O comentário da semana


Pedro Correia,

«Optimismo e pessimismo são os updates laico-millenials da redenção e culpa (ou fé e desesperança) que a religião nos legou, temperados (e algoritmisados) por um certo determinismo mágico (ai! a “sorte”..) pós-jacobino de moda.
A falha nestas dicotomias é a simplificação que parece fazer de estados de alma a única força motriz, como se fazer e sequenciar escolhas (mesmo que limitadas) fosse negligenciável nesta gestão daquilo que os zens referem como busca de “paz interior”.

Ao perder isto de vista, arrisca-se não só a dissonância cognitiva – como aquela exemplarmente narrada por Rubem Fonseca referindo uma mulher que confessa perante o senhor padre ter cometido adultério, ao que o padre lhe pergunta (recordo de memória) “Minha filha, foi contra seu livre-arbítrio?”; “Não, foi contra o muro” – como se vai perdendo a capacidade de vislumbrar possibilidades e virtualidades ao longa das jornadas.

Antes como Corto Maltese que, confrontado com a leitura das suas mãos que indicava uma quase ausência da ‘linha da sorte’, i.e. a premonição que o destino lhe seria pouco grato, pegou numa lâmina e na sua mão sulcou uma ‘linha da sorte” apropriadamente dimensionada.»

 

Do nosso leitor Jorg. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

3 comentários em “O comentário da semana”

    1. Se bonito acha, alguma coisa percebeu! Note que acho a sua linha de entendimento muito válida – eu uso-a frequentemente, e com prático beneficio, quando escuto a minha esposa!!

      Jorg

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