Quando não existe fogo, o fumo é notícia: gera cliques na mesma


Pedro Correia,

Durante anos, recomendei aos estagiários a quem dava formação em exercício que tivessem sempre presente uma das regras básicas da profissão de jornalista: «Não tens de ser o primeiro a divulgar a notícia. Só deves ser o primeiro a dar a notícia certa, devidamente comprovada.»

Acontece que esta regra se tornou obsoleta. Hoje, na desenfreada “caça ao clique” e perante a propagação acéfala do que quer que seja através das redes sociais, a salvaguarda mínima da veracidade das notícias foi empurrada para a borda do prato – tantas vezes não por culpa dos jornalistas que assinam a peça mas pelos superiores hierárquicos que incentivam a sua publicação imediata, trocando o rigor dos factos pelo algoritmo “viral”.

Andam alguns por aí a justificar a crise do jornalismo no desinteresse crescente do receptor, quando deviam apontar o dedo ao emissor. Sexta-feira passada, registou-se uma das mais chocantes adulterações do jornalismo, pervertido pela ânsia da “publicação imediata”, sem cuidar da veracidade do que se publica. Ao fim da manhã, um jornal digital garantia ao País, em estrondosa manchete, que Bruno de Carvalho reassumira a presidência do Sporting por determinação judicial.

 

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«Tribunal terá dado razão a Bruno de Carvalho. (…) Trocado por miúdos, o antigo líder volta a ser presidente», rezava a putativa notícia, intitulada «E o impensável aconteceu: Bruno de Carvalho é de novo presidente do Sporting.»

Repare-se na caótica distribuição das formas verbais. O título proclama um categórico «é», que não admite dúvidas. A primeira frase da pseudo-notícia mostra-se dubitativa: o tribunal «terá dado razão» a Carvalho, destituído da presidência do clube pelos sócios que acorreram à assembleia geral de 23 de Junho. No final, regressavam as certezas: «O antigo líder volta a ser presidente.»

O jornal escreveu e publicou estas linhas incendiárias sem documentação, sem possibilitar o exercício do contraditório, sem ler o despacho judicial a que fazia referência: tudo errado. Baseou-se apenas na suposta técnica do “bitaite” soprado por aquele a quem interessava que o boato se transformasse em notícia: o próprio Bruno de Carvalho.

 

Foi quanto bastou, nesse dia, para fazer mudar os alinhamentos de todos os telediários da hora do almoço.

A SIC, por exemplo, abriu o seu Primeiro Jornal com uma repórter presente no estádio José Alvalade a debitar isto: «Bruno de Carvalho veio trazer uma providência cautelar que cancela, que anula, a assembleia destitutiva realizada a 23 de Junho.»

A TVI colocou o tema logo em segundo lugar no seu Jornal da Uma. Também com uma “enviada” a Alvalade, que nos comunicou em tom categórico: «Este documento judicial anula essa assembleia geral. Essa reunião magna não é válida.»

A RTP, mais prudente, remeteu a peça só para o minuto 17 do seu Jornal da Tarde. Mas lá estava também o repórter junto às instalações do Sporting, embora neste caso o tom fosse visivelmente cauteloso: «Fomos informados de que Bruno de Carvalho teria na sua posse um documento do tribunal que colocaria em causa algumas das decisões tomadas na assembleia destitutiva.» Confessando o jornalista, com assinalável honestidade, não ter visto documento algum: daí ter colocado todos os verbos no condicional.

Entretanto, não faltou quem convocasse para comentar em estúdio os habituais tudólogos, especialistas em comentar o que não conhecem.

 

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Durante mais de duas horas, o boato foi tomado como verdadeiro e transmitido como facto a todos os cantos do País. Sem ninguém conhecer o teor concreto daquilo em que era suposto basear-se a notícia. Só interessavam os cliques e a corrente “viral” que potenciam receitas publicitárias.

O fenómeno contagiou quase todos os títulos jornalísticos, baseado noutra nova regra que passou a imperar na profissão desde o predomínio do digital: “Se os outros falam, nós falamos também.”

