Por estes rios acima (31)


Pedro Correia,

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RIO ALMONDA 

 

Nascente: Serra de Aire, 5 km a noroeste de Torres Novas

Foz: Rio Tejo, no síto da Igreja Grande, concelho da Golegã

Extensão: cerca de 30 km

 

«Dizem que o rio chora toda a noite / Nas lágrimas tombadas dos salgueiros. / (…) E as pedras nuas da distância? / Almonda! Almonda! Almonda! / Um eco… // São as rãs da memória que chamam as cigarras / Quando o Verão se chega mais à terra / E a cidade amanhece ao som do rio que canta. // Dizem que o rio canta / Nos olhos molhados dos salgueiros!»

Maria Sarmento, Almondinas

14 comentários em “Por estes rios acima (31)”

  1. A nascente deste rio é impressionante – uma cascata de água a sair de um enorme buraco numa parede rochosa da serra, para uma piscina natural.
    A fábrica de papel da Renova fica mesmo ao lado e utiliza a água do rio.

      1. Eu visitei a Renova e falei com os técnicos dela, que me disseram que não, que a água sai de lá limpinha. E de facto mais abaixo não se notam sinais de poluição no rio.
        A fábrica da Renova (cujo nome oficial é, ou era, “Fábrica de Papel do Almonda”, mas que atualmente não fabrica papel, somente “tissue”, ou seja, aquela forma de papel utilizada para lenços) foi ali instalada precisamente para utilizar a água do Almonda.

  2. “Eu conheço os Rios.
    Eu conheço rios tão antigos como o mundo, e mais velhos que o fluxo de sangue nas veias humanas.”

    Nova série, Mr Correia? Então, esta frase também poderia ser sua.

    Saudações.

    1. Tinha prometido que a série iria prolongar-se pelo menos até ao fim do mês, Maria Antonieta. Cumpro sempre as minhas promessas.

      Gosto muito dessa citação.

      Bom fim de semana!

  3. O Almonda de Saramago em as Pequenas Memórias.

    «Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto. / Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos. / É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos, e tem a macieza quente do lodo vivo. / É um rio. / Corre-me nas mãos, agora molhadas. / Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de repente não sei se as águas nascem de mim, ou para mim fluem. / Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o próprio corpo do rio. / Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os barcos e o céu que os cobre, e os altos choupos que vagarosamente deslizam sobre a película luminosa dos olhos. / Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas águas como os apelos imprecisos da memória. / / Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga. / / Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e firme pulsar de coração. / Agora o céu está mais perto e mudou de cor. / É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo acorda o canto das aves. / E quando num largo espaço o barco se detém, o meu corpo despido brilha debaixo do sol, entre o esplendor maior que acende a superfície das águas. / Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas da memória e o vulto subitamente anunciado do futuro. / Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar calada sobre a proa rigorosa do barco. / Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que as aves digam nos ramos por que são altos os choupos e rumorosas as suas folhas. / Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem, sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas verticais circundam. / Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra viva. / / Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. / Depois saberei tudo.»

    http://www.aneste.org/as-pequenas-memrias.html

        1. Desse fiquei a meio, como já aqui escrevi. Achei a ideia-base muito rudimentar.
          Julgo que terá sido o único livro de Saramago que não me prendeu o suficiente para chegar ao fim.

          1. Abstraindo-se da ideia-base, se ler a até fim, acho que ficará também com boa opinião. O remate do livro é essencial.

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