Por estes rios acima (9)


Pedro Correia,

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RIO COURA

 

Nascente: Lagoa da Salgueirinha, freguesia de Vascões, concelho de Paredes de Coura

Foz: Rio Minho, em Caminha

Afluentes: Rio dos Cavaleiros

Extensão: cerca de 50 km

 

«O rio mais truteiro do universo.»

Aquilino Ribeiro, A Casa Grande de Romarigães

22 comentários em “Por estes rios acima (9)”

  1. Há uma planta que aparece nas margens do Coura e de alguns ribeiros seus tributários e não existe em mais nenhum rio minhoto. Trata-se de um narciso endémico do noroeste da Península Ibérica – fotos nesta página (http://flora-on.pt/#/1Narcissus+cyclamineus). Como não somos um país de jardineiros, pouca gente por cá conhece a planta, mesmo em Paredes de Coura. O que talvez seja bom, pois assim ninguém a colhe (o que em qualquer caso seria ilegal) e é no rio que ela deve estar.

    1. Não somos um país de jardineiros, de facto. Somos, na verdade, um país com horror ao verde, todo o verde que não tenha imediato interesse industrial ou alimentar. A Natureza, para o português médio, reduz-se largamente, suponho, a pasto, couves, batata e feijão, alguma vinha e chega. E não mais do que o inevitável. De resto, haja muito tijolo, cimento, alcatrão e alumínio. E muitos locais onde largar entulho de obras, sucata e lixo asselvajado.

      Nem se fale muito destes rios, destas plantas, destes locais. É imprudente. É melhor não lhes dar ideias, porque as ideias deles são o que se sabe. O último rio verdadeiramente selvagem, por cá, já pertence ao passado.

      Costa

      1. E muitos locais onde largar entulho de obras, sucata e lixo asselvajado.

        Isso, isso.

        O povo português adora lixeiras. É um amor de perdição. Os portugueses andam sempre à procura de uma lixeira, de um sítio qualquer, no meio de uma mata, na borda de uma estrada, enfim, qualquer sítio onde alguém já tenha deitado algum lixo (podem ser uns trapos velhos, umas embalagens de plástico, um frigorífico estragado, um antigo tanque de lavar roupa). Quando encontram essa lixeira os portugueses ficam todos contentes e vão logo a casa buscar alguma coisa que lá tenham para deitar para o lixo e depositá-la nessa lixeira, dessa forma aumentando o seu tamanho. É um prazer irresistível, esse de depositar lixo numa lixeira. Mesmo que seja fácil colocar o lixo na rua e esperar que os serviços camarários o levem, os portugueses preferem levá-lo para uma lixeira. É mais giro. Dá mais cachet ao local. É uma antiga e nobre tradição nacional, que importa manter. Vivam as lixeiras.

        1. Típico comentário português, aquele que começa : “os portugueses são isto e aquilo” Não há marca mais nacional que esta. Tudo uma cambada….

      2. O português médio, esse ser incorpóreo e idiota… a ajuizar pelas palavras do Costa 🙂

        Há 20 anos talvez subscrevesse, mas felizmente tem-se notado um tremendo esforço em reparar algumas das muitas asneiras do passado. Nalgumas têm sido bem sucedidos.
        Já vão rareando os abusos; nas décadas de 80 e 90 construir em escarpas e linhas de água era natural, quiçá desejável porque os terrenos mais baratos… ou construir prédios em cima de estradas e estradas em cima de prédios, o pessoal precisava era de dormir ou de praia e quem quisesse ver plantas fosse de visita aos primos do interior ou ao jardim botânico mais próximo.

        Entretanto, e se bem que muito mas muito atabalhoadamente, o ambiente lá foi sendo considerado com direito a maiúscula e até a ministério – ou, pelo menos, foram legislando muito e muito, e tantas debitaram que, quais Nostradamus, em algumas tinham que acertar. Noutras, meteram-nos em becos sem saída, apesar de não faltarem auto-estradas por aí. Faltam é comboios há muito.

        E, os louros a quem de direito!, a Expo ’98 e o Euro 2004 trouxeram-nos um novo orgulho pelas cidades e pelas serras que mudou a forma como o cidadão, independentemente do percentil, passou a olhar o espaço que vai ocupando.
        Claro que ainda temos muito para melhorar.

        Mas apolear o Ambiente, agora, é com outros muito distantes do que quer que seja médio.

        1. Sarin, porventura o Costa refere-se ao português médio da sua idade média. O nosso tempo e o que lhe seguiu é soberbamente melhor

          1. Ah, a desconsideração liminar de quem pense de forma diferente, essa prática tão tentadora. De certa forma ainda bem que o fazem, Sarin e (por estes dias) Gajo. É sinal de sanidade mental. De minha sanidade mental.

            Costa

          2. O Costa arrepela-se sempre que lhe respondem no tom que usa; e, também como sempre, aponta o dedo ao outro (no caso, outros) para que lhe vejam a elevação.

            Engraçado que, com tal elevação, não perceba que é o primeiro a desconsiderar os seus concidadãos. Sistematicamente. Mas talvez suponha que, por falar genericamente, ninguém em particular terá o direito de lhe devolver a mesquinhez e a baixaria.

            Há alturas em que a elevação não permite grandes horizontes. Saltar dentro dum poço, por exemplo.

            E, uma vez que desconhece uma outra regra da consideração, se não pelos concidadãos, então pelos comentadores, informo-o que quando se critica um comentador fica bem fazê-lo directamente e não em comentários a terceiros, pois pode o comentador não ler. Claro que o objectivo pode ser, exactamente, evitar resposta. Se a primeira atitude revela torpeza, semelhante ao infantil falar mal às escondidas praticado por adultos de ética duvidosa, sendo o objectivo evitar resposta revela também monumental cobardia.

            O Costa comentador a ser igual a si mesmo, aqui ou via Disqus.

          3. Gosto particularmente do nosso tempo. 🙂

            Este tem muitas guerras… mas cá estou para ver o próximo. Dizem que começava com aquário…

  2. Em primeiro lugar, como courense, obrigado pela referência e esta vista do Rio Coura, em Vascões, que eu não conhecia. Também não conheçia tal planta. Conheço as trutas, sim, que são muito boas e agora reproduzidas também em viveiro… E até dá para pescar e tudo.

  3. Uma série que vai de vento em popa.
    Agora não só me delicio a admirar as soberbas imagens dos rios, como me divirto com os comentários, e aprendo…

    Uma vez mais o parabenizo pela iniciativa, Mr. Correia!

  4. Outro rio que me diz muito. é engraçado como tem uma extensão relativamente curta, margens bucólicas e no entanto serve de cenário a dois festivais “de Verão”: o de Paredes de Coura e o de Vilar de Mouros. A foz, a meia dúzia de quilómetros desta última aldeia, e que é visível na foto de baixo, é uma área protegida e é um óptimo pouso para a leitura, com a ponte ferroviária, os montes e o sapal como cenário.

    1. Verdade, João Pedro. Vilar de Mouros – onde estive fez agora um ano – continua a ser um pequeno paraíso. Aliás cada vez gosto mais do Alto Minho – de Caminha a Melgaço, de Viana a Arcos de Valdevez.

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