enquanto D. Dinis, sendo de bronze, tem resistido a todas as intempéries….”
    Era vice Presidente das Comemorações o coronel Linhares de Lima, natural do Cais do Pico, que havia exercido o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
    …. ” Tendo aquelas estátuas sido retiradas das praças públicas e devolvidas a armazém….” Entendeu Linhares de Lima enviá-las para o seu distrito”….
    ….
    Este D. Dinis, ainda há-de aparecer em alguma praça de Lisboa….

    Amendes

    3ª classe PA.

      1. O nome do autor da estátua é desconhecido da CM do Pico.. a vereação da Cultura ficou de pesquisar….” Nao esquecer que ela estava no armazem das estátuas da CM de Lisboa.

        Amendes

        1. Agradeço-lhe a intervenção, meu caro.
          Há dias contactei duas Câmaras Municipais solicitando igualmente informação sobre a data da inauguração de estátuas (uma das quais situada em plena Praça do Município) e o nome dos respectivos escultores.
          Nada mais simples.
          Ninguém soube responder-me, num caso e noutro.
          Assim vai a nossa administração pública, a nível do chamado “país real”. Ignorante sobre factos notáveis e notórios da própria terra.

          Será matéria para desenvolver após terminar esta série, que promete ser longa.

  4. OH! Muitos mercis, desconhecia o paradeiro açoreano deste senhor rei D. Dinis que fica lindamente ao rés dos barcos.

  5. Ao que parece, as estátuas de reis existentes em Portugal dividem-se quase todas em duas categorias:
    (1) Estátuas feitas no século 18, um século em que, presumo, se desejou superlativamente louvar o poder real e realçar a legitimidade e os pergaminhos históricos desse poder.
    (2) Estátuas erigidas por vilas ou cidades ao rei em particular que concedeu foral (ou outra honraria digna de menção) a essa vila ou cidade.
    A estátua deste post enquadra-se nesta segunda categoria.

      1. Só gostava que o LL, explicasse quando é que O Rei D.Dinis (Que fez tudo quanto quis e bastante admiro), concedeu um foral ou regalia para a Ilha do Pico !!!

        Será que os Açores foram descobertos antes de 1325 ????

        Um abraço

        Leão do Fundão

  6. Caro Pedro Correia

    Vou-lhe contar um “milimetro da minha história:

    … Em 1312 o meu Reino começou a contar com uma marinha, à qual fundei e contribuí para a construção de navios. Também cultivei as artes e conhecimento fomentando a primeira faculdade em Lisboa que mais tarde transferi para Coimbra em 1308, sem pensar que iria dar uma nova visão à cidade….” Também com ela dei um contributo à língua portuguesa obrigando a redigir documentos oficiais na “nossa” língua…. Tornando-me numa referência poética cultural do meu tempo….

    Nota: se fosse hoje não aderia ao novo acordo ortográfico.

    Uma abraço

    Dinis

    Am

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