Hoje nem vimos a fuça do Hitler


Pedro Correia,

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A chanceler alemã está novamente de visita a Portugal.

Quase seis anos depois.

Esclareçam-me, por favor: houve hoje alguma manifestação anti-Merkel promovida pela “verdadeira esquerda”, comícios com o Francisco Louçã a chamar-lhe “assaltante”, manifestações de rua, acampamentos de protesto junto ao Palácio de Belém, cartazes com a fuça do Hitler e exaustivas transmissões em directo na SIC Notícias?

É que, se houve, eu não notei nada. Posso ter estado muito distraído, mas pareceu-me um dia calmíssimo. O Diário de Notícias até trouxe em destaque esta reconfortante manchete: «Empresas alemãs já são o maior empregador em Portugal despois do Estado».

Em Novembro de 2012, na anterior deslocação oficial da líder alemã a Portugal, foi tudo bem diferente. Mudam-se os tempos, acabam os protestos.

55 comentários em “Hoje nem vimos a fuça do Hitler”

    1. Que bom. A mesmíssima senhora deixou de ser “assaltante”, já não a pintam com bigode e nem mesmo lhe acendem fogueiras para a queimar em efígie na Praça do Império.
      Está visto: esta ínclita nação voltou a ser de brandos costumes.

      1. E mais, o sr. Costa (nada a ver comigo!) diz que na suavíssima carga fiscal não tenciona mexer – e di-lo precisamente no auge da demonstração do quanto lhe é indiferente mentir (combustíveis e promessa de neutralidade fiscal, recorde-se, para os mais distraídos) – e nada, nada!, acontece.

        Fosse o residente em Massamá a dizê-lo…

        Os costumes do bom povo não são brandos. São pior: são estúpidos.

        Costa

          1. Percebo. Uns roubam, mas fazem obra; outros mentem, mas mentem bem. E, cumpridos tais requisitos de excelência, vote-se.

            Costa

          2. Idealismo? Meu? Não. Se alguma coisa, é mais e mais pessimismo antropológico. Esta espécie deixa muito a desejar e a sua variante lusitana, essa então, é verdadeiramente imprestável.

            Costa

          1. Mas a “austeridade” dizem os jornalistas acabou e a narrativa é que importa.

          1. Os profissionais da indignação estão todos aposentados. Se não estão, parecem.
            Não se detecta sinais deles no país com maior carga fiscal em 22 anos, e que paga a terceira factura europeia mais pesada em gasolina e a electricidade mais cara da Europa por custo de vida.

            https://www.jornaldenegocios.pt/economia/financas-publicas/detalhe/carga-fiscal-atinge-valor-mais-alto-em-pelo-menos-22-anos
            https://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/portugal-e-o-segundo-pais-da-ue-com-electricidade-mais-cara
            http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/portugal-tem-a-terceira-gasolina-mais-cara-da-europa-mesmo-antes-de-impostos-313599

          2. É como lhe digo, Pedro: os precários já não o são…

            Como se ainda houvesse dúvidas de que a partidocracia tem uma visão de Estado muito peculiar.

            Sobre os impostos, importa frisar que uma grande parte não é sequer aplicada nas matérias que os definem e suportam, velho hábito – a inscrição no OE é mera formalidade, valham as “alocações” e “translocações” (e quando se verifica tal apropriação de terminologia da genética, fico desconfiada de que a coisa está para durar porque hereditária…)

            Sobre os combustíveis e a dependência energética, há 20 anos que tínhamos tal certeza e, goste-se ou não da figura e apesar da inquinação da execução, Sócrates foi o único a concretizar políticas concertadas para reversão da dependência. Perverteu o processo, onerando-o; mas as infraestruturas e o conhecimento estão aí, assim lhes dêem continuidade.

