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«Em perfeito contraste com os discursos egomaníacos de Hitler – que enfatizavam a palavra “eu” – Churchill, cujos anos de estudo tinham aguçado a sua compreensão profunda da nação que agora liderava, conhecia o poder do “Nós” quando se tratava de exortar o público britânico a assumir um combate tão temeroso. (…) As frases anglo-saxónicas, curtas e simples, surgiam em bombardeamentos de pronomes plurais: “temos à nossa frente”; “com todo o nosso poderio”; “vinde então, avancemos juntos com a nossa força unida.” A sua função era lisonjear um povo assustado, atribuindo-lhe os papéis principais no grande drama mundial; e, como sabemos, a lisonja leva-nos a todo o lado.»
Anthony McCarten, A Hora Mais Negra, p. 141
Ed. Objectiva, 2017. Tradução de Manuel Santos Marques

O problema do nós anglo-saxónico é nunca ter conseguido atravessar o Canal da Mancha. O Nós sempre muito longe dos Outros.