
[Cristiano Ronaldo agradecendo os aplausos dos adeptos da Juventus após o (2º) golo marcado em Turim]
(Após a nervoseira deste Portugal-Espanha lembrei-me deste postal que meti em Abril no És a Nossa Fé)
À saída de Nelspruit não paro nos semáforos desligados, que quando assim funcionam como sinal de “stop”, pois nenhum carro se avistava no cruzamento. E logo dois policias saltam à estrada, mandando-me parar. “Estou tramado!”, resmungo, antevendo os rands da multa e o atraso na viagem. Desculpo-me, explico-me, eles impávidos. Claro que viram a matrícula moçambicana, e tão habituados estão ao tráfego inter-fronteira, mas perguntam-me para onde vamos (“Maputo“, respondo), de onde somos (“portugueses“, digo-lhes), se viemos às compras. Que não, esmiúço, em busca de hipotética solidariedade, que ali vim para trazer a miúda ao (orto)dentista, a Carolina a comprová-lo no banco traseiro, com o aparelho dentário tão brilhante, acabado de calibrar na visita mensal. Um deles (suazi? tsonga? sotho?, não lhes consigo destrinçar a origem), inclina-se sobre a minha janela, quase enfiando a cabeça no carro e pergunta “how are you, sissi (maninha)?” e assim percebo que não pagarei multa. Depois diz-me “se você é português vou-lhe fazer uma pergunta” e eu logo que sim, dando-lhe um sorriso prestável, antevendo uma qualquer dúvida sobre ares ou gentes de Moçambique. Mas afinal “Qual é o melhor, Ronaldo ou Messi?“. Eu rio-me, num “Ah, meu amigo, são ambos excepcionais, diferentes mas excepcionais“, enfatizo, mas ele insiste, “mas qual é o melhor?“. “Ok“, e enceno-me, olhando à volta, “só vocês é que me ouvem, assim posso falar, sou português mas o maior é Messi“, e estou a idolatrar o jongleur, o driblador dono da bola, alegria do povo, nós-todos miúdos de rua. “Não, você está errado” riposta ele (ndebele? zulu? khosa?, não lhe consigo destrinçar a origem), “Ronaldo é o melhor. Messi nasceu assim, Ronaldo é trabalho, muito trabalho!“. Ri-se, riem-se, rimo-nos, e conclui num “podem ir“. Avanço pela N4 e sorrio a este afinal meu espelho, apatetado europeu (armado em) intelectual com prosápias desenvolvimentistas, a levar uma lição de ética de trabalho de uma pequena autoridade (formal) africana.
(Fica a historieta para os patrícios – os ditos “hatters” – que, continuadamente, apoucam o labor do maior atleta em actividade. Talvez nisso ombreando com Federer, mas muito mais célebre).

Não é patrício – é um alien que por cá medrou.
O Pedro Correia contou a história no português que nasceu no Bangladesh. Trabalha cá há um ano e diz “nossa Selecção”.
Em comum têm o serem trabalhadores e sentirem-se portugueses.
Ao CR7 só não lhe perdoo não ter tido aulas de ballet. Desde que lhe vi o primeiro pas-de-deux com a bola fiquei rendida, e nem me chateei com a cor da camisola.
Ganhou o futebol, perdeu o Ballet. Nureyev e Barishnikov saíram sem beliscão.
E isto é coisa que, se dita em alguns meios, pode ser muito mas mesmo muito mal entendida.
Estou de boa-fé, e tenho ali uns papéis assinados por uma tal Margot Fontaine D’Arias que o atestam.
Ele é patrício (literalmente falando). Mas existem outros, e muitos, que desde há anos o apoucam, bem como a outros portugueses que obtêm sucesso (em particular se no estrangeiro). É um tique cultural tramado.
Desculpe mas CR não é patrício!
Ainda anteontem Neymar dizia ser o melhor do Mundo porque CR e Messi eram de outro planeta!!!
https://www.google.pt/amp/www.dn.pt/des porto/interior/amp/neymar-eu-e-que-sou-o-m elhor-do-mundo-9471861.html
O Patrício é que é nosso patrício mas mais meu porque daqui.
Preferir o resultado de muito trabalho para atigir um objectivo ao da habilidade natural para o realizar seja em que matéria for, é uma interpretação muito inteligente do mundo que nos rodeia.


Eu cá , se fosse o polícia, tinha-o multado… só pela blasfêmia
Já um homem não pode ter opinião própria …. nem tentar agradar a um polícia para evitar uma quase-certa multa.
Não me diga que foi caso de ganhar o coxo… Nada como seguir o próprio norte, está visto!
Muito oportuna a comparação com Federer. Este também não para de nos surpreender.
São fenómenos similares. Muito da “ciência” do treino justificará este cada vez maior prolongamento dos apogeus das carreiras. Mas não chegará para explicar tudo.
jpt, duvido que aquele golaço fosse marcado pelo Messi – aquele, que nos levou ao empate a três bolas com uma equipa fortíssima, e candidata ao título, que é Espanha [aquele jogo de abertura de tão bom/empolgante e enervante que foi, mais parecia uma final] – dizia; aquele golaço do CR7 tem com toda a certeza muitas horas de dedicação, de trabalho – e naqueles segundos que antecederam, ele concentrou-se e visualizou milimetricamente o caminho, o efeito necessário para o esférico entrar como entrou. UAU! “aquilo” só o melhor do mundo!!!
Mas, também sou apreciadora de Messi – o 2º melhor do mundo!
[estou em crer que a rivalidade é mais ao nível dos adeptos…entre eles, CR7 e Messi, existe competição saudável e sobretudo muito respeito mútuo. além disso, o filho mais velho de Ronaldo é fã nº1 de Messi – ironia do destino :)]
A rivalidade, como se vê pela pateta comentário que se segue a este, está nos adeptos – bem potenciada pela “indústria” da bola, que convém ter este “confronto” para animar as “marcas” (dos prémios e patrocinadores). E ainda por cima, para cúmulo da patetice dos portugueses que andam nisto, é eco do Barça-Real, que leva os espanhóis à maluquice. Claro, há razões internas: fosse Cristiano Ronaldo antecessor de Renato Sanches (o “novo Eusébio”, diziam) nas escolas do Benfica e muitos dos “messiófilos” seriam adoradores do culto cristiânico. A patetice humana é um “bem” infinito. E Portugal acumula os excedentes oriundos dos países vizinhos.
Eu tenho uma opinião diferente ( e se há modalidade que albergar opiniões diferentes sobre os melhores do mundo, o futebol é a maior ), logo sou um hater, é isso ?…obrigadinho pela parte que me toca. E que tal um banho de água fria. O 1º golo é resultante de um penalty bem cavado. O 2º golo é resultado de um frango de todo o tamanho. O 3º golo resulta de uma falta bem teatralizada, mas nem por isso deixa de ser um golaço só ao alcance de um predestinado. Que continue o Ronaldo a marcar neste campeonato do mundo e que ajude Portugal a chegar longe. Já é altura de ser o melhor marcador de uma fase final.
Não anónimo não “é isso?”. Pelo que aqui diz você ou é iletrado, não aprendeu a interpretar o que lê, ou é uma besta, interpreta tudo ao contrário. Está escarrapachado no texto, que ainda por cima tem o conteúdo da minha opinião, que o texto se dedica aos portugueses “que, continuadamente, apoucam o labor do maior atleta em actividade”: a mole de frustrados que desde há anos continuamente apupam o Ronaldo (e outros, como Mourinho) – eu lembro sempre um jogo particular em Guimarães (ou Braga) pouco antes do Suécia-Portugal para a fase final de apuramento, em que os espectadores do treino gritavam …. “Messi, Messi” para espanto do jogador (e dos outros).
Como é óbvio a quem consegue ler este postal, com o que lá está escrito, e vir daí, com a mão na anca e o escarro na garganta, como resposta abrasiva botar a pobre opinião sobre o último jogo só me ocorre dizer “e eu com isso?” “vá chatear outro”.
Ronaldo é o melhor. Messi nasceu assim, Ronaldo é trabalho, muito trabalho!
Não estou certo de que isto seja assim, por ambos os lados. Ou seja: por um lado, Ronaldo também é bom por ter nascido assim, e não somente por trabalhar muito; e por outro, Messi (provavelmente) também é bom por trabalhar muito, e não somente por ter nascido assim.
Já ouvi muita gente a dizer que Ronaldo trabalha imenso, e acredito, mas tenho poucas dúvidas de que Messi também trabalha imenso.