          3. Bruxelas alerta Portugal para excesso de contratos temporários

            https://www.google.pt/amp/www.dn.pt/portugal/interior/amp/bruxelas-alerta-portugal-para-excesso-de-trabalhadores-com-contratos-temporarios-9168028.html

            https://www.google.pt/amp/www.dn.pt/portugal/interior/amp/jovens-ganham-menos-do-que-em-2007-e-tem-dificuldades-em-ter-casa-9193773.html

            “Sobre os impostos, importa frisar que uma grande parte não é sequer aplicada”

            Em Portugal temos vindo a trabalhar quase meio ano para pagar impostos

            https://obegef.pt/wordpress/?p=32089

          4. A precariedade não diminui, pelo contrário.
            Falava dos precários
            http://www.precarios.net/governo-apresenta-medidas-combate-precariedade-questoes-essenciais-aberto/
            Eles estão aí (eles, a organização; e ainda bem, note-se!), mas estão muito calminhos. As investidas de rua pararam, as campanhas de choque não produzem qualquer onda… um pouco como alguns sindicatos em 2016-2017.

            A frase que questiona é “Sobre os impostos, importa frisar que uma grande parte não é sequer aplicada nas matérias que os definem e suportam”.
            Parte dos impostos e taxas que nos são cobrados acabam por ser aplicados em rubricas diferentes daquelas em que estão inscritas – na sua génese e no OE. As tais “alocações” e “translocações” de que falei.

          5. Sarin a contestação tem diminuído de volume sonoro porque os Sindicatos estão ao mando do PCP e não porque o mercado laboral esteja melhor. É esta politização do sindicalismo – braço armado dos comunistas- que tem destruído o sindicalismo genuíno (defender quem trabalha e não obedecer a uma agenda política exógena) em Portugal

          6. Caramba, feriados à Quinta fazem mal a um de nós

            Daí eu estar com tal conversa, “sardinha e ostra”, “não há precários”, “sindicatos 2016-2017″…

            Por isso, quando falo em sindicatos falo também em grupos de trabalhadores, porque os sindicatos são braços de luta dos partidos e tem que haver alternativas. Mas nem todos estão ao serviço do PCP, a banca e os seguros estão no bolso do PSD, pex, e ouvem-se menos porque há menos diferenças na carreira. É um nicho 🙂 Por outro lado, a UGT guinou à esquerda quando o PSD guinou à direita, o que de alguma forma contribuiu para favorecer o aumento do salário mínimo.

          7. Se os bancários fizessem greve ninguém notava. Agora nos Transportes….o País pára. É por isso que uns se ouvem e os outros nem por isso…nem vale a pena “grevarem”

          8. Também será por aí.

            E o ninguém notar não seria pela abundância de aplicações e caixas multibanco, infelizmente.

          9. A grande diferença entre o passado e o presente é sobretudo comunicacional. Com Passos estávamos sempre prestes a morrer. E convenhamos que os índices macroeconómicos,segundo me dizem, embora eu nunca os tenha visto cá por casa, estão melhores. A Percepção da Realidade é mais importante que a Realidade.

    2. ES “tut mir leid” mas ’tou no “lá” que refere e não se ouve grandes elogios (nem o contrário) … Na verdade, nada se ouve – apenas aqui há uns tempos, se calhar um ano ou mais, um vertice dos estados membros da EU, com repasto em passeio de barco, e aparece o sentado Xuxa Costa num dos cantos da longa mesa onde não se permitiam ocupação de topo…

      E pouco se fala da visita da Sra. Merkel – as primeiras páginas falam sobre a Itália e os seus populistas, a encenação da morte de um jornalista em Kiev ou as incidências e possiveis consequências da proibição de veiculos a diesel em Hamburgo..

      Jorg

  1. Boa noite Pedro Correia. Tudo isto, em Portugal, me faz sempre recordar a brejeira anedota pouco simpática para mestres de obras e senhoras humildes para quem a vida foi madrasta. Reza que um empreiteiro estava num Domingo a almoçar com a mulher e passou uma jovem que o cumprimentou
    – Olá sr Manel!
    – Oh Manel, quem é esta pequena? Desconfiada, perguntouda mulher.
    – É minha amante!
    – Ai Manel, que dás cabo da família…
    – oh mulher (lavada em lágrimas) neste mundo dos negócios temos que ter estas pequenas para nos acompanhar nas reuniões, nos jantares de negócios….
    Nisto entrou no restaurante outra jovem, menos encantadora que a primeira, e que também cumprimentou Manel.
    – Manel, mas então, quem é esta agora?
    – Esta é amante do meu sócio….
    Fez-se silêncio durante longos segundos…..
    – Manel (ainda chorosa, mas compondo um sorriso contrafeito) a nossa é melhor!
    António Cabral

  2. É o efeito das técnicas de manipulação aplicadas pelos poderes que estão, desde há um século, muito mais aperfeiçoadas.

