A discussão sobre as escravaturas


jpt,

 

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Portugal “É também o local onde nasceu a escravatura e por isso há tantas influências musicais de Angola e Cabo Verde e também de Espanha.” – são as declarações de Madonna transcritas pelo Jornal de Notícias (ou será uma construção do jornalista João Manuel Farinha, mas quero duvidar, seria demasiado atrevimento). Só por si a afirmação seria risível. Mas serve que nem uma luva para a campanha obscurantista em curso, adequa-se.

Nos últimos dias dois nomes conhecidos do agit-prop falsificaram a obra de um historiador, especialista no tema do escravismo (as pessoas interessadas na História, que tanto resmungaram com a nomeação de Santana Lopes para a vetusta Academia de História, num estatuto peculiar, a este tipo de coisas dizem … nada, que para isso não lhes sobra a atenção). Li ontem um artigo da BBC, enviado por um queridíssimo colega moçambicano, e crente neste tipo de tralha, sobre o “tabu do racismo que se vive em Portugal“, assente na temática do escravismo e adornado por declarações ridículas do líder do Movimento Internacional Lusófono contrapostas a elaborações historicistas desaustinadas de alguns académicos, em prol do “afrodescendentismo”.

Continuamos a ter uma disparatada ideia dos portugueses como “bons colonos”? Sim? A extrema importância do escravismo na expansão portuguesa é ensinada nas escolas? Não. Isto ajuda à reprodução dessa apatetada visão da história portuguesa e de um “carácter nacional” de “brandos costumes”, “lusotropicalista”? Sim. Essa melodia é um poluente diesel da actual tralha da “lusofonia”? Sim. A longa tradição escravista alimentou as práticas de “trabalho forçado” (eu gosto de lhe chamar corveia, não sei se estou certo) nas colónias africanas, o qual Portugal praticou durante mais 15 anos do que a iluminista França e 35 do que a abolicionista Grã-Bretanha, por exemplo? Sim. Esse “trabalho forçado” foi fundamental e omnipresente nas colónias africanas portuguesas? Sim.

Portugal inventou a escravatura? Não. Introduziu o seu comércio em África? Não. Foi o país que mais comercializou e utilizou escravaturas? Não. Nunca se estudou a escravatura em Portugal, nas navegações e nas colónias portuguesas? Não. São precisas estas patranhas para divulgar uma visão menos dulcificada da história nacional? Não. É Portugal o país menos racista do mundo? Não. É Portugal o país mais racista do mundo ou da Europa, prisioneiro de um “racismo de Estado”? Não.

É preciso um monumento/memorial às escravaturas? Não. Os monumentos não são precisos. Pode ser feito e ser útil? Sim, se for desmistificador, se não for aprisionado por este obscurantismo de moda – algo qual D. Sebastião de Cutileiro seria um “must”.

Há uma genealogia linear, directa, entre o comércio escravista pós XV e os actuais obstáculos de imigrantes ou cidadãos negros em Portugal? Sim, se explicarmos da mesma forma esses obstáculos racialistas ou racistas em países europeus que não praticaram o comércio escravista e a economia escravista com africanos (Ucrânia, Sérvia, por meros exemplos). Sim, se acreditarmos na metafísica dos “inconscientes colectivos”. Não, se se olhar para as flutuações sociológicas e as cesuras históricas (e, muito em particular, as respeitantes aos africanos em Portugal). E se entendidas as representações sociais (“os negros”, “os imigrantes”) como alimentadas pelas heranças históricas mas muito mais como reconstruções contemporâneas, ainda para mais tão lestas na nossa era. Ou seja, se se pensar.

Em suma, há muito para divulgar, muito para criticar na bela imagem da “gesta nacional”? Sim. É isso equivalente a racializar a sociedade (e os seus censos) – porque é disso que se trata com todo este alarido -, transformar as raças-em-si numas raças-para-si para que sejam activadas como clientelas de projectos totalitários dos neo-comunistas, muito em especial através da redistribuição de recursos estatais através de “subsídios” geridos por apparatchiki? Vão perguntar aos trânsfugas do velho marxismo, órfãos da “classe” . (Nos intervalos dos seus negócios imobiliários).

13 comentários em “A discussão sobre as escravaturas”

  1. Factos :

    The first European nation to engage in the Transatlantic Slave Trade was Portugal in the mid to late 1400’s.

    Historian, Professor David Richardson, has calculated that British ships carried 3.4 million or more enslaved Africans to the Americas.

    Only the Portuguese, who carried on the trade for almost 50 years after Britain had abolished its Slave Trade, carried more enslaved Africans to the Americas than the British (the most recent estimate suggests just over 5 million people).

    Estimates, based on records of voyages in the archives of port customs and maritime insurance records, put the total number of African slaves transported by European traders, to at least 12 million people.

    http://abolition.e2bn.org/slavery_45.html

    1. Bem sei que depois existem os sistemas de breeding local , como aponta o referido artigo. Mas tendo em consideração os números avassaladores é pouco interessante o debate sobre quem lucrou, ou traficou mais. Dando razão a Estaline a partir de determinado número é somente estatística. O interessante é saber-se que quando os portugueses chegaram à costa africana a escravatura estava enraizada nos costumes locais. Não fomos “nós” que descobrimos África, nem tampouco a escravatura. Apenas tornamos mais “científico “, mais eficiente , o dito negócio.

    2. As tácticas Marxistas a copiar o Partido Democrata continuam. A escravatura em África existia muito antes do Portugueses e continuou muito depois dos Portugueses.

      Porque é que não falas dos Portugueses escravos raptados em raids principalmente no Algarve, mas também ao longo das costas portuguesas?

      Os escravos portugueses não te interessam?

      https://en.wikipedia.org/wiki/Barbary_slave_trade

      Não interessa ao Marxista porque não permite colocar culpa no próprio povo e assim ganhar/tirar poder. O pecado, culpa é essencial à construção do poder totalitário. Quem tem culpa não protesta.

      E o jornalismo está reduzido precisamente a isso, pois é Marxista :
      O Jornalismo está reduzido à criação de Culpa, nem que se tenha de ir 6 séculos atrás.
      Para extorquir poder e formar clientelas políticas neste caso raciais.

  2. Apenas para enaltecer, uma vez mais, o caríssimo JPT e este seu texto!
    E que não lhe doam as mãos, meu caro!!
    Sem acrescentar uma vírgula… (Vão perguntar aos trânsfugas do velho marxismo, órfãos da “classe” . (Nos intervalos dos seus negócios imobiliários).

    Um grande bem haja,

  3. “É isso equivalente a racializar a sociedade (e os seus censos) – porque é disso que se trata com todo este alarido -, transformar as raças-em-si numas raças-para-si para que sejam activadas como clientelas de projectos totalitários dos neo-comunistas, muito em especial através da redistribuição de recursos estatais através de “subsídios” geridos por apparatchiki? Vão perguntar aos trânsfugas do velho marxismo, órfãos da “classe” . “

    Isto é o que está em causa, criar clientes políticos do Marxismo.

      1. Sim, forjar é melhor palavra.

        Nova editora do NYT, depois admirem-se quando todos começarem a votar de acordo com a cor da pele:
        http://thefederalist.com/2018/08/02/new-york-times-editorial-board-just-hired-virulent-racist/

        Dou pouco tempo para cá começar, é só irem buscar alguém a uma das universidades de “ciências sociais”. Aposto que começará no Publico…

        1. As aspas nas ciências sociais são um programa. Ideológico, o energumenismo. Não tenho paciência. Até prefiro o Público, que ao menos à sexta tem a coluna do António Guerreiro.

          1. Perdoe-me mas, o jpt não é cientista social? Existem ciências que não obedecem ao método científico, a começar pela maior de todas. A Matemática

          2. Não, eu sou licenciado numa ciência social. E conheço cientistas sociais. E não tenho paciência para os engraçadistas iletrados que em 2018 continuam a confundir ser de “direita” ou ser “liberal” com meter aspas em ciências sociais, porque lhes cheira a “socialismo” (há qualquer coisa parecida nas palavras). Cagam de alto mas mesmo assim borram as peúgas, o que é uma falta de jeito escandalosa. E depois levantam-se, patinhando nas fezes próprias, quando chega um licenciado em “ciências jurídicas”, num “sô doutor” ou no respeitinho por um licenciado em “ciências económicas”. Não há paciência, mesmo.

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