Olhar o céu


Diogo Novo,

Exausto com a penosa novela Sporting, pensei vir aqui explicar porque não gosto de futebol. Ia falar da violência endémica, consentida por uma parte importante da sociedade portuguesa – e, em particular, pela malta que vai “à bola”. Pensava escrever sobre os privilégios fiscais concedidos aos grandes clubes, um estatuto que contrasta com o do normal contribuinte, vítima de acosso do Estado – algo igualmente tolerado pela “malta da bola”. Pretendia explicar como o caso do Sporting espelha o quão miserável é este mundo: de um lado, Bruno de Carvalho; do outro, Marta Soares e Álvaro Sobrinho. Ia fazer tudo isto até que li o artigo do Miguel Araújo, na Visão, e o artigo do Carlos Rodrigues Lima, na Sábado. É só ler e perceber.

19 comentários em “Olhar o céu”

  1. E pode-se concordar em toda a linha com Carlos Rodrigues Lima e perceber tantos dos truques de que fala Miguel Araújo e subscrever o que diz Diogo Noivo sobre o “estatuto especial”…
    … e ainda assim vibrar com aqueles 22 jogadores a tentarem dominar a bola.

    Porque o mundo do futebol deve partilhar os valores que nos orientam na sociedade, e se não o faz é porque na sociedade também falhamos.

    Como Benfiquista, realço um texto de um autor da casa publicado num blogue do Sporting. Porque o que está a acontecer no Sporting pode acontecer em qualquer autarquia, em qualquer empresa… é que “a malta do futebol” é parte integrante da sociedade.
    https://sporting.blogs.sapo.pt/ha-limites-4110318#comentarios

    1. Deve partilhar, mas não partilha, nem dentro nem fora do campo. E enquanto somos impiedosos com os desmandos de autarquias e empresas, somos mansos e complacentes com a “malta da bola”, razão pela qual a gravidade do problema – e a impunidade – no futebol é maior do que noutros sectores da sociedade. Não é tudo igual, não são todos iguais, e isso deve-se em grande parte às vibrações sentidas, que tudo desculpam.

      1. Mas, Diogo, aí é que está a nossa divergência: nós não “somos impiedosos com os desmandos de autarquias e empresas”.

        Os que o são, são-no também para o futebol. Os outros sofrem, em qualquer cenário, de uma qualquer clubite – e são a maioria.

        1. Há mesmo divergência. Entre as nossas opiniões e, mais importante, entre a forma como imprensa e agentes sociais e políticos olham para o futebol (com complacência) e para as empresas e instituições políticas (com a moral à flor da pele).

          1. A divergência de opiniões não é assim tão grande – porque reconhece que nós, sociedade, não temos esse tão grande grau de exigência com “empresas e autarquias”, embora nós, Diogo e eu, o possamos ter; ou não concorda?

            O problema é endémico e cultural; olha-se com complacência para o Desporto e ostensivamente ignora-se os interesses que em torno gravitam – um pouco como fazem muitos filiados dos partidos que, acriticamente, dizem ámen a posições que, propostas por outros quadrantes, os envolveriam em manifestações descabeladas de descontentamento e indignação.

            Chama-se falta de objectividade e de rigor, e infelizmente não é exclusivo do futebol.

      2. enquanto somos impiedosos com os desmandos de autarquias e empresas, somos mansos e complacentes com a “malta da bola”

        Há uma diferença substancial: as autarquias e empresas brincam com dinheiro que, em última análise, é nosso ou provem de nós. A malta da bola brinca com dinheiro que não é, necessariamente, nosso.

        Por exemplo, se o Diogo não gosta de futebol, então não gasta o seu dinheiro nele, e portanto, por mais porcarias que o futebol faça ao dinheiro de que dispõe, nada fará ao dinheiro do Diogo, pelo que o Diogo não terá que se arreliar.

        Se o Diogo não vir SporTV, não apostar no Totobola, não comprar camisolas de clubes desportivos, não investir em obrigações desses clubes – então, que lhe importam os desmandos do futebol?

        1. Lógica furada, como quase sempre. Se os jogadores têm cargas fiscais inferiores (em percentagem), se aos clubes são perdoadas dívidas e juros ao Estado, se os clubes dão abrigo (ainda que informal) a claques com actividades ilegais, se o futebol ocupa um espaço mediático manifestamente abusivo (até em canais generalistas, entre os quais o público), então é problema meu. Mesmo que não queira que seja.

  2. Um amigo meu levou o filho de 11 anos ao Benfica-Porto e houve tanta pulinheira que no fim teve de se esconder durante uma hora com o rapaz numa loja

    Eu o último jogo a que fui (praticamente não vou a nenhuns) foi o Porto-Benfica de 1 de dezembro passado e não tive nem vi quaisquer problemas. Fui para lá pacificamente e de lá voltei na maior paz.

  3. Mas concordo em absoluto com Miguel Araújo — sobretudo depois de ler o texto 😉 A cultura do jogo é lamentável — dos jogadores que falsificam as jogadas, dos treinadores que não se importam que um jogador seja incorrecto e dos adeptos dos clubes que não se importam de ganhar com batota. Se o futebol acabar who cares. Por mim podia ser já hoje.

  4. Meu caro, a maioria dos portugueses não gostam de futebol. Gostam do seu clube. Daí ao fanatismo é um pequeno passo. O scp está em guerra por culpa do benfica. Se tivessem ficado à frente do benfica o BC era o maior presidente do século podendo continuar a mandar à bardamerda quem não é do scp que todos o aplaudiam.

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