  3. E eu agora podia dizer que o hitler tem as fuças num bunker, mas é melhor pensar em política e, agora que penso nisso, realmente não se deu por nada; mas agora os protestos são no brunch, a própria Merkl claudica e os precários já não o são.

      1. Pedro, a foto é magnífica.

        Eles dançam (?) felizes, entregues, os olhos fechados … Perfeito!

        Vai ver que foi por isso que nada, nem ninguém, se atreveu a perturbar o momento…

      2. Pedro, é a diferença entre a sardinha e a ostra…

        Por acaso gosto da Merkel. Não aprecio algumas-muitas das suas políticas, mas as intervenções dela costumam ser menos arrogantes* do que eram as de Thatcher, por exemplo. E tem um ar mais bonacheirão 🙂
        Essa cena de bigodes nazis e etc é coisa de puto mal-criado…

        *Realçar como positiva uma característica menos-qualquer-coisa não é boa política, mas a verdade é que as líderes do Velho Continente (!!!) tiveram que comer mais limões que os seus colegas, talvez por isso a secura lhes ser indispensável.

      3. Apesar de não gostar minimamente de Merkel, não acho que faça algum sentido chamar-lhe “nazi”. Aliás, a lei de Godwin costuma ser, ironicamente, aplicada por gentes de direita.
        Como exemplo temos os reaccionários do PCP e do CDS que compararam a eutanásia com o nazismo.

          1. Argumentar é complicado, não é, Pedro Correia? Lê “Anónimo” e fica logo “triggered”…

  4. Apesar de Portugal não ser um país de brandos costumes, os portugueses ficam sem energia facilmente.
    Por exemplo, durante a desastrosa governação de Passos Coelho e Paulo Portas, houve manifestações a toda a hora em 2012 e 2013 mas não houve em 2014 ou 2015.
    No Estado Espanhol as coisas são bem diferentes, quer na Catalunha, quer no País Basco ou mesmo no resto do estado.
    Por algum motivo há protestos contra a gentrificação em Madrid e Barcelona mas não em Lisboa ou no Porto, apesar de os portugueses serem mais pobres que os espanhóis.
    De França então não se fala. Apesar de serem mais ricos que nós ou os espanhóis, os franceses estão sempre em greve. Macron sabe que não vai ter a vida fácil apesar de controlar 60% do parlamento (com apenas 30% dos votos).
    Devíamos agir mais como os espanhóis, catalães, bascos ou franceses.
    Como se viu no tema da morte assistida, o povo português é mais avançado que as pessoas que dizem representar-nos. No entanto somos demasiado moles para fazer alguma coisa.

    1. Se calhar os portugueses ficam sem energia, neste magnífico ano da “recuperação de rendimentos”, por pagarem a segunda mais pesada factura de energia do continente europeu:
      https://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/portugal-e-o-segundo-pais-da-ue-com-electricidade-mais-cara

      Só somos ultrapassados pelos alemães, com um nível de vida incomparavelmente superior.

  5. Somos de uma ruminante,invertebrada e prostituída ignorância : aplaudimos , ou apupamos, segundo as ordens dos “iluminati” de turno…

  6. Gastam toda a água do banho com a senhora, deixam o amigo Zé de Matosinhos a cheirar mal, sacam as pilhas ligando o treme-treme à corrente, e nunca mais desinfetam o charco.
    Ai avoam-avoam bostas fedorentas.

  7. O Pedro Correia tem razão.
    Os Portugueses estão anestesiados, quando acordarem vai ser bem doloroso, pois as dívidas aumentaram e já não resta nenhuma soberania para vender.

    WW

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