Até que houve quem percebesse enfim que tudo não passara de um rebate falso, propagado pelo primeiro dirigente desportivo demitido pelos sócios em 112 anos de história do Sporting. Não havia tribunal nenhum a dar-lhe razão, o voto emitido na assembleia geral continuava válido e os actuais órgãos sociais leoninos, de carácter provisório até às eleições de 8 de Setembro, têm plena validade jurídica.

Centenas de linhas e milhares de palavras depois, lá surgiu o volte face. Imprimiu-se a notícia de teor oposto, desta vez num título quilométrico: «Bruno de Carvalho tentou apresentar providência mas era fumo sem fogo: continua suspenso de sócio e ex-presidente.»

Um fumo sem fogo que gerou imensos cliques. E que ajuda a explicar, de modo eloquente, a grave crise reputacional do jornalismo português.

45 comentários em “Quando não existe fogo, o fumo é notícia: gera cliques na mesma”

  1. Bom dia Pedro,
    É um exemplo perfeito da facilidade com que alguém mais mal-intencionado pode manipular facilmente a sede mediática por desenvolvimentos “impensáveis” em cima da hora. O pior é que seria de esperar que, ao fim de tantos desenvolvimentos “impensáveis” à volta da pessoa que causou esta comoção toda, os média já estivessem de sobreaviso para tentativas destas de manipulação e lançamento de confusão.

    1. Perdão pela intromissão, mas…

      … a figura em causa já deveria ter criado imunização, sem dúvida. Ainda para mais recordando todos os destratos e destemperos com que brindou jornalistas e órgãos de comunicação.
      Esta ausência de imunização torna a não notícia ainda mais digna de acusação, e a flexibilidade da coluna vertebral dos órgãos que a ecoaram acrescenta-lhe o escabroso.
      Mas a “notícia” em si é apenas mais uma igual a tantas outras que pululam nas notícias-ao-minuto.

      Lembro-me de quando um directo demorava horas a chegar ao local da notícia.
      A notícia agora cria-se onde estiver a equipa de… de… bolas, de quê?! Não lhe posso chamar “de reportagem”, posso? Ah, sim, “equipa de exteriores”.

  2. Há muitos anos Howard Stern revolucionou a forma de fazer rádio, dizendo o que não se devia dizer, ou não se podia dizer. Esteve a um passo de ser despedido, mas foi salvo pelas audiências. Curiosamente, quem detestava Stern passava mais tempo a ouvi-lo. E ouviam também mais publicidade, no fundo, o que interessava à companhia. Stern ficou.
    Décadas depois, nada mudou. Os discursos de ódio, as falsas notícias, os comentários rancorosos geram tráfego. Não surpreende que a imprensa procure sofregamente a última desgraça, é preciso vender danoninhos.
    A mim dá-me nojo interromperem notícias de gente que morreu queimada com anúncios de protector solar, ou de gente a morrer de fome com anúncios ao mon chéri. Mas é este o nível.

  3. A figura é, de resto, toda ela uma criação da “crise reputacional do jornalismo português”. É bom lembrar todo o suporte “jornalístico” da sua estratégia, e como os jornalistas se deixaram seduzir e instrumentalizar. E lembrar Nuno Saraiva e (o infeliz) Fernando Correia. Ou até a forma como, mesmo já “cadáver”, juntava toda a comunicação social em Alvalade, para dela dispor como entendia.

    1. “Conferências de imprensa” em directo, durante três horas, sem direito a perguntas dignas desse nome mas com “direito” a tempo de antena garantido. Enquanto ia insultando jornalistas e os colegas do lado nem tugiam nem mugiam. Aliás, nem os próprios insultados saíam da sala.
      Como é que alguém pode respeitar uma classe profissional que se comporta assim?

      1. Como é que uma classe profissional aceita ser tratada assim? A resposta massiva e massiça traduz a qualidade do jornalismo – cujos porquês vimos falando há muito e sobre os quais me parece que, infelizmente, continuaremos a falar…

        Relembro que jornalismo inclui editores, chefes de redacção e, de há uns anos a esta parte, investidores. Em proporção inversa a redactores e a revisores, acho…

        1. Um jornalismo que não se faz respeitar não pode ser respeitado. Nem pode usufruir da consideração social que já teve.
          Outros tempos, outros modos. Não por acaso, tivemos em tempos anteriores, na direcção de jornais, figuras como Vitorino Nemésio, Agustina Bessa-Luís, José Cardoso Pires, David Mourão-Ferreira, António Alçada Baptista, Victor Cunha Rego, Vasco Pulido Valente, Miguel Esteves Cardoso, Vicente Jorge Silva. Hoje, é o que há. Muito diferente.

          1. Não sei como lidariam hoje Nemésio ou Batista-Bastos com a voracidade da rede e com a liberdade de expressão das plataformas.
            Mas quando estudei as básicas bases do jornalismo no (então como agora 6. ano de escolaridade, as retive – e durante toda a adolescência e princípio da adultícia as vi cumpridas, até nos jornais em que o exagero e a dúvida faziam parte do estilo. As revistas tinham reportagens e crónicas, as outras chamavam-se Maria – uma inovação na forma de informar (não necessariamente melhor). E depois o CM mudou o paradigma e os investidores mudaram as regras. E a www destruiu o que sobrava. E nós deixámos tanto quanto fomos a reboque e empurrámos a máquina, Pedro. Alternadamente. Como alternadeiras.

          2. Era o mundo de então que permitia a existência de Nemésios e Baptistas desses. O mundo de agora não fabrica senão aquilo que ali está.

            Isto anda tudo ligado 😉

  4. O que refere na sua mensagem não é bem uma notícia – é um segmento de “Live Show” pelo que as regras de jornalismo não se aplicam.
    Os média não noticiam, relatam como os locutores de relatos desportivos. A coisa tem sempre hora marcada, pois os palcos aparecem previamente acolchoados por equipas de operadores de câmara e locutores, e o sr. de Carvalho comporta-se como uma especie de Kardashian em que a derrama dos seus estados de alma e a divulga (e o divulgar-se..) das confabulações mais alarves nas “redes sociais” não são para informar, mas para ressoar. Em vez das volumetrias da Sra. D. Kim e dos seus adereços ou invócrulos, permanece a ressoar nos receptores incautos, a voz abagaçada articulada com uns “smashes” e “smarties” sobre a Ordem Juridíca, os “Estatutos”, as mulheres, filhas e outras criancinhas, ou os afectos por atletas, todos eles largamente não correspondidos.

    Existe solução? Não saberei – talvez, a nível de editoria jornalistica, perceber-se que tão grande profusão de solturas se pode ir atenuando ou diluindo puxando mais vezes o autoclismo em vez de andar sempre a discutir tanto os ‘aromas’ do pivete.
    Ou então dar-lhe um programa de “debate”, por exemplo, formato ‘tête-á-tête’ com aquele senhor “do outro clube” da 2a. Circular que se apresenta em ‘debates’ com badocha “valise” cheia de “prints” de ‘frames’ e citações de encómios a um “sr. Presidente” que não o Prof. Marcelo ou mesmo o sr. Medina. Tal ‘transmissão’ poderia ir para o ar em concorrência com os tempos de antena dos “talking heads” do Bloco de Esquerda (ou seja, garantida difusão diária praticamente em ‘prime time’) ou então nos intervalos de transmissões de “wrestlng” americano com opção de “podcast” na ‘darknet’ e arquivo no ‘wikileaks’.

    Jorg
    Jorg

    1. Nunca me tinha ocorrido comparar De Carvalho com uma Kardashian. Mas, vendo bem, não me parece mal pensado.
      E geram muitos cliques, ele e elas. Tudo farinha do mesmo saco “comunicacional”.
      Nada a ver com jornalismo.

      1. O BdC é um infiltrado do Benfica e a outra é burra e tem um rabo horrível descomunal. Eu não consigo é deixar ver a relação óbvia entre estas duas coisas.

  5. Concordo com praticamente tudo, Pedro.

    Como é possível tanta gente ser enganada pelo mesmo “aldrabão”, depois de tudo o que aconteceu…

    É mesmo a “febre de ser o primeiro” e não o “melhor”…

    1. A criatura continua a ter o tempo de antena que quer, com o beneplácito de títulos jornalísticos supostamente respeitáveis. Que transformam esta fonte mais que inquinada em fonte “credível”.
      Como pode ser respeitado um jornalismo que se comporta assim, Luís?

      1. Calhou-me aguentar com três Agostos seguidos, quando andava entretido na imprensa regional. E ainda hoje me lembro do que o director dizia aos que ficavam a penar: “O jornal tem de sair todos os dias e com x páginas; o que meteis lá dentro é convosco. Aqui está a pasta dos telexes que ficaram de molho, ali está a pasta das receitas de culinária… Telefonai para a polícia, para os bombeiros, para os hospitais, para os cangalheiros… E evitai ir para a rua, que vai estar demasiado calor. Até Setembro!”
        Imagino que nos media nacionais haja um pouco mais de profissionalismo. Mas será pouco mais…

  6. Caro Pedro, há muito tempo para cá que deixei de ver telejornais. Não posso desperdiçar o meu precioso tempo a alimentar o meu intelecto com lixo. Só leio textos sobre notícias e assuntos da actualidade, já em fase de bem digeridos e quando já estão fora das luzes da moda. Jornais diários, ou são lixo informativo, ou são de forma vergonhosa, ideologicamente comprometidos. Cada vez mais gosto de ver programas do tipo “olhar o mundo” que vão passando nos vários canais de notícias. De resto…estou com alguns anos de atraso nas minhas leituras de livros, por isso não posso dar-me ao luxo de derreter o meu tempo a ver lixo.

    1. Infelizmente, caro Vítor o jornalismo corrente – e não apenas em Portugal – tem feito tudo para se afastar dos leitores, dos ouvintes, dos telespectadores.
      Já se vendeu como jornal gratuito.
      Já se escancarou na Rede com conteúdos gratuitos.
      Agora anda vergonhosamente a reboque das redes sociais.
      Confunde o tempo todo jornalismo com publicidade – não oculta, mas descarada.
      E alguns ainda se espantam por ninguém lhes conceder crédito.

      1. Pois fique sabendo Pedro, que já fui assinante do Público por duas vezes, a primeira das quais, já há muitos anos, pois recebia-o online no meu Kindle, era à data, se não erro, a única publicação portuguesa para Kindle, depois deixei, porque passei a recebê-lo no meu Kindle já durante a tarde. Contactei a Amazon que prontamente me comunicou que só o recebiam também, já tardiamente, pedindo-me porém desculpas. Contactei a redacção do público, que nem se dignou responder-lhe. Cortei a assinatura. Mais tarde voltei a assinar, mas deixei passado pouco tempo, tal era o comprometimento ideológico descarado do jornal. Até há bem pouco tempo, lia o Le Monde Diplomatique (versão portuguesa), muito bem escrito, era um prazer ler, mas mais uma vez, o pendor ideológico do jornal é tão descarado que não aguentei, mais parece um manifesto estilo panfletário, e deixei de comprar. Eles devem querer editar para eles próprios lerem. Assim o façam, mas eu é que não alinho. Neste momento, o único que ainda compro é o Courier Internacional (versão portuguesa).
        Desculpe a extensão do comentário. Não sei escrever em modo síntese.

  7. Nem fogo, nem fumo, nem fogo de vista … talvez de artifício, mas poucochinho. Uma bicha-de-rabear ?
    Muito bom o seu texto. Já tive a oportunidade de opinar sobre o assunto das parangonas duvidosas, mal tecidas, mal formadas, sem base de sustentação e de escrita discutível.
    Mais do mesmo, portanto… como se não fosse previsível…

    1. Andamos a levar, o tempo todo, com esta mercadoria adulterada, Maria Dulce.
      E os próprios jornalistas acomodam-se, aquietam-se, calam-se, não se agrupam numa ordem profissional que faça a distinção entre o trigo do joio.
      A classe profissional vai-se desprestigiando e proletarizando sem remissão. Há vinte anos, o jornalismo era uma das profissões mais conceituadas. Hoje está no fundo da tabela.
      Por causa de exemplos miseráveis como este.

  8. Soube da “notícia” num comentário do Corvo lá no meu burgo. Procurei na net, li vários cabeçalhos… e, tal como fiz aquando da mãe das providências cautelares (aquela em que JMS clamou vitória e BdC clamou vitória e ambos estavam errados), desvalorizei a notícia até poder ler o documento em causa.
    Seria expectável que isto que dá pelo nome de jornalismo nos tivesse transformado a todos em “jornalistas” – com aspas porque sem carteira profissional, mas jornalistas porque buscamos confirmar se se noticia um facto ou uma perspectiva adornada (literal ou figuradamente adornada).
    Parece que não, ámen.

    O problema talvez não seja do muito pessoal com carteira de jornalista que embarca na divulgação destas “notícias”; antes uma questão de “gestão de expectativas”….

    1. Pressão das chefias, das editorias, síndrome dos “outros estão a dar”.
      Busca desenfreada do clique, que gera os preciosos algoritmos de acesso às receitas publicitárias – magras que sejam.
      Espezinhamento das mais elementares regras deontológicas – desde logo, a da difusão de notícias só quando devidamente comprovadas

      1. O Pedro sabe que sou crítica feroz da (des)graça que é o jornalismo actualmente, embora ainda surjam excepções.

        Não vejo nem interesse nem necessidade de alterarem tal estado: o cliente até se pode insurgir, mas vai alimentando a máquina… e tudo segue como antes.
        E os concursos e os brindes são tão giros e até se pode deixar o mel e o fel para a posteridade, que importa se Minsk não é na Rússia ou se BdC não tem providência nenhuma?

  9. O público também não está isento de responsabilidade no estado a que chegou certa imprensa. Prefere-se a “notícia” sensação à notícia verdadeira , fiel, substantiva. Os jornais e as televisões reflectem o nível de exigência do público. Mas, no essencial, Pedro tem toda a razão ao endereçar responsabilidades primeiras ao emissor. Óptimo artigo.

  10. Tal como as instituições do Estado (desde FP, Câmaras e Juntas, organismos, escolas, etc) estão vergonhosamente instrumentalizadas e colonizadas pelo PS e pelas esquerdas — também o espaço público está refém de uma CS instrumentalizada e colonizada pelos capatazes e pelos algozes do regime.

    Da mesma forma, a imprensa desportiva — que neste momento apenas exprime a horripilenta ética dos republicanos — é dominada pelos pelos partidários do clube de futebol do regime e passa tudo por aquele ogre gordo nojento que anda a guinchar pelas televisões. Uma grande bola de extorsão fiscal, distribuição de tachos e negociatas de imobiliário com capatazes a fazer o trabalho sujo.

    Vivem exactamente como os “poderosos” do antigo regime que andam sempre a exumar — com uma vasta função pública subserviente que é tipo al-qaeda: os próprios funcionários têm autonomia para castigar os não-crentes.

    Cada vez que me falam em “abril” desato-me a rir.

    1. Eça de Queirós e Ramalho Ortigão nunca retrataram a ética dos monárquicos a discutir futebol ou corridas de charrettes. Uma pena!
      Mas foram exímios a retratar as outras éticas monárquicas. Especialmente aquela do viver à conta do erário público.
      Ontem, como hoje.

      A diferença é que hoje não são apenas as mesmas famílias a roubar – escolhemos quem nos rouba e fazêmo-los rodar. Apenas isto já justificaria a República: o dinheiro sempre vai circulando.

      Mas concordo com o V. numa questão: também não gosto nada do Manuel Serrão.

      1. Mas na altura não havia erário público — era tudo de alguém. Haveria uma Fazenda Pública, que é outra coisa.

        Mas agora é suposto ser de todos e não é. É só dos que são mais iguais a eles. Como no livrinho do Orwell, onde o cavalo, que era o melhor deles todos é o tipo que morre sem nada.

  11. A decisão de escolha entre um orgão de informação que se procura e um que se ignora -quer seja por anuência com as posições expostas, quer não- é criada pelo “emissor”.
    Selecionar, por exemplo, uma Quadratura do Círculo para houvir tempo de antena é sintomático.

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