Foi chato


Pedro Correia,

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A Serra de Monchique – o maior pulmão do Algarve – ardeu em larga medida. Cerca de 27 mil hectares – o equivalente a 27 mil campos de futebol, quase três vezes a área da cidade de Lisboa. 

Foi o sexto maior incêndio desde sempre registado em Portugal. E o maior incêndio ocorrido este ano em todo o continente europeu.

No preciso local onde o chefe do Governo se deslocou com vasta comitiva, para efeitos de propaganda política, assegurando aos portugueses em geral e aos algarvios em particular que estavam reunidas todas as condições, em meios humanos e técnicos, para um combate eficaz aos incêndios. 

Não estavam, como todos sabemos hoje. No lugar onde António Costa falou, a 1 de Junho, restam cinzas.

 

Ainda em Junho, novo exercício de propaganda: o Executivo convocou a Comunicação Social para revelar que faríamos deslocar para a Suécia e a Grécia meios aéreos de combate aos fogos.

Como se pudéssemos dar-nos a tal luxo após os flagelos de 2017 que enlutaram o País e comoveram o mundo.

 

Passado o pavoroso incêndio de Monchique, novamente o Governo, pelas vozes simultâneas do primeiro-ministro e do titular da pasta da Administração Interna, não perdeu tempo a lançar o slogan “não morreu ninguém” – igualmente para efeitos de propaganda.

Frase que esconde, no seu cinismo político, a perda de um número incontável de espécies animais e vegetais, o fim dos meios de sustento de centenas de residentes no concelho de Monchique, o fim de explorações agrícolas, turísticas, de apicultura e silvicultura.

Esconde as centenas de deslocados, esconde os 41 feridos e os 49 desalojados. Esconde os prejuízos globais de dez milhões de euros, avaliados pela Câmara local.

Procura afinal ocultar  – como bem escreveu o Manuel Carvalho no Público – que “ao primeiro teste difícil o aparato de combate aos fogos falhou”.

 

É, no fundo, o equivalente moral ao “foi chato” proferido por Bruno de Carvalho na sequência do inqualificável assalto promovido a 15 de Maio por membros de uma claque leonina à Academia de Alcochete.

40 comentários em “Foi chato”

  1. Hipócrita manhoso que num estalar de dedos passa do sucesso babado para o reordenamento reparador.
    Típico aldrabão que cria uma praga devastadora e vai de feira em feira impingir o remédio para salvar a agricultura.
    Cabrita a investigar as próprias vitórias só pode dar para arreganharem a taxa.

          1. Claro que é esclarecedor. Provavelmente estaríamos menos mal se quem compõe o Governo fosse sorteado entre a população de 4 em 4 anos.

          2. Não. mas deve ter que ver com este dito:

            I’d rather entrust the government of the United States to the first 400 people listed in the Boston telephone directory than to the faculty of Harvard University.

            William F. Buckley, Jr.

  2. Depois da concordância com o texto, apenas uma correcção:
    Um campo de futebol só nas suas dimensões máximas (120 x 90 mts) terá um pouco mais de dez mil metros quadrados (em Portugal não há nenhum); a maioria terá, creio, as dimensões mínimas, que equivalem a cerca de metade daquela área. O nosso Alvalade, que é um dos maiores do País, tem 105 x 68 mts (portanto, 0.7 hectare). Ou seja, a área ardida em Monchique equivale a cerca de 38500 relvados do estádio José Alvalade (ou da Luz, ou do Dragão, ou de Braga…)

  3. Eu sou do tempo em que se combatiam incêndios para proteger a floresta, depois passou-se para a fase em que se combatiam incêndios para proteger habitações e desde o ano passado passou-se a combater incêndios para salvar pessoas…
    Obviamente este regime está caduco, desde o topo da pirâmide do poder ninguém parece saber o que anda a fazer (ou não). Os constantes ataques há Nação pela quinta coluna que nos governa e se governa levarão a ainda mais sofrimento para todos nós portugueses mas o maior problema é que ninguém se insurge e andam todos no deixa a andar e o sofrimento e tribulações aqui tão perto.

    WW

    1. Entretanto, Rui Rio desapareceu. Nem um reparo, nem um remoque, nem um franzir de sobrolho. Tudo, para ele, parece correr no melhor dos mundos.
      Nem ao menos uma visita às populações dilaceradas por mais esta tragédia.
      Que estranha forma de “liderar” a oposição.

        1. Não consigo compreender. Falta-lhe faro político? Mas como, se anda há quase 40 anos na política?
          Estará a ser mal aconselhado? Rodeia-se de gente incompetente?
          Mistério…

      1. Mas que quereria o Pedro Correia que Rui Rio fizesse? Que se mostrasse, está muito bem, mas mostrar-se para quê? Para que a sua imagem fosse gozada, como aqui foi gozada a imagem de António Costa?

        Que propostas concretas teria Rui Rio – ou qualquer outra personalidade do PSD – a fazer? Como poderia ele “prometer” ir acabar com a tragédia dos incêndios? Pois se já houve N governos do PSD e nenhum fez qualquer mossa nessa tragédia…

        Se Rui Rio aparecesse a visitar Monchique mas sem quaisquer propostas concretas para fazer, a sua aparição mereceria tanto ser gozada como as fotografias de António Costa em contacto permanente com os bombeiros…

          1. Do PSD não espero quaisquer propostas concretas relativamente aos incêndios.
            Nem do PSD de Rio nem de nenhum outro.

      2. Isso é partir do princípio que Rui Rio representa os votantes do PSD.
        Não é verdade, Rui Rio representa o regime.

    1. Ah, agora já não se escreve “indignação” agora escreve-se “raiva”…

      Indignação – caracterização dos protestos e criticas quando o Governo não é apoiado pelo jornalismo Marxista
      Raiva – caracterização dos protestos e criticas quando o Governo é apoiado pelo jornalismo Marxista

      Activistas – chama-se a alguém de esquerda faz violência ou não faz violência.
      Extremistas – chama-se a alguém de direita faz ou não faz violência.

      Exilados – refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas não defende.
      Dissidentes – refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas defende.

      Líderes – Ditadores que o Jornalismo Marxista defende
      o líder Cubano, o líder Sírio, o líder Líbio, o líder Iraquiano…
      Ditadores – Ditadores que o Jornalismo Marxista não defende.
      o ditador Chileno, o ditador Português, o Ditador Espanhol..

      Populista – chama-se a coisas ou pessoas que o povo gosta e o Jornalismo não gosta que o povo goste.
      Democrático – chama-se a coisas e pessoas que o povo gosta e o Jornalismo gosta que o povo goste.

      Protestos – Ataques que o jornalismo apoia
      Ataques – Ataques que o jornalismo não apoia

      Morreram- pessoas mortas em ataques mas que não interessa aos jornalismo Marxista designar quem atacou ” Israelitas morrem em explosão”
      Foram Mortos – pessoas mortas em ataques mas que interessa ao jornalismo Marxista designar quem matou. “Ataque Israelita mata Palestinanos “

      Coerente- uma pessoa de esquerda é coerente
      Inflexível – uma pessoa de direita é inflexível

      Gastos – se o jornalista não gosta
      Investimento – se o jornalista gosta
      quando jornalismo gosta de gastos, perdão investimento em armamento.

      Apaixonada – uma pessoa de esquerda é apaixonada
      Controversa/polémica – uma pessoa de direita é controversa e polémica

      Denuncia – se a esquerda critica algo
      Aproveitamento e Incitamento, oportunismo – se a direita critica algo.

      Oposição Firme- A esquerda faz oposição firme
      Obstrução- A direita faz obstrução

      Convicções e Princípios- A Esquerda tem convicções e princípios.
      Ideologia -já a Direita é ideológica.

  4. Triste. muito triste, começando no desporto e acabando na política, estamos a ser governados por uma cambada de imbecis, com excepção ao morador no palácio de Belém.

  5. Como se pudéssemos dar-nos a tal luxo após os flagelos de 2017

    Tanto podíamos dar-nos a esse luxo que nos demos mesmo, e daí não veio grande mal ao mundo. Os meios deslocados para a Suécia não fizeram falta em Portugal.

  6. No ano passado o Pedro Correia repisou a ideia de que os fogos desse ano eram singularmente inaceitáveis pelo facto de neles terem morrido uma centena de pessoas.
    Este ano, perante o facto de que não morreu ninguém, o Pedro Correia queixa-se da perda “dos meios de sustento de centenas de residentes”.
    Enfim, o Pedro Correia tem sempre que se queixar de alguma coisa, para efeitos da sua campanha política. Se há mortos queixa-se deles, se não os há diz que isso não basta.

    1. Ao menos você não se queixa de nada: vive no melhor dos mundos. Tanto lhe faz que morram 116 pessoas em incêndios florestais no Portugal do século XXI ou que seja destruído o pulmão do Algarve.
      Parece o Rui Rio, outro para quem está sempre tudo bem